A Câmara Municipal de Lisboa vai avançar com o projeto “Ver Melhor o Mundo”, uma iniciativa que pretende garantir rastreios visuais, consultas de especialidade e óculos gratuitos a crianças e jovens entre os 6 e os 18 anos residentes em habitação municipal. O objetivo passa por detetar precocemente problemas de visão e eliminar barreiras ao sucesso escolar, através de uma intervenção direta nas escolas dos bairros municipais.

O projeto, desenvolvido em parceria pelos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa (SSCML), pela Gebalis e pelo Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Óptica e Optometria António e Cecília Câmara, será implementado de forma faseada ao longo de três anos letivos, entre 2026 e 2028, abrangendo alunos do 1.º ciclo ao ensino secundário em escolas públicas associadas a bairros municipais. No total, estão previstas até 500 atribuições de óculos por ano, sem qualquer custo para as famílias, incluindo lentes e armações.

A intervenção inclui rastreios visuais realizados diretamente nas escolas, consultas de optometria e, quando necessário, consultas de oftalmologia. Nos casos em que sejam detetadas patologias oculares, está também garantido acompanhamento clínico especializado pelos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa.

A primeira ação aconteceu no dia 10 de abril, na Escola EB1 Arquitecto Ribeiro Telles, no Bairro da Boavista, envolvendo cerca de 150 alunos e uma equipa composta por dois técnicos de rastreio e um optometrista.

No âmbito do protocolo, a Gebalis será responsável pela identificação dos beneficiários e pela articulação com escolas e famílias. Já os Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa asseguram a resposta clínica especializada, enquanto o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Óptica e Optometria António e Cecília Câmara disponibiliza os meios técnicos e a entrega dos óculos.

Para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, a iniciativa materializa o papel do município na intervenção social de proximidade. “O Estado Social Local é uma realidade em Lisboa. Está presente onde o Estado central não chega, apoiando quem mais precisa, diretamente nos bairros e junto das pessoas”, afirmou, sublinhando que o projeto permite “detetar problemas que muitas vezes passam despercebidos”.

Já o presidente do conselho de administração dos Serviços Sociais da Câmara Municipal, Rui Cordeiro, destaca o impacto do projeto na igualdade de oportunidades e no sucesso escolar, sublinhando que o acesso à saúde visual é determinante para o percurso educativo das crianças.

No mesmo sentido, o presidente da Gebalis, Fernando Angleu, refere que a iniciativa garante que “nenhuma criança, nos bairros municipais, é prejudicada pela falta de acesso a cuidados de saúde visual”, destacando a importância de uma intervenção centrada nas pessoas e nos territórios.

Também o diretor clínico dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, Rui Miranda Julião, enquadra a iniciativa nas recomendações da Organização Mundial da Saúde, lembrando que os défices visuais em idade escolar têm impacto direto na aprendizagem, no bem-estar e na autoestima.

Com o projeto “Ver Melhor o Mundo”, Lisboa aposta numa intervenção precoce e estruturada junto das crianças e jovens em maior vulnerabilidade, numa lógica de proximidade que pretende traduzir-se em melhores condições de aprendizagem e mais igualdade de oportunidades.