Era mais um capítulo de uma equipa a tentar reconquistar o que acredita ser seu por direito. Depois de ganhar a Liga dos Campeões em 2019 e 2021, o Sporting perdeu as finais de 2022 e 2023 e nas últimas duas temporadas nem sequer teve a oportunidade de discutir o troféu. Em 2026, na recordista e inédita presença na final four, procurava mostrar que continua a merecer estar na elite europeia.

Em Pesaro, Itália, o Sporting reencontrava o Jimbee Cartagena para quem perdeu o terceiro lugar da Liga dos Campeões na temporada passada. Os leões chegaram à meia-final da competição europeia depois de eliminarem AEK e Benfica nos quartos e nos oitavos de final, sendo que na fase regular somaram três vitórias em três jornadas. Ultrapassar os bicampeões espanhóis, portanto, era o primeiro passo necessário para sonhar com a final de domingo — onde o adversário seria o vencedor da outra meia-final entre os estreantes franceses Étoile Lavalloise e os tricampeões europeus Palma Futsal.

“Vai ser difícil, nos detalhes, como normalmente são os jogos quando se chega a esta fase da competição, em que quatro equipas chegam com todo o mérito. Porque têm qualidade e tiveram capacidade para ultrapassar os adversários que foram tendo pelo caminho. Foram adversários duros, que tanto nós como o Cartagena, como o Palma, como o Lavalloise tivemos que ultrapassar. Agora, para ultrapassarmos mais este obstáculo, tem de ser nos detalhes e o Sporting tem de roçar a perfeição. Se o Sporting não roçar a perfeição não vai conseguir ser capaz de ultrapassar este adversário”, explicou Nuno Dias na antevisão da meia-final desta sexta-feira.

O Sporting começou com Bernardo Paçó, Tomás Paçó, Wesley, Alex Merlim e Diogo Santos e poderia ter inaugurado o marcador logo nos instantes iniciais, criando três grandes oportunidades nos dois primeiros lances da partida, com Wesley e Diogo Santos a ficarem muito perto de marcar (1′). O Cartagena respondeu com um remate cruzado que passou ao lado (1′), mas os leões estavam claramente por cima e foram somando situações de perigo, com Zicky a rematar contra um adversário na área (3′), Bernardo Paçó a atirar para Chemi defender (10′) e o mesmo Zicky a obrigar o guarda-redes a mais uma grande intervenção ao desviar de calcanhar (11′).

Duda, treinador brasileiro do Cartagena, pediu um time out nesta altura — confirmando que os espanhóis estavam a passar por algumas dificuldades. Pouco depois, porém, os portugueses sofreram a consequência de todo o desperdício: numa das poucas vezes em que o adversário se aproximou da baliza de Bernardo Paçó, o antigo leão Waltinho apareceu no sítio certo para finalizar e abriu o marcador (12′). Os leões chegaram à quinta falta, tiveram de reduzir a intensidade e acabaram por voltar a ser traídos pela eficácia dos espanhóis, com Francisco Cortés a aumentar a vantagem (18′).

Nuno Dias pediu time out nesta fase, pedindo calma, recordando as cinco faltas e lembrando que não era permitido sofrer o terceiro golo, e a equipa conseguiu gerir os ânimos até ao fim da primeira parte — ainda que sem reduzir a desvantagem, com Chemi a prolongar uma exibição gigante com várias defesas que iam frustrando os jogadores leoninos. Ao intervalo, apesar de ter feito mais de 20 remates à baliza do Cartagena, o Sporting estava a perder na meia-final da Liga dos Campeões.

A segunda parte começou tal como a primeira tinha terminado, com Chemi a evitar o golo de Bernardo Paçó praticamente em cima da linha (21′), mas a verdade é que o Sporting conseguiu mesmo reduzir a desvantagem logo nos instantes iniciais, com Zicky a marcar depois de uma boa assistência de Diogo Santos (22′). Chemi ficou lesionado na sequência do lance e teve mesmo de ser retirado de maca, com um problema aparentemente grave no joelho, e foi substituído por Chispi para já não voltar.

Os leões cresceram, mantiveram o ascendente que tiveram até ao intervalo e chegaram mesmo ao empate através de um grande remate de longe de Felipe Valério (25′). O Cartagena só conseguia reagir através da transição rápida, parecendo algo conformada com a ideia de que a equipa de Nuno Dias estava a jogar mais e melhor, e Zicky (25′), Bernardo Paçó (28′) e Bruno Pinto (29′) iam acumulando oportunidades, sendo que este último acertou mesmo no poste.

Ambas as equipas chegaram à quinta falta nos últimos instantes, Chispi parou mais um remate de Tomás Paçó (39′), mas já nada mudou até ao fim dos 20 minutos regulamentares e a meia-final seguiu mesmo para prolongamento. Aí, com o cinco para quatro a ser implementado dos dois lados, os leões adiantaram-se no marcador pela primeira vez por intermédio de Tomás Paçó (43′), mas os espanhóis pouco ou nada demoraram a recuperar a igualdade através de Gonzalo Castejón (44′). Sem que nada se alterasse mesmo depois dos dez minutos extra, tudo foi transportado para as grandes penalidades.

Aí, as duas equipas marcaram os cinco penáltis iniciais e acabou por ser uma defesa de Gonçalo Portugal ao remate de Muhammad Osamanmusa a decidir, com Felipe Valério a concretizar para os leões. O Sporting venceu o Jimbee Cartagena nas grandes penalidades e está de volta à final da Liga dos Campeões três anos depois, ficando à espera de Étoile Lavalloise ou Palma Futsal no domingo (17h) e igualando desde já o recorde de oito finais europeias do Inter Movistar.