José Luís Carneiro reuniu esta manhã, pela primeira vez, a Comissão Nacional do PS que conseguiu eleger no Congresso de Viseu e começou o encontro com disparos sobre a AD. Quando o momento é de impasse nas negociações sobre as alterações à lei do Trabalho, o líder socialista vem chamar-lhe “contra reforma” e dizer que, neste ponto, a AD não conta com o PS.

Carneiro acusa o Governo de ter uma proposta que contribui “para aligerar os despedimentos, para aumentar a precariedade dos mais jovens, para ofender os mais vulneráveis e para dificultar a compatibilização entre a vida pessoal, familiar, a vida profissional e a vida de relação com o conjunto da sociedade.” Veio fazer, disse na intervenção inicial, “exatamente o oposto daquilo que deveria ser uma reforma, um ajustamento às leis laborais”.

E conclui que, com o que está em cima da mesa nesta altura, a posição do PS só pode ser uma: “Connosco não podem contar para esta ofensa que está a ser feita à dignidade das trabalhadoras e dos trabalhadores no nosso país.”

A picardia com Luís Montenegro começa logo nas declarações que o primeiro-ministro fez, quando acusou o PS de instrumentalizar a UGT no acordo laboral. Para Carneiro, são “ridículas essas palavras”. No dia em que o partido assinala os 53 anos de existência, o líder socialista aproveitou, a propósito, para recuperar um capítulo específico do último meio século ao dizer que foi o PS que se “bateu ao longo da nossa história pelo pluralismo da representação sindical”.

“Estivemos contra a unicidade sindical para defender o pluralismo e a diversidade da representação dos trabalhadores. Estas são as razões porque hoje é tão difícil compreender a AD”, afirmou sobre a posição de Montenegro, que acusa de ter avançado com a proposta de uma reforma de forma pouco clara. Apontou mesmo o “silêncio sepulcral” que Montenegro guardou durante a campanha sobre as alterações à leis do trabalho, antes de acusar o Governo de estar a fazer “o contrário” do que considera ser necessário face “aos desafios novos da nova economia”.

O líder do PS soma ainda a esta crítica à reforma laboral proposta pela AD uma avaliação negativa dos “planos de ação para as respostas na saúde” e aos “planos de ação para a falta de professores nas escolas. E ainda ao crescimento da economia, lembrando que o PSD “criticava o PS quando o país crescia mais de 3% ao ano e agora crescem a 1,9% e já estão satisfeitos”: “Tocam as sinetas todos os dias quando estão a crescer muito menos do que crescíamos no nosso tempo”.

Trouxe também uma crítica — algo confusa, pelo menos, nos números — à mais recente medida do Governo para os combustíveis, conhecida este sábado. O Executivo veio reduzir o desconto do ISP do gasóleo, aproveitando para fazer subir novamente a taxa aplicada pela descida que os preços internacionais vão registar na próxima semana. E Carneiro diz que isto é “reduzir a margem que é destinada à receita do Estado”.

“O que vai significar entre o aumento do combustível e o aumento da receita com o combustível? Um aumento de 1,85 euros em cada litro de combustível a partir de segunda-feira” — a assessoria corrigiu de imediato: Carneiro queria dizer 1,85 cêntimos por cada litro. “Ou seja, não vai haver uma redução. O Estado vai continuar a ganhar ainda mais com a receita aplicada aos combustíveis”, concluiu o socialista.

Carneiro disse ainda que, “com a manutenção desta taxa de inflação e mantendo-se o custo do barril de petróleo na casa dos 100 dólares, o Estado só em aumento anual da receita do IVA terá um aumento da receita de cerca de 500 milhões de euros.”

Governo reduz desconto fiscal aproveitando descida dos preços internacionais. Gasóleo baixa 11 cêntimos por litro

A última semana trouxe uma boa notícia para os socialistas, com duas sondagens (publicadas pelo Correio da Manhã e pelo Diário de Notícias) a mostrarem o PS a ultrapassar o PSD nas intenções de voto e Carneiro com um melhor score do que Luís Montenegro, na confiança para a governação do país. O líder tenta não embandeirar em arco, mas não deixa de aproveitar os números.

Aos membros da Comissão Nacional, começou por dizer que “é mais importante estar a subir nas sondagens do que estar a descer”, mas avisando que o PS “não pode viver com essa inquietação das sondagens. São indicadores, são retratos do momento”. Mas depois aproveitou para espetar o ferrão: “Há uma coisa que elas estruturalmente já dizem, que os portugueses não confiam no Governo e que o Luís Montenegro está errado quando diz que o país está melhor.”