Nem sempre tudo correu de feição. Houve erros de palmatória em alguns encontros da temporada, houve também muitos lances em que foi exemplo na defesa, no ataque e para todos. Qualquer que seja a avaliação que possa ser feita, Otamendi simplesmente “foi”. Foi aquele que tentou segurar a equipa nos momentos de maior turbulência, foi aquele que se assumiu como líder quando o grupo precisava, foi aquele que deu a cara naqueles dias em que todos queriam tudo menos aparições públicas. Seis anos depois, o central argentino que acabou por marcar uma era está de saída. Começou aquilo que promete ser uma “revolução”.

“O Sport Lisboa e Benfica informa que o capitão Nicolás Otamendi entende ter chegado ao fim o seu ciclo no Clube, depois de seis épocas em que honrou a nossa camisola e a nossa braçadeira até à última gota de suor.
Otamendi foi sempre exemplo de paixão, dedicação, competência, liderança e profissionalismo, contribuindo de forma decisiva para a conquista de um Campeonato, uma Taça da Liga e duas Supertaças”, destacou este domingo a Benfica SAD em comunicado, confirmando algo que há muito estava apontado.

“Para lá dos troféus, tocou e encheu de orgulho e gratidão o coração dos benfiquistas, pelo que fará para sempre parte da nossa família e esta será sempre a sua casa. O Sport Lisboa e Benfica deseja-lhe todas as felicidades para o futuro. Obrigado, capitão!”, acrescentaram os comunicados no texto de despedida.

“Seis anos… e uma vida cheia de memórias. Hoje é a minha vez de me despedir de um clube que significou muito para mim. Não é fácil fechar uma etapa tão importante, porque no Benfica vivi momentos que me marcaram para sempre. Houve alegrias, desafios, quedas e aprendizagens… e cada uma valeu a pena. Aqui cresci como jogador mas principalmente como pessoa. Partilhei balneário com grandes companheiros, conheci pessoas incríveis e entendi o verdadeiro significado de lutar, cair e levantar outra vez. Vou embora com o coração cheio de gratidão e orgulho por ter feito parte de um clube tão grande. Obrigado por me terem aberto portas, por me acompanharem durante todos estes anos e por me fazerem sentir parte de uma família. Mesmo que hoje seja hora de dizer adeus, estas cores estarão comigo para sempre. Obrigado por tudo, Benfica”, escreveu pouco depois o central nas suas redes sociais, numa última mensagem de despedida.

“Não cumprimos os nossos objetivos e não há desculpas. Sabemos que não estivemos à altura do que este clube merece. Foi uma temporada irregular, longe daquilo que procuramos enquanto grupo. Não há outra hipótese senão assumir a nossa responsabilidade. Dói, mas também nos obriga a fazer uma reflexão, aprender e melhorar. Este clube exige muito e está tudo certo que assim seja. Obrigado aos que sempre estiveram connosco, nos bons e nos maus momentos”, tinha escrito após o último jogo no Estoril.

Formado no Veléz Sarsfield, Otamendi chegou à Europa via FC Porto em 2010, fazendo quatro temporadas no Dragão com três Campeonatos, uma Liga Europa e oito troféus antes de ser vendido ao Valencia com um período de empréstimo ao Atl. Mineiro pelo meio. Em 2015, o central rumou ao Manchester City, ganhando duas Premier entre nove troféus ao longo de cinco temporadas antes de regressar a Portugal para assinar pelo Benfica, realizando um total de 281 encontros onde marcou 18 golos e fez 14 assistências. O próximo destino depois do Mundial deverá ser o River Plate, clube onde o central terminará a carreira.

Regressando ao Benfica, começa assim uma “revolução” que deverá passar por setores como o centro da defesa, tendo em conta que os encarnados tinham apenas três centrais de raiz na equipa A. Otamendi está de saída, António Silva encontra-se numa situação em que renova contrato ou pode sair no próximo mercado e, com isso, sobra apenas Tomás Araújo. Esse será apenas um dos dossiers para as próximas semanas, altura em que se ficará também a saber se José Mourinho fica ou sai dos encarnados.