Mais conhecido como político ou escritor, o antigo primeiro-ministro britânico Winston Churchill tem a sua faceta de pintor realçada numa exposição na Wallace Collection, em Londres.
Esta é a maior retrospetiva dedicada à sua obra em mais de 60 anos, com mais de meia centena de telas, raramente expostas ao público, em exibição a partir de 23 de maio.
O ‘velho leão’ começou a pintar em 1915, quando foi forçado a renunciar ao seu cargo no governo após a derrota na Batalha de Galípoli.
Foi um período “muito difícil (…) de repente viu-se com muito tempo livre” e “descobriu a pintura como uma forma de aliviar o stress e a ansiedade que esta situação lhe causava”, contou Lucy Davis, uma das curadoras da exposição, à agência France-Presse (AFP).
Numa exposição cronológica, os visitantes descobrem primeiro as primeiras obras de Churchill, criadas sob a tutela do retratista John Lavery, seguindo-se as telas pintadas na sua residência em Chartwell, no sudeste de Inglaterra, durante a década de 1920.
Artista autodidata, embora rodeado de pintores de renome, rapidamente desenvolveu um interesse por paisagens, inspirando-se nas suas estadias no sul de França para compor telas com cores vibrantes, dominadas por azuis e ocres.
“Via a pintura como um pretexto para viajar… Adorava a luz, o calor e a atmosfera, que captava com grande talento”, observou Lucy Davis.
Uma sala é dedicada a pinturas inspiradas nas suas viagens a Marrocos, incluindo “A Torre da Mesquita Koutoubia”, a única obra que criou durante a Segunda Guerra Mundial.
Oferecida ao presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, a obra pertenceu à atriz Angelina Jolie.
A exposição conclui com o período posterior a 1945, quando Churchill, derrotado nas eleições gerais, retomou a pintura, que só largaria após a sua morte em 1965, e viu o seu trabalho ser reconhecido pela Royal Academy. Antes disso, já tinha exposto as suas pinturas diversas vezes sob pseudónimo.
De uma figura destas, seria de esperar uma obra influenciada pelos acontecimentos da sua época. A Coleção Wallace revela precisamente o contrário. “Foi um líder em tempo de guerra (…) mas nas suas pinturas, é possível perceber a sua ‘joie de vivre’, o seu humor, o seu lado traquina”, sublinhou Lucy Davis.
Mas há uma exceção: a pintura “A Praia em Walmer”, criada em 1938, precisamente quando alertava para a guerra iminente. Numa praia do sul de Inglaterra, os banhistas divertem-se, mas, em primeiro plano, um canhão preto apontado para o mar sugere uma ameaça iminente.