Era o dérbi do título. Era o jogo que marcava o regresso à normalidade depois da confusão. No que concerne ao Barcelona, os catalães chegaram ao El Clásico em situação bastante confortável, já que estavam a apenas um ponto de conquistarem o bicampeonato. Os blaugranas chegaram à jornada deste fim de semana com 11 pontos de vantagem para o Real Madrid, que precisava de um autêntico milagre para conseguir terminar a temporada com um troféu conquistado, num ano em que o Barcelona foi, praticamente de forma indiscutível, a melhor equipa da temporada em Espanha. Ao longo do ano, a equipa de Hansi Flick mostrou-se estável, tendo vencido 29 dos 34 jogos disputados até ao clássico deste domingo e todos os dez jogos anteriores de LaLiga.
O mesmo não se pode dizer do Real Madrid que, para lá de ter desiludido em todas as condições, vai terminar esta época na mó de baixo e com muitos problemas por resolver. Nos últimos saltou à tona as polémicas férias de Kylian Mbappé, uma alegada chapada de Antonio Rüdiger a Álvaro Carreras e uma discussão entre Fede Valverde e Aurélien Tchouaméni que terá terminado num confronto físico entre os dois colegas de equipa, com o uruguaio a precisar de recorrer a assistência hospitalar por conta de um traumatismo cranioencefálico. Num curto comunicado, que foi emitido horas depois do sucedido, o clube acabou por confirmar o sucedido, mas esvaziou a polémica. Segundo as informações mais recentes da imprensa espanhola, Álvaro Arbeloa está longe de conseguir encontrar estabilidade, já que o balneário continua dividido, havendo até seis jogadores que nem sequer falam com o treinador. Nesse sentido, Florentino Pérez deverá voltar a operar mudanças no comando técnico e José Mourinho é um dos alvos.
“O que temos de fazer é jogar e concentrar-nos no nosso futebol. Fizemos uma época fantástica e quero ver o mesmo nível e estilo amanhã [domingo]. Sei que a tensão é elevada. O El Clásico é o melhor que o futebol espanhol tem para oferecer. Queremos jogar como uma equipa, como um só. Não me concentro noutras coisas. O nosso objetivo é vencer em casa. Temos uma equipa fantástica e os adeptos apoiam-nos. Para o Real Madrid também é um clássico e todos vão dar o seu melhor. Eles querem vencer. O El Clásico é importante para todos. Estou concentrado neste jogo, não é um encontro normal. É especial, para todos. Mas não sei se é o mais importante, embora o seja para o clube, para os adeptos, para os jogadores, para os treinadores… queremos conquistar o título, o segundo consecutivo. Não é comum ganhar dois campeonatos seguidos. Sabemos bem como jogar”, perspetivou Flick.
“Estou muito orgulhoso da firmeza, rapidez e transparência com que o clube agiu. Os jogadores reconheceram o seu erro e expressaram o seu arrependimento e o pedido de desculpa. Para mim, isso é suficiente. O que não vou fazer é expô-los publicamente, porque não merecem isso, pelo que me demonstraram nestes quatro meses e ao longo destes anos. Demonstraram saber o que é ser um jogador do Real Madrid e não vou esquecer isso. É um balneário à altura do Real Madrid. Não é fácil lidar com duas temporadas sem títulos e com tudo o que aconteceu. Para ser jogador do Real Madrid há muito em jogo e é preciso estar à altura deste emblema, o que não é fácil de aceitar. É certo que temos de fazer melhor, mas vejo um balneário saudável e preparado para voltar a vencer. Tenho a certeza de que, no próximo ano, todos nós, com mais experiência, vamos melhorar”, explicou Arbeloa, que garantiu que Tchouaméni ia estar em Camp Nou.
Todo preparado en Barcelona para vivir un partido ÚNICO.
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Nas horas que antecederam o El Clásico saltou à tona outra importante notícia, que iria ter impacto no desenrolar do jogo: Kylian Mbappé continua a recuperar da lesão no músculo semitendíneo da perna esquerda e estava fora do reencontro com o Barcelona, equipa à qual apontou um hat-trick na temporada passada, em Montjuïc. O francês, que tem ainda uma média de um golo a cada 67 minutos frente aos culés, não completou a sessão de trabalho de sábado e chumbou no teste físico realizado na manhã deste domingo. Por outro lado, Arbeloa sofreu novo constrangimento no período de aquecimento, com Dean Huijsen, que ia ser titular, a ressentir da febre que o tem afetado nos últimos dias. Nesse sentido, Raúl Asencio saltou para o onze, onde esteve Tchouaméni e não esteve Valverde, que continua a recuperar da lesão na cabeça. No ataque, Gonzalo García foi o escolhido para substituir o francês. Já Flick optou por colocar Eric García no lado direito da defesa, com João Cancelo na esquerda e Ferran Torres no centro do ataque.
Antes do apito inicial em Camp Nou, que contou com um recorde de receita de jogo de 16 milhões de euros e Olivia Rodrigo, a “cara” da formação da casa para este jogo, o estádio homenageou Hansi Flick, que perdeu o pai na madrugada deste domingo. O Barcelona entrou bem no duelo e colocou-se em vantagem logo aos nove minutos, com Marcus Rashford a marcar um golaço de livre, colocando a bola no ângulo superior mais distante (9′). Pouco depois, Fermín López encontrou Dani Olmo na área, o 20 tocou atrasado, de calcanhar, para Ferran que, com um remate forte, dobrou a vantagem (18′). A fechar a primeira parte, o ponta de lança viu a desmarcação de Rashford e colocou-lhe a bola, mas o remate do inglês foi travado por uma grande defesa de Thibaut Courtois com a ponta dos dedos (38′).
Rashford viu que a Olivia Rodrigo estava na bancada e marcou este banger ????
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Na etapa complementar o cenário não se inverteu e, logo no início, João Cancelo isolou Ferran Torres com um grande passe de trivela, mas o internacional espanhol esbarrou em mais uma grande saída de Thibaut Courtois (56′). Na resposta, o Real Madrid reduziu num lance de bola parada, em que Jude Bellingham faturou, mas depois de sair de posição irregular (63′). Já com Raphinha e Frenkie de Jong nos lugares de Marcus Rashford e Dani Olmo, Vinicius Júnior apareceu na cara de Joan García, fez-lhe um chapéu, mas o guarda-redes parou o remate com a mão esquerda (65′). Na fase final, Thiago Pitarch (saiu Eduardo Camavinga), Robert Lewandowski (Ferran), Marc Bernal (Gavi), Franco Mastantuono (Brahim Díaz) e César Palacios (Gonzalo) também foram lançados, numa altura em que os festejos já ganhavam forma e os jogadores blaugranas tentavam a todo o custo juntar o seu nome à lista de golos do jogo do título. Ainda houve tempo para Alejandro Balde substituir Fermín, naquela que viria a ser a última incidência de um El Clásico sem história (2-0).
Feitas as contas, o Barcelona voltou a vencer o Real Madrid e aumentou para 14 os pontos sobre o rival, sagrando-se campeão de Espanha pela 29.ª vez, a segunda de forma consecutiva, algo que não acontecia de 2019, também com os culés. Os catalães levam agora 30 vitórias em 35 jornadas e vão terminar a temporada com dois troféus, com LaLiga a juntar-se à Supertaça. Em termos individuais, o destaque vai para João Cancelo que, a partir deste domingo, é o primeiro jogador de sempre a vencer quatro das cinco principais ligas da Europa. O internacional português fê-lo com Juventus (2018/19), Manchester City (entre 2021 e 2023), Bayern Munique (2022/23) e, agora, Barcelona. “Sobra” a Ligue 1, que nunca disputou.