Os jogadores de futebol Daniel Carvajal, David Silva, Santiago Cazorla, César Azpilicueta, Juan Bernat, Giovanni Lo Celso e Thomas Partey foram indiciados por um juiz de Andorra e são suspeitos num caso de contrabando de relógios de luxo, revelou esta quarta-feira o espanhol elDiario. De acordo com o El País, Carajaval e Azpilicueta foram notificados esta tarde.

O juiz Joan Carles Moynat pediu a ajuda das autoridades espanholas para interrogar os sete jogadores e outros suspeitos que são residentes no país: sete pessoas físicas ou jurídicas que venderam relógios para uma empresa em Andorra e uma 15ª suspeita, uma mulher que comprou um relógio da empresa, embora tenha recebido o reembolso dos 79 mil euros pagos apenas três dias depois. Entretanto, o principal suspeito do caso é é Diego G.C., que teve a prisão preventiva decretada em outubro de 2025 em Andorra. O homem, que tem empresas de relógios de luxo em Espanha e em Andorra, é acusado de contrabando e lavagem de dinheiro, crimes puníveis no principado com até oito anos de prisão.

O objetivo de Diego G.C., de acordo com a sentença escrita pelo juiz em novembro e à qual o elDiario teve acesso, era “evadir as suas obrigações aduaneiras”, ou seja, evitar o pagamento do IVA sobre os relógios. Para tal, ao invés de vender os relógios diretamente aos jogadores em Espanha, a empresa espanhola do suspeito importava os relógios para uma empresa em Andorra da qual era sócio, que realizava a venda. Em Espanha a taxa de IVA é de 21%, enquanto no principado o imposto indireto é de 4,5%.

O juiz descreve ainda detalhes do plano, que incluía separar o relógio da fatura. De acordo com a sentença, os relógios eram “fisicamente levados” para a Espanha, mas sem a declaração de exportação obrigatória na alfândega. Depois, numa próxima viagem, o empresário enviava a sua caixa e a documentação, mas sem o produto dentro.

Daniel Carvajal (capitão do Real Madrid), David Silva, Santiago Cazorla, César Azpilicueta, Juan Bernat, que passou pelo Benfica, Giovanni Lo Celso e Thomas Partey terão comprado relógios de luxo, de marcas como as suíças Rolex ou a Patek Philippe, através da empresa de Diego G.C. em Andorra, em alternativa aos produtos vendidos diretamente pelos fabricantes. Partey, jogador no Villarreal, foi quem mais gastou: entre 2020 e 2022, quando vestia a camisola do Arsenal, pagou 415 mil euros por três modelos Patek Philippe. O segundo na lista é Juan Bernat, que terá comprado três Patek Phillipe e um Rolex entre 2023 e 2025, por um total de 367 mil euros. David Silva vem a seguir, tendo dispendido 295 mil euros entre 2020 e 2021 por quatro peças da Patek Philippe. Azpilicueta gastou 115 mil euros em 2022 num relógio Audemars Piguet e num Patek Philippe, enquanto Giovanni Lo Celso também comprou dois relógios em 2020 e 2021, gastando 83 mil euros. Já Carvajal terá comprado apenas um Rolex Daytona, por 64.800 euros, em 2021. Para ter este modelo a partir de uma relojoaria oficial, o comprador precisa entrar para uma lista de espera que pode durar meses. Apesar de não haver uma fatura emitida em nome de Santi Cazorla nos registos contábeis do principado, o juiz responsável pelo caso confirmou que o jogador fez uma transferência de 58 mil euros para a empresa de relógios.

David Silva já havia sido notificado pela Receita Federal espanhola em 2022 por causa de um relógio que comprou à empresa de Andorra em dezembro de 2020. Pelo modelo da Patek Philippe, pagou 120 mil euros. As autoridades espanholas cobraram posteriormente o pagamento do IVA sobre o produto, num valor de 25.200 euros, com mais de mil euros de juros pelo atraso. Em março de 2022 a empresa de Diego G.C. concordou em pagar pelo IVA sobre a compra do relógio e admitir a responsabilidade por não ter declarado e pago o imposto sobre a importação.