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Setúbal. Criança invisual alegadamente agredida por colegas recusa ir à escola

Seis crianças, com idades entre os 5 e os 7 anos, terão rodeado e agredido a vítima durante vários minutos. Os alegados agressores terão evitado falar para não ser identificados.

Mariana Peixoto lê uma pauta musical em braille, Porto, 19 de fevereiro de 2025. Mariana Peixoto, tem 11 anos, é cega, mas isso não a impede de praticar ‘surf’, andar de bicicleta ou tocar piano. (ACOMPANHA TEXTO DE 22-02-2025) ESTELA SILVA/LUSA
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▲Os pais da criança agredida só terão sido informados do sucedido por terceiros, quando se deslocaram à escola, cerca das 16h00

ESTELA SILVA/LUSA

▲Os pais da criança agredida só terão sido informados do sucedido por terceiros, quando se deslocaram à escola, cerca das 16h00

ESTELA SILVA/LUSA

Uma criança invisual de 6 anos que foi, alegadamente, agredida por colegas na Escola Básica/Jardim de Infância da Azeda, em Setúbal, na passada quinta-feira, está emocionalmente abalada e recusa regressar à escola, denunciou a associação SerEspecial.

Segundo um comunicado da Associação de Apoio a Famílias de Crianças e Jovens com Necessidades Especiais, SerEspecial, as agressões terão começado com um aluno a desferir murros e pontapés nas costas e pernas da vítima, sem motivo aparente.

A associação relata ainda que a criança terá sido rodeada por mais seis colegas, com idades entre os 5 e os 7 anos, que continuaram as agressões durante vários minutos, até que uma auxiliar de ação educativa se apercebeu da situação.

Os pais dos alunos envolvidos terão sido informados em momentos distintos, mas, de acordo com a SerEspecial, os encarregados de educação dos alegados agressores foram contactados pouco depois do incidente e os pais da criança agredida só terão sido informados do sucedido por terceiros, quando se deslocaram à escola, cerca das 16h00.

Numa publicação na rede social Facebook, a associação SerEspecial salienta ainda que fonte próxima da família indicou não ser a primeira vez que a criança sofre agressões físicas naquele estabelecimento de ensino.

A associação refere ainda que os agressores terão evitado falar durante o ataque por a vítima os identificar, sobretudo pela voz.

Apesar de não apresentar ferimentos físicos graves, a criança encontra-se “emocionalmente abalada” e recusa regressar à escola, acrescenta a mesma fonte.

A agência Lusa tentou ouvir a associação SerEspecial, mas a presidente, Joana Ferreira, respondeu por escrito dizendo apenas que “os pais da criança não querem mais declarações sobre o assunto”.

O Agrupamento de Escolas Sebastião da Gama, ao qual pertence a Escola Básica da Azeda, afirmou já ter prestado todos os esclarecimentos ao Ministério da Educação, não prestando mais declarações.

Em resposta escrita à Lusa, a Câmara Municipal de Setúbal afirma que “repudia qualquer tipo de violência” e que está a acompanhar a ocorrência junto da direção do agrupamento, entidade com competência disciplinar, acrescentando que a escola cumpre o rácio legal de assistentes operacionais.

Fonte do Comando Distrital de Setúbal da PSP indicou à Lusa que a polícia não foi notificada, mas salientou a disponibilidade do programa Escola Segura para apoiar ações de sensibilização e prevenção de situações de bullying.

A agência Lusa contactou também o Ministério da Educação, que terá sido informado do sucedido pelo Agrupamento de Escolas de São Sebastião, mas a meio da tarde ainda não tinha sido divulgada qualquer tomada de posição sobre o caso.

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