A provedora do telespectador da RTP, Clara Almeida Santos, defendeu esta segunda-feira a proibição do uso de telemóveis por jovens até aos 16 anos, classificando-os como “um veneno”, apelando a um “pacto de sociedade” para regular a utilização.
“A primeira coisa é tirar os telemóveis aos miúdos, e só conseguimos fazer isto coletivamente, até aos 16 anos não há outra maneira”, afirmou a responsável, durante um debate do International Club of Portugal que decorreu esta segunda-feira em Lisboa.
Clara Almeida Santos considerou que os telemóveis representam “uma toxicidade inimaginável” para os mais novos, defendendo que estes equipamentos não devem ser utilizados “enquanto as pessoas estão com o cérebro esponjoso, a aprender e a crescer”.
A provedora estabeleceu um paralelo com a publicidade ao tabaco em décadas passadas, recordando que os cigarros chegaram a ser apresentados como benéficos para a saúde, nomeadamente no tratamento da asma.
“Acredito, quero acreditar, que há um momento, que espero que seja breve, em que se vai perceber que isto é tóxico, isto faz mal”, declarou.
Em defesa da sua posição, a responsável citou conteúdos que circulam em redes sociais como o TikTok, incluindo vídeos consumidos por menores que abordam de forma perigosa temas como distúrbios alimentares e comportamentos lesivos.
“Só com adultos que saibam o que vão fazer é que podem consumir este veneno”, acrescentou, defendendo que mesmo entre adultos se justificam medidas para a utilização.
Clara Almeida Santos, que assumiu funções como provedora do telespectador da RTP há cerca de dois meses, recebeu já mais de três mil queixas neste período.