A abertura de uma embaixada do Montenegro numa casa de cinco quartos na zona de Pimlico, no centro de Londres, está a provocar um conflito com os moradores da zona. De acordo com o The Telegraph, a polémica, que começou com a colocação de um mastro com a bandeira nacional do país sem autorização prévia, chegou agora aos tribunais, com uma residente a processar o município de Westminster por alegadamente não ter tido em conta o impacto da mudança na sua saúde mental.
Diana Simpson, de 35 anos, vive com os pais na Cambridge Street, mesmo ao lado da nova embaixada e diz que não aguenta o barulho — diz que às vezes até tem a sensação de que alguém entrou em sua casa. A mulher, filha de um antigo diplomata norte-americano, pede uma revisão judicial da decisão da autarquia e uma eventual indemnização, alegando que o município não considerou os efeitos que a presença da representação diplomática do Montenegro poderia ter na sua saúde. Simpson recebe subsídios por incapacidade, depois de ter sido diagnosticada com ansiedade clínica, Covid longa e uma perturbação neurológica funcional.
Num depoimento citado pelo jornal The Guardian, a mulher explica que a situação tem afetado o seu descanso e que, por vezes, sente necessidade de dormir noutra divisão da casa. “Sinto frequentemente necessidade de dormir noutro quarto, que não aquele onde sempre dormi, para conseguir algum alívio, mesmo que limitado. Por vezes, faço-o antecipadamente, outras vezes a meio da noite quando não consigo controlar a minha reação primária de medo”, afirmou. Como exemplo, refere que basta ouvir um ruído para recear imediatamente que alguém tenha entrado no seu quarto através da embaixada, apesar de reconhecer que essa possibilidade é muito reduzida e que a reação é, na maioria das vezes, irracional.
Simpson acusa ainda a autarquia de violar a legislação relativa aos direitos humanos e à igualdade. A residente de Pimlico admite mesmo que poderá deixar de ser possível continuar a viver naquela casa, onde esperava poder estar toda a vida. Uma mudança significaria também afastar-se dos vizinhos, com os quais mantém uma relação próxima.
A Câmara Municipal de Westminster rejeita, por seu turno, as acusações, argumentando que “não existe qualquer interferência plausível com a habitação da requerente ou com a sua vida privada e familiar” e pede que o processo seja decidido sumariamente, sem necessidade de uma audiência. Um porta-voz da autarquia afirmou que os municípios são obrigados por lei a tomar decisões de acordo com as regras de ordenamento em vigor e que, por isso, não seria adequado fazer mais comentários nesta fase.
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
A bandeira “excessivamente vistosa” e a crise habitacional que a cidade enfrenta
Diana não é a única que se queixa da abertura da embaixada no bairro. A bandeira vermelha com uma águia de duas cabeças, símbolo nacional do Montenegro, tornou-se um dos principais motivos de contestação. Numa das reclamações enviadas à autarquia, um residente descreveu o mastro e a bandeira como “uma presença ostensiva e de mau gosto“, considerando que destoavam das fachadas brancas, desenhadas pelo arquiteto Thomas Cubitt, que caracterizam a rua. Outros moradores classificaram a bandeira como “excessivamente vistosa e inestética”, alegando que prejudica a harmonia visual dos edifícios.
A casa transformada em embaixada também levantou preocupações relacionadas com a retirada de uma habitação familiar do mercado, numa altura em que Londres enfrenta uma grave crise habitacional, e com o possível aumento do trânsito na zona. “Transformar uma moradia de uso residencial numa instalação diplomática ou comercial cria um precedente preocupante“, escreveu um dos moradores, considerando “altamente irresponsável” retirar uma casa do mercado numa zona com falta de habitação para famílias.
A autarquia justificou a autorização para a utilização do edifício como embaixada com “benefícios mais amplos para a sociedade”, nomeadamente o contributo para “relações diplomáticas positivas”. Defendeu ainda que, por se tratar de um país de pequenas dimensões, o Montenegro deverá receber um número reduzido de visitantes na representação diplomática.
O caso evidencia um conflito que tem surgido noutras zonas de Londres. A abertura da embaixada do Turquemenistão numa antiga casa familiar em Kensington também provocou queixas semelhantes, com alguns residentes a manifestarem desconforto com a situação.