A líder da oposição venezuelana e Prémio Nobel da Paz María Corina Machado exigiu na sexta-feira a libertação de todos os presos políticos no país “antes que morram mais”, apelando à pressão internacional sobre Caracas nesse sentido.
Num vídeo publicado na rede social X, a opositora apelou aos “governos democráticos, aos funcionários públicos, às organizações internacionais e a todas as pessoas com consciência para que exijam a libertação imediata de todos os presos políticos na Venezuela e o desmantelamento dos centros de tortura do regime, antes que mais um venezuelano inocente morra sob custódia do Estado”.
A publicação foi também uma referência à morte do opositor Víctor Hugo Quero Navas no ano passado, reconhecida esta semana pelo Governo, após meses de buscas por parte da mãe, Carmen Navas. “Para Víctor Hugo e para Carmen já é demasiado tarde”, afirmou.
The Venezuelan regime inflicts unspeakable horror on millions of families.
This is the tragic story of Carmen and Víctor Hugo Quero. They must get justice.
Free ALL political prisoners now before any more die. pic.twitter.com/zv7RwYYsL8
— María Corina Machado (@MariaCorinaYA) May 8, 2026
Machado exigiu justiça para ambos e sublinhou que ainda há centenas de presos políticos nas prisões venezuelanas, cujas famílias não sabem se “estão vivos, a ser torturados, a morrer ou (se estão) já mortos”.
O corpo de Víctor Quero foi exumado esta sexta-feira pelas autoridades venezuelanas, depois de o Governo ter reconhecido na quinta-feira a sua morte, ocorrida há dez meses, e de o Ministério Público ter ordenado uma investigação.
“A exumação está a decorrer. Segundo sei, a mãe, Carmen Navas, está presente e há alguém a acompanhá-la neste momento”, disse à agência EFE a coordenadora-geral da organização não-governamental Justiça, Encontro e Perdão (JEP), Martha Tinedo.
O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) condenou o facto de Carmen Navas, com mais de 80 anos, ter tido de “reconhecer o filho em circunstâncias que abalam o país e voltam a evidenciar a crueldade de um sistema capaz de fazer desaparecer uma pessoa, ocultar informações à família e apagar durante meses a verdade sobre a sua morte”.
Através de um comunicado, o ministério indicou que Victor Quero se encontrava detido na prisão El Rodeo I, perto de Caracas, desde 3 de janeiro de 2025, e foi transferido para um hospital no dia 15 de julho do mesmo ano, após apresentar “hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda”.
De acordo com o texto oficial, faleceu quase dez dias depois devido a “insuficiência respiratória aguda secundária a tromboembolismo pulmonar”.
O ministério assegurou que, durante o período de detenção, Victor Quero “não forneceu dados sobre laços familiares e nenhum familiar se apresentou para solicitar uma visita formal”.
Após vários apelos de ONG, ativistas e partidos políticos para que fosse aberta uma investigação independente, questionando os argumentos do Ministério da Justiça, o Ministério Público informou sobre o início das investigações e ordenou a exumação.