O Festival Eurovisão da Canção foi criado em 1956, com o objetivo de unir um continente europeu devastado pela II Guerra Mundial. Passados 70 anos, o festival estendeu-se no tempo, mas também no espaço, para acolher países de África, Ásia e até a Austrália. Agora, a Eurovisão pode estar mais perto de tocar também o continente americano, ao receber na competição o Canadá.

A porta foi deixada aberta pelo diretor da Eurovisão, Martin Green, numa entrevista à BBC. “Vamos receber através daquelas portas quem quiser partilhar os valores desta ocasião maravilhosa e estar em palco com os nossos amigos”, declarou esta sexta-feira, na véspera da final da 70.ª edição do concurso, marcada por protestos políticos contra a participação de Israel. Contudo, Green salientou que não tem nada concreto “em cima da secretária”.

A possibilidade partiu de Otava, mais precisamente do próprio primeiro-ministro, Mark Carney, que reservou no orçamento federal canadiano para 2026, uma fatia para “explorar a participação do Canadá na Eurovisão”, como foi noticiado em novembro do ano passado. O plano faz parte de uma estratégia mais alargada de aproximação à Europa, em detrimento dos Estados Unidos. “Sabemos que Mark Carney quer abraçar a Europa”, reconheceu Green.

“É uma plataforma para o Canadá brilhar”. Governo canadiano quer participar no Festival da Eurovisão

Em linha com este objetivo, a CBC/Radio-Canada, a emissora pública do Canadá, enviou para o certame a decorrer esta semana em Viena, Áustria, três funcionários como “observadores”. “Estamos a falar com a UER [União Europeia de Radiodifusão] sobre como colaborar de forma mais próxima e trocar mais conteúdo”, detalhou Leon Mar, diretor de relações públicas da CBC, citado pelo canal.

Mar afirmou, tal como Green, que ainda não há planos concretos para a presença canadiana no certame, salientando que a participação na Eurovisão é reservada a membros efetivos da UER, tal como referido nos estatutos do concurso — a CBC/Radio-Canada é, desde 1950, um membro associado da união. A participação de um membro associado é, segundo os estatutos, uma possibilidade que deve ser avaliada “caso a caso”. Porém, não seria um acontecimento inédito. A Austrália, membro associado da UER, participa desde 2015 na Eurovisão, abrindo o precedente para uma possível participação canadiana.

De notar que, apesar do nome, a UER não é uma organização exclusivamente europeia e inclui membros de outros continentes: é o caso de Israel, Azerbaijão ou Arménia (que participam no certame regularmente), mas também da Turquia, Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbano.

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