A líder da oposição venezuelana e Prémio Nobel da Paz María Corina Machado exigiu na sexta-feira a libertação de todos os presos políticos no país “antes que morram mais”, apelando à pressão internacional sobre Caracas nesse sentido.

Num vídeo publicado na rede social X, a opositora apelou aos “governos democráticos, aos funcionários públicos, às organizações internacionais e a todas as pessoas com consciência para que exijam a libertação imediata de todos os presos políticos na Venezuela e o desmantelamento dos centros de tortura do regime, antes que mais um venezuelano inocente morra sob custódia do Estado”.

A publicação foi também uma referência à morte do opositor Víctor Hugo Quero Navas no ano passado, reconhecida esta semana pelo Governo, após meses de buscas por parte da mãe, Carmen Navas. “Para Víctor Hugo e para Carmen já é demasiado tarde”, afirmou.

Machado exigiu justiça para ambos e sublinhou que ainda há centenas de presos políticos nas prisões venezuelanas, cujas famílias não sabem se “estão vivos, a ser torturados, a morrer ou (se estão) já mortos”.

O corpo de Víctor Quero foi exumado esta sexta-feira pelas autoridades venezuelanas, depois de o Governo ter reconhecido na quinta-feira a sua morte, ocorrida há dez meses, e de o Ministério Público ter ordenado uma investigação.

“A exumação está a decorrer. Segundo sei, a mãe, Carmen Navas, está presente e há alguém a acompanhá-la neste momento”, disse à agência EFE a coordenadora-geral da organização não-governamental Justiça, Encontro e Perdão (JEP), Martha Tinedo.

O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) condenou o facto de Carmen Navas, com mais de 80 anos, ter tido de “reconhecer o filho em circunstâncias que abalam o país e voltam a evidenciar a crueldade de um sistema capaz de fazer desaparecer uma pessoa, ocultar informações à família e apagar durante meses a verdade sobre a sua morte”.

Através de um comunicado, o ministério indicou que Victor Quero se encontrava detido na prisão El Rodeo I, perto de Caracas, desde 3 de janeiro de 2025, e foi transferido para um hospital no dia 15 de julho do mesmo ano, após apresentar “hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda”.

De acordo com o texto oficial, faleceu quase dez dias depois devido a “insuficiência respiratória aguda secundária a tromboembolismo pulmonar”.

O ministério assegurou que, durante o período de detenção, Victor Quero “não forneceu dados sobre laços familiares e nenhum familiar se apresentou para solicitar uma visita formal”.

Após vários apelos de ONG, ativistas e partidos políticos para que fosse aberta uma investigação independente, questionando os argumentos do Ministério da Justiça, o Ministério Público informou sobre o início das investigações e ordenou a exumação.