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Desenhado por uma criança e com uma missão muito importante. Quem é Rise, a mascote da Artemis II?

Este artigo tem mais de 6 meses

A NASA lançou um concurso para descobrir a mascote desta missão e o vencedor foi Lucas Ye, com 8 anos. A criação foi um sucesso nas redes sociais e fez Lucas pensar no seu futuro enquanto astronauta.

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NASA

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No dia em que Christina Koch, Jeremy Hansen, Reid Wiseman e Victor Glover partiram rumo à Lua, não iam sozinhos. Na sua nave ia um outro tripulante: a mascote Rise. Foi desenhada por Lucas Ye, de 8 anos, que se inspirou na missão Apollo 8 e criou um peluche redondo com um boné de basebol semelhante à superfície da Terra.

Tudo começou em março de 2025, cerca de um ano antes do início da missão, quando a NASA, em parceria com empresa de crowdsourcing Freelancer, lançou o concurso ‘ZGI Design’. O objetivo era que os participantes submetessem uma proposta de mascote, que teria uma missão muito importante: servir como indicador de gravidade zero, de forma a que os astronautas soubessem rapidamente que se encontravam num momento sem gravidade.

No entanto, havia alguns parâmetros a cumprir: a mascote tinha de ser pequena (e caber numa caixa quadrada com 15cm de lado), pesar no máximo 340 gramas e representar a humanidade e a missão da Artemis. As candidaturas só foram aceites até junho e bastaram 3 meses para surgirem mais de 2.600 propostas, oriundas de mais de 50 países, escreve a CBS News. De mais de 2 mil mascotes, restaram apenas 25 e dessas apenas cinco. A exclusão de candidaturas foi sempre feita pela empresa Freelancer até aos últimos cinco, ficando a decisão final a cargo dos astronautas que iriam embarcar nesta viagem com a mascote.

“Estamos muito entusiasmados por anunciar o vencedor do concurso”, afirmou a astronauta Christina Koch no final de março deste ano. “O nosso amigo, chamado Rise, foi desenhado pelo aluno de 2.º ano Lucas Ye, da Califórnia. Bem vindo a bordo, amigo.”

A astronauta explicou depois que a escolha, que foi difícil, teve por base o tema do boneco, nomeadamente o tema “Nascer da Terra”, que partiu de uma fotografia tirada na missão Apollo 8, em 1968, que “é uma inspiração para nós e é uma missão que se assemelha à nossa”, disse, referindo-se ao facto de ser a primeira missão tripulada que chegou até à Lua.

A mascote vencedora tem o formato de uma bola branca (que se assemelha à Lua), e usa um boné que se assemelha à superfície da Terra. Mas há muitos mais detalhes nesta criação de Lucas Ye: na parte de trás da bola, por exemplo, há uma pequena pegada, que faz referência à chegada de Neil Armstrong à Lua em 1969. E na pala do boné há decorações de foguetões e galáxias, estando também presente no boneco a constelação de Orion (o nome da cápsula que os astronautas da Artemis II usaram).

Instagram da NASA

Se as primeiras ideias e esboços “não resultaram muito bem”, contou Lucas Ye em comunicado e citado pela CBS News, após “algumas sessões de brainstorming” nasceu o projeto que ganhou a forma de Rise. E quando foi apresentado nas redes sociais, o sucesso foi imediato (havendo até muitos comentários a pedir que a NASA venda réplicas desta mascote).

“Tudo o que vai ao espaço tem de ter uma manta especial”. Como nasceu o Rise?

Fazer nascer a mascote Rise não foi fácil, mas foi um desafio “divertido”, contou Paula Cain, técnica de Mantas Térmicas na NASA. Num vídeo publicado no Instagram, o processo seguido pelo Laboratório de Coberturas Térmicas da NASA, em Marylan, é detalhado pela especialista. Paula Cain explica que fabricar o Rise foi “provavelmente, aquilo que obrigou a coser mais” desde que se lembra de trabalhar na NASA. “É uma coisa que me deixa muito orgulhosa, porque é algo em que eu toquei e que fiz e que vai estar no espaço.”

“Tudo o que vai ao espaço tem de ter uma espécie de manta ou cobertura especial. E é aqui que fazemos essas mantas; protegemos instrumentos, satélites e aparelhos. Basicamente desenhamos roupa como se fosse para um corpo”, explica a técnica. Segundo Paula Cain, antes de elaborarem as proteções, há ainda um trabalho de engenharia por trás, que analisa quantas camadas de proteção deverá ter um determinado objeto, de forma a que se mantenha mais frio ou mais quente no espaço, conforme a necessidade.

Pamela Cain teve de combinar técnicas de costura à máquina com técnicas de costura à mão para conseguir dar forma ao Rise. E teve ainda um outro desafio: adicionar um bolso onde seria mais tarde guardado um cartão micro SD com mais de 5,6 milhões de nome (enviado através de uma campanha da NASA com o objetivo de enviar nomes para o espaço).

Dez dias depois, Artemis II aterra e lança regresso à Lua. Depois vem Marte?

No início de abril, a mascote Rise foi levada pelos astronautas para o interior da cápsula Orion. E quando a tripulação regressou à Terra esteve sempre na mão do comandante da missão, Reid Wiseman.

NASA

No dia do lançamento, o seu criador, Lucas Ye, e a família assistiram a tudo a partir do Centro Espacial Kennedy, escreve a CBS News. Para Lucas, a experiência levou-o a sonhar com o futuro, nomeadamente com o objetivo de um dia “trabalhar na NASA e ser astronauta”. E os seus pais parecem apoiar a ideia: “Isto é muito significativo para nós, especialmente porque o Lucas tem uma grande paixão pelo espaço e pelos foguetões. É um projeto muito significativo para toda a família.”

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