Meses depois de ter fugido do Brasil para evitar cumprir uma pena de cerca de 16 anos de prisão, o antigo diretor dos serviços secretos e ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi detido em Orlando, nos Estados Unidos, pela agência norte-americana de imigração (ICE, na sigla original). Condenado pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro, era o último elemento do círculo mais próximo do ex-Presidente Jair Bolsonaro que permanecia em liberdade.
Apesar de o juiz Alexandre de Moraes já ter ordenado a inclusão do seu nome na lista de procurados da Interpol, a detenção de Alexandre Ramagem estará relacionada com a sua alegada situação migratória irregular nos Estados Unidos. No sistema do ICE, o ex-deputado surge como “sob custódia”, sem referência à localização exata, de acordo com a Polícia Federal brasileira, citada pela CNN Brasil.
Adensando as dúvidas sobre o enquadramento da detenção, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, explicou ao portal G1 que a situação assenta nos dois fatores: “A prisão é fruto da cooperação internacional Brasil — Estados Unidos no combate ao crime organizado. Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”.
Já em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça do Brasil informou o STF de que o pedido de extradição tinha sido formalmente enviado aos Estados Unidos. Ainda assim, não há confirmação sobre se o ex-diretor da Abin será extraditado.
O empresário brasileiro e figura das redes sociais Paulo Figueiredo afirmou que o ex-deputado, seu aliado, tem um pedido de asilo pendente “há já algum tempo”, segundo a CNN brasileira. Acrescentou ainda que a detenção ocorreu após uma abordagem policial motivada por uma “infração leve de trânsito”, em Orlando, na Florida.
Antigo agente da Polícia Federal, Ramagem foi condenado depois de o Supremo concluir que transformou a agência de espionagem brasileira numa estrutura clandestina de contraespionagem. De acordo com a investigação, utilizou software para monitorizar a localização de ministros do Supremo, parlamentares, jornalistas e outros funcionários públicos, além de acompanhar investigações que envolviam os filhos de Bolsonaro.
Segundo a investigação da Polícia Federal divulgada pelo G1, terá fugido do Brasil antes do fim do julgamento, atravessando clandestinamente a fronteira entre Roraima e a Guiana para evitar a prisão. Terá entrado por terra e seguido depois de avião para os Estados Unidos. Um dos alegados facilitadores da fuga, o empresário Celso Rodrigues, foi entretanto detido em Manaus por suspeita de financiar e prestar apoio logístico à saída de Ramagem do país — detenção também ordenada por Alexandre de Moraes.
Enquanto permaneceu no exterior, Ramagem foi alvo de várias sanções políticas e administrativas: perdeu o passaporte diplomático e teve os vencimentos parlamentares bloqueados. Depois da condenação, já tinha visto o mandato de deputado — para o qual tinha sido eleito em 2022 com cerca de 59 mil votos — ser retirado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2025.
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