Faltavam três dias para a loja da Swatch em Times Square, Nova Iorque, colocar à venda a nova coleção de relógios de bolso, que resulta de uma parceria com outra relojoeira suíça, a Audemars Piguet. Mas a fila já se formava desde domingo, dia 10 de maio. Na quarta-feira, Delorenzo, de 26 anos, ocupava o 13.º terceiro lugar na fila, sentado numa cadeira que trouxera da sua cozinha, relatou à GQ.
Este sábado, quando as portas da loja finalmente se abriram, deflagrou o caos. “Parecia um mosh pit“, descreveu ao The Guardian John McIntosh, que estava na mesma fila desde quarta-feira. Na cidade de Nova Iorque, a corrida envolveu centenas de pessoas e obrigou a polícia nova-iorquina a entrar em cena e fazer pelo menos uma detenção, segundo anunciou em comunicado.
Contudo, o caos repetiu-se um pouco por todo o mundo. As filas estenderam-se à porta das lojas da Swatch de Nova Iorque ao Dubai, passando por várias capitais europeias, incluindo Lisboa. Nos arredores de Paris, descreve o jornal britânico, a polícia recorreu a gás lacrimogéneo para afastar uma multidão de pelos menos 300 pessoas que tentava entrar numa loja e que acabou por danificar várias das grades de segurança.
The launch of limited edition Swatch watches descended into chaos Saturday in several European cities and New York, with French police firing tear gas to restore order at one store near Paris https://t.co/ELpjJEVSyg pic.twitter.com/eryQJG46i0
— AFP News Agency (@AFP) May 16, 2026
Face às filas que se formaram durante uma semana, alguns centros comerciais — como o Dubai Mall e o Mall of the Emirates, no Dubai, ou o Westfield Mall, nos Países Baixos — decidiram mesmo cancelar os eventos de lançamento. Em algumas cidades, a polícia obrigou as lojas a fechar portas antes de todo o stock ter sido vendido, enquanto noutras os relógios esgotaram rapidamente.
Ao final da tarde do primeiro dia de vendas, a Swatch recorreu às redes sociais para anunciar que, em algumas localizações, seriam proibidas filas com mais de 50 pessoas e noutras as vendas seriam canceladas, sublinhando que “a coleção vai manter-se disponível durante vários meses”.
“Para garantir a segurança dos nossos clientes e dos nossos funcionários nas lojas Swatch, pedimos que não acorram às lojas em grandes números para adquirir este produto”, pode ler-se na mensagem publicada nas redes sociais.
— Swatch (@Swatch) May 16, 2026
A febre é explicada pelos compradores com o preço mais acessível: um relógio Audemars Piguet pode custar pelo menos dois mil euros, mas na parceria com a Swatch, é possível obter um relógio com a assinatura desta marca de luxo por valores entre os 385 e os 400 euros. A coleção “Royal Pop” resulta de uma mistura entre o modelo clássico Royal Oak da AP e a linha POP da Swatch, muito popular na década de 1980 pelas cores garridas.
Ainda assim, muitos dos relógios acabaram por ser vendidos em segunda mão a preços inflacionados, perto dos dois mil euros. John e Delorenzo, os dois homens que esperavam na fila em Times Square, esperavam para entrar com esse mesmo propósito: adquirir os relógios para os revender a, pelo menos, mil dólares. Um outro homem, que conseguiu entrar na mesmo loja mas preferiu não se identificar, descreveu um cenário “alucinante e desagradável“, mas admitiu estar feliz com a compra: comprou um dos modelos de 400 dólares e revendeu-o por quatro mil.