O espanhol Fernando Alonso, o primeiro piloto da equipa de Fórmula 1 da Aston Martin, atravessa um período particularmente feliz da sua vida, desde que foi, em Março, pai pela primeira vez. Talvez por isso, decidiu oferecer-se a si próprio um novo brinquedo que terá custado cerca de 10 milhões de euros. Nada menos que uma versão muito especial de um Pagani Zonda 760, denominado Diamante Verde.
À primeira vista, é curioso um piloto como Alonso optar por um (quase desconhecido) Pagani, quando trabalha para um construtor que lhe paga anualmente cerca de 20 milhões de euros e que produz dos melhores desportivos do mercado, como é o caso do Valkyrie, equipado com um nobre 6.5 V12 atmosférico e híbrido (está acoplado a um sistema KERS similar ao usado pelos F1), que produz 1176 cv para assegurar 0-100 km/h em 2,5 segundos e 402 km/h de velocidade máxima.
O Pagani Zonda 760 Roadster, pelo seu lado, monta um motor 7.3 V12 atmosférico, com 760 cv, originalmente concebido pela alemã Mercedes-AMG e depois desenvolvido em conjunto com a italiana Pagani. Mas, independentemente deste motor ter um desempenho fantástico, a verdade é que não se aproxima da nobreza dos igualmente atmosféricos 6.5 V12 da Aston Martin ou do 6.5 V12 da Ferrari, o primeiro com 1000 cv (a que é preciso adicionar a potência do sistema KERS) e o segundo com 830 cv, como o que surge montado no 12 Cilindri. Sendo mais luxuoso, tão pouco o Pagani está à altura da eficiência do chassi do Valkyrie e muito menos da sua aerodinâmica, ambos concebidos pelo mago da F1 Adrian Newey, que desenhou os carros da Red Bull que se sagraram campeões.
Fernando Alonso adquiriu um modelo exclusivo, de que efectivamente só foi construído um exemplar, mas a realidade é que o carro não deixa de ser um usado, ainda que muito especial. O Zonda 760 Diamante Verde de Alonso não só foi construído originalmente em 2017, sob encomenda do primeiro proprietário, como a versão Roadster do coupé Zonda 760 Diamante Verde é uma versão “aberta” do modelo da Pagani com o mesmo nome e com carroçaria fechada, que outro cliente encomendou em 2014. A denominação “Diamante Verde” deve-se ao facto de o primeiro proprietário ter solicitado a inclusão de flocos de tinta verde na fibra de carbono que é utilizada no chassi (reforçado com titânio) e na carroçaria.
O espanhol não é o primeiro reputado piloto de F1 a adquirir um Pagani, uma vez que já o sete vezes campeão do mundo de F1 Lewis Hamilton adquiriu um Zonda 760 LH (de Lewis Hamilton) em 2014, que depois vendeu em 2021. Contudo, Hamilton estava então sob contrato da Mercedes e a Pagani monta os V12 da marca alemã, existindo entre ambas uma parceria, tendo a compra de Hamilton acontecido antes da Mercedes iniciar a comercialização do AMG One, cujas entregas apenas se iniciaram em 2023. E o piloto britânico adquiriu não um AMG One, mas sim dois, pois, para além do seu, comprou uma segunda unidade para oferecer ao pai.
Alonso comprou o seu Pagani à Mechatronik, uma empresa germânica especializada no restauro e transformação de veículos Mercedes, ou com mecânica desta marca alemã, como é o caso do Pagani. O preço do Zonda 760 Roadster não foi divulgado, mas de acordo com a imprensa germânica, deverá ter rondado 10 milhões de euros. Talvez a performance do Pagani faça Alonso esquecer o desastroso campeonato do mundo de F1 da Aston Martin. Após quatro das 22 corridas da época de 2026, o team inglês é o último classificado dos 11 inscritos, com Alonso e o seu companheiro de equipa, Lance Stroll, a somarem ambos zero pontos.