Este artigo é da responsabilidade da Smart Waste Portugal
A Smart Waste Portugal realizou no dia 22 de abril, Dia Mundial da Terra, a sua conferência anual, no âmbito do projeto TransformEC – Transformação Circular, dedicada ao tema “Economia Circular Competitiva: Conhecer, Inovar e Transformar”, reunindo mais de 150 pessoas representantes de empresas, especialistas, academia e decisores públicos para discutir soluções concretas que acelerem a transição para modelos económicos mais sustentáveis e competitivos.
Ao longo do encontro, ficou claro que a economia circular é hoje um fator determinante de competitividade, deixando de ser apenas uma prioridade ambiental para assumir um papel estratégico na redução de custos, na inovação e na criação de novas oportunidades de negócio. Segundo Aires Pereira, Presidente da Smart Waste Portugal, “a economia circular é um eixo estratégico para o futuro da economia portuguesa”.
A competitividade das empresas portuguesas dependerá, cada vez mais, da sua capacidade de inovar e de otimizar a utilização dos recursos de forma inteligente e eficiente. O representante da Associação acredita que existem “condições para acelerar esta transição, mas isso exige compromisso, colaboração e uma visão clara de longo prazo”.
As várias intervenções do dia evidenciaram que as empresas que integram princípios circulares nos seus processos estão mais bem preparadas para responder aos desafios das cadeias de valor globais e às exigências regulatórias europeias. Contudo, o preço continua a ser um fator decisivo nas escolhas das empresas e consumidores, reforçando a necessidade de uma regulação europeia mais equilibrada e de políticas públicas que valorizem critérios de circularidade.
O Secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, marcou presença no evento e reforçou que “a sustentabilidade não é um custo, mas um investimento”, destacando a reindustrialização verde como uma prioridade estratégica para o país.
A conferência destacou igualmente a importância do reforço do conhecimento e da capacitação técnica, sobretudo junto das PME, como condição essencial para acelerar esta transformação. A partilha de boas práticas, ferramentas operacionais e casos concretos demonstrou que já existem soluções viáveis no terreno, sendo necessário promover a sua disseminação e adaptação a diferentes setores de atividade.
O encontro ficou marcado pela apresentação do Roadmap de Competitividade para a Economia Circular, um documento estratégico que define ações para tornar a indústria transformadora mais eficiente na gestão de recursos e mais preparada para os desafios da sustentabilidade. O documento identifica desafios relevantes, como a perceção limitada das PME quanto aos benefícios económicos da circularidade e lacunas nos indicadores e sistemas de medição, tornando a temática mais abstrata. Entre as soluções propostas destacam-se a criação de hubs circulares, gabinetes de apoio à certificação, revisão dos critérios de avaliação bancária e o desenvolvimento de um Plano Nacional de Simbioses Industriais.
A promoção de simbioses industriais e o reforço da colaboração entre empresas, sistema científico e entidades públicas surgem como áreas prioritárias, permitindo transformar resíduos em recursos e potenciar sinergias que aumentam a produtividade e a sustentabilidade do tecido empresarial.
A iniciativa reforça o papel da Smart Waste Portugal enquanto mobilizadora da transição para uma economia circular em Portugal, promovendo a ligação entre conhecimento, inovação e implementação prática no terreno. O projeto TransformEC, financiado pelo programa COMPETE 2030, no âmbito do SIAC Qualificação, materializa este objetivo, tendo como parceiros a Smart Waste Portugal, o CVR – Centro para a Valorização de Resíduos e o CECOLAB – Laboratório Colaborativo para a Economia Circular.