Mais de dez meses depois do início, chegou ao fim a temporada do FC Porto, uma das mais bem sucedidas dos últimos anos. Foi há 309 dias que Francesco Farioli orientou o seu primeiro treino ao serviço dos azuis e brancos, precisamente no dia que marcou o arranque dos trabalhos na nova época. O tempo de preparação foi diminuído por conta da participação no novo Campeonato do Mundo de Clubes, com os dragões a partirem para a nova época com “apenas” cinco jogos particulares realizados, três deles à porta fechada. Apesar das dificuldades na preparação, os portistas engrenaram para uma temporada de sucesso com nove vitórias consecutivas, antes de empatar na receção ao Benfica. A primeira derrota apareceu em Nottingham, o segundo empate em Utrecht e a eliminação precoce na Taça da Liga acabou por surpreender. Ainda assim, o FC Porto dominou a época no panorama interno, liderando o Campeonato Nacional do início ao fim. Os dissabores apareceram nas restantes competições, com a eliminação nas meias-finais da Taça de Portugal e nos quartos da Liga Europa.
O regresso ao Estádio do Dragão esteve envolto em grande simbolismo, já que este era o último jogo da temporada e aquele que ia coroar os dragões como os novos campeões nacionais, com o troféu a ser entregue depois da partida e antes da noite de festa na Câmara Municipal do Porto, nos Aliados e um pouco por toda a cidade do Porto e arredores. No plano desportivo, os portistas vinham de uma surpreendente derrota em casa do AVS (3-1), num jogo em que a rotação desenvolvida por Farioli acabou por não surtir efeito. Esse desafio acabou por inviabilizar os azuis e brancos de alcançarem o recorde de pontos numa edição do Campeonato, pelo que a receção ao Santa Clara não tinha nada em jogo. Ainda assim, importava perceber quem é que seria utilizado pelo italiano, podendo sagrar-se oficialmente campeão, com o guarda-redes João Costa à cabeça. A hora do jogo (15h30), cada vez mais incomum no futebol atual, era convidativa a mais uma grande enchente nas imediações de um Dragão que estava lotado já há vários dias.
“Vai ser um dia especial depois das 17h30, mas a prioridade é que também o seja depois das 15h30. O nosso foco esta semana esteve no jogo, até depois da desilusão da última partida. A exibição foi suficiente para ganhar, mas não foi muito boa. Temos que ter atenção a todos os detalhes para ter um dia em grande, do início ao fim. A prioridade é acabar a época com um grande jogo. Quem joga e quem vai entrar é algo interno. Gosto do nível da competição e dos adversários. Mesmo com 85 pontos e, esperamos nós, com 88, senti que foi preciso preparar todos os jogos com muita atenção, trabalho e dedicação. Defrontámos boas equipas, com jogadores interessantes, que nos levam a ponderar se algum tem lugar no nosso plantel. Defrontámos treinadores muito competitivos. O nível é alto. Em relação a melhorias, era bom termos justiça na competição. Precisamos de ter o sentimento de que vamos ter uma recompensa natural se dermos tudo. Durante esta temporada sentimos que tivemos muitas batalhas. Passámos por momentos muito complicados, ‘murros’ no estômago e a sensação de que teríamos de duplicar os nossos esforços”, lamentou Farioli na antevisão ao último jogo da época.
Ficha de jogo
↓ Mostrar
↑ Esconder
FC Porto-Santa Clara, 1-0
34.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: João Gonçalves (AF Porto)
FC Porto: Diogo Costa (João Costa, 71’); Alberto Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Francisco Moura (Nehuen Pérez, 81’); Alan Varela, Victor Froholdt (Bernardo Lima, 81’), Rodrigo Mora; William Gomes, Borja Sainz (Oskar Pietuszewski, 56’) e Deniz Gül (Gabri Veiga, 56’)
Suplentes não utilizados: Pepê, Pablo Rosario, Terem Moffi e Seko Fofana
Treinador: Francesco Farioli
Santa Clara: João Afonso; Diogo Calila, Pedro Pacheco, Sidney Lima, Paulo Victor (Lucas Soares, 86’); Djé Tavares (Andrey Santos, 9’), Serginho; Welinton Torrão (Vinícius Lopes, 62’), Gustavo Klismahn (Isaac Valença, 86’), Gabriel Silva; Luis Fernando (Elias Manoel, 62’)
Suplentes não utilizados: Gabriel Batista; Frederico Venâncio, Darlan Mendes e Henrique Silva
Treinador: Petit
Golos: Sidney (a.g., 69’)
Ação disciplinar: nada a registar
O Santa Clara chegou à Invicta naturalmente com a sua época feita, depois de meses em que se temeu a descida de divisão e de Petit ter chegado para inverter esse cenário. À partida para a última jornada, os bravos açorianos militavam no 12.º lugar, embora ainda tivesse a possibilidade de terminar no décimo lugar, bem mais próximo do meio da tabela. “O nosso pensamento é sempre a vitória, mesmo sabendo que vamos defrontar o campeão. Não queremos ir para a festa, mas sim jogar o jogo pelo jogo, sabendo que vai ser um jogo difícil. Queremos acabar bem a época. O Santa Clara vai ao Dragão com o intuito de fazer um bom resultado. A motivação está sempre presente. Esperamos um FC Porto à imagem do que foi durante toda a época, com intensidade e processos bem definidos, independentemente de jogar A,B ou C. Temos de estar preparados. Foram três meses desgastantes. Foi um desafio difícil, mas alcançámos os objetivos. Somámos cinco vitórias e quatro empates em treze jogos”, enalteceu o antigo internacional português, que parabenizou ainda os dragões pelo título.
Matchday ????
???? Sport TV#FCPCDSC pic.twitter.com/1i0Ad47kML
— FC Porto (@FCPorto) May 16, 2026
Para a derradeira partida da temporada, Francesco Farioli voltou a contar com Nehuen Pérez no banco, com o central a regressar às opções do treinador oito meses depois de ter sofrido uma rotura total do tendão de Aquiles da perna direita. A par do argentino, João Costa também se sentou no banco, juntamente com Bernardo Lima, que se sagrou campeão do mundo de Sub-17 no final do ano passado. Em relação à derrota frente ao AVS, o italiano apresentou cinco alterações no seu onze: Diogo Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Victor Froholdt e William Gomes voltaram, com Seko Fofana e Pepê a saírem para o banco, e Cláudio Ramos e Thiago Silva, por opção, e Dominik Prpic, por castigo, a ficarem na bancada. No Santa Clara, Petit contou com apenas duas novidades em relação ao triunfo diante do Nacional: Serginho e Luis Fernando entraram para os lugares que foram de Andrey Santos e Gonçalo Paciência.
Com a época resolvida, a primeira parte acabou por ser entediante, com mais momentos de destaque fora do relvado, a começar pela guarda de honra feita pelos jogadores do Santa Clara aos campeões nacionais, que já utilizaram o equipamento principal da próxima época. Ao minuto dois, como não podia deixar de ser, os Super Dragões voltaram a homenagear Jorge Costa, exibindo uma enorme tarja com a figura do antigo capitão a segurar o troféu ao lado de Jorge Nuno Pinto da Costa. “O rei e o capitão entregam a taça ao campeão”, acrescentaram no desenho. Quanto ao jogo propriamente dito, a lesão de Djé Tavares logo a abrir obrigou Petit a mexer antes dos dez minutos, para colocar Andrey Santos, que já estava em canto quando Rodrigo Mora obrigou João Afonso a aplicar-se para impedir o seu golo (17′). Na resposta, Gustavo Klismahn ganhou espaço fora da área e desferiu um remate forte que saiu a rasar a barra (19′). Essas acabaram por ser as únicas oportunidades de uma primeira parte em que as equipas não tiveram medo de atacar, mas pouco criaram (0-0).
⚽️ INTERVALO ????
???? Porto 0 – 0 Santa Clara ????◉ Ainda não há golos na última jornada, com mais "Porto campeão" no Dragão, mas ainda sem golos, mérito sobretudo do jovem guardião JOÃO AFONSO ???????? (19 anos, MVP da 1ª parte com 6.29) que soma já 1 golo evitado em 4 defesas, ao… pic.twitter.com/97w6Twy9Ud
— GoalPoint (@_Goalpoint) May 16, 2026
Sem novidades para a etapa complementar, o Santa Clara voltou a entrar bem e quase marcou logo na primeira ocasião que teve, com Diogo Calila a aproveitar uma bola à entrada da área para desferir um remate cruzado, rasteiro, que saiu a rasar o poste direito da baliza de Diogo Costa (51′). Francesco Farioli respondeu e abdicou do ponta de lança, lançando Oskar Pietuszewski e Gabri Veiga nos lugares de Borja Sainz e Deniz Gül, com Rodrigo Mora a passar para o centro do ataque. Nessa condição, o menino do Dragão até ficou perto do golo logo a seguir, mas o seu cabeceamento saiu ligeiramente por cima (59′). Já com Vinícius Lopes e Elias Manoel nos lugares de Welinton Torrão e Luis Fernando, William Gomes e Victor Froholdt trabalharam bem na direita e, já dentro da área, o dinamarquês cruzou forte para o segundo poste, onde Pietuszewski aparecia para desviar, mas Sidney Lima acabou por desviar para o interior da sua baliza quando tentava cortar.
Logo a seguir ao golo, Farioli aproveitou a paragem para estrear João Costa na baliza, fazendo o mesmo com Bernardo Lima, que entrou juntamente com Nehuen Pérez, saindo Francisco Moura, lesionado, e Froholdt. Por outro lado, Petit aproveitou por colocar Lucas Soares e Isaac Valença, por troca com Gustavo Klismahn e Paulo Victor, numa reta final em que a sua equipa não se rendeu e continuou a lutar pelo resultado, mas a reação portista prosseguiu com um remate colocado de Pietuszewski para defesa de João Afonso (87′). No canto, Mora apareceu ao segundo poste a desviar para o coração da área, onde Nehuen surgiu a rematar de primeira para fora (88′). A tendência do desafio prosseguiu até ao fim, com o FC Porto a garantir a vitória antes da festa pelas ruas da Invicta (1-0).