Ainda não são conhecidas as medidas que o Banco de Portugal vai tomar para esfriar a procura por crédito à habitação, alentado pelas garantias públicas aos jovens, mas a banca já se vai pronunciando. E no sentido de concordância com a redução de taxa de esforço exigida, tendo o Expresso noticiado que esta poderá descer entre 5 e 10 pontos percentuais.

Atualmente exige-se que uma pessoa tenha no máximo 50% do rendimento disponível para pagar prestações de créditos. Uma fasquia que poderá baixar, ou seja, pretendendo-se que não haja tanto rendimento utilizado para pagar empréstimos.

Miguel Maya, presidente do BCP, em entrevista ao Jornal de Negócios e Antena 1, concorda com essa medida: “Acho muito bem. Percebo a medida. Vamos ser mais cautelosos para garantir que perante a imprevisibilidade que existe as famílias tenham uma maior reserva e possam ficar com mais”.

A taxa de esforço dos clientes do BCP com créditos à habitação é, em média, de 38%. E o recomendado até é em torno dos 35%. Por isso, descer face aos atuais 50%, “algum impacto terá, mas é uma medida que eu possa dizer que não estou de acordo. À partida percebo a medida e o seu propósito. A maturidade é adequada à vida contributiva e ao rendimento”, declara. Mas não se compromete com uma análise mais fina, por não conhecer ainda a medida.

O Banco de Portugal já tinha indicado pretender apresentar em breve algumas medidas no sentido de “arrefecer” a concessão de crédito à habitação no país, que tem sido dinamizada pela garantia pública aos jovens, conforme tinha sido noticiado pelo Observador, apontando-se então como possibilidade um novo aumento do “choque” de taxas de juro simulado no momento da concessão de crédito.

Banco de Portugal prepara medidas para “arrefecer” crédito à habitação “aquecido” pela garantia pública