Sete pessoas morreram em França devido à onda de calor que está a afetar grande parte da Europa ocidental. De acordo com o Governo francês, citado pelo Le Monde, os números e as causas específicas das mortes serão “esclarecidos assim que o episódio que se está a viver chegar ao fim”.

Cinco das setes vítimas foram por afogamento. O executivo de Sébastien Lecornu adiantou, ainda, que os afogamentos, “indiretamente relacionados com o calor“, ocorreram em diferentes regiões do país, desde Lyon, no sudeste, até à costa atlântica. As altas temperaturas de segunda-feira levaram muitas pessoas às praias do país para se refrescarem, embora a vigilância (com nadadores salvadores) só deva começar em julho.

“Cúpula de calor” atinge Europa. Temperaturas podem chegar aos 40ºC, ameaçando os recordes de maio

França — à semelhança de Espanha, Portugal ou Reino Unido — enfrenta uma situação considerada excecional. A agência meteorológica francesa, a Météo-France, alertou para uma “onda de calor precoce, notável e duradoura”, com temperaturas muito acima da média sazonal. Na segunda-feira, os serviços meteorológicos franceses emitiram um alerta amarelo para 18 departamentos, incluindo Paris e grande parte do oeste de França devido à onda de calor em curso.

O Reino Unido acabou também por registar esta segunda-feira a temperatura mais elevada para o mês de maio, atingindo os 33,5ºC perto do aeroporto de Heathrow, em Londres, superando o anterior recorde de 32,8ºC, ocorrido em 1922.

A Península Ibérica está entre as regiões mais afetadas. Em território português, as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) apontam para temperaturas próximas dos 40ºC em algumas regiões do sul e do interior. Várias zonas em Portugal podem chegar a máximas de 39ºC, como Portalegre, Évora e Santarém. E as noites serão tórridas, acima de 25ºC. De acordo com as previsões meteorológicas do IPMA, os dias mais quentes deverão ser, assim, esta quarta e quinta-feira.

Os meteorologistas explicam este episódio com um fenómeno conhecido como “heat dome”, ou “cúpula de calor” em português. Como o Observador explicava em 2021, trata-se de uma situação causada por uma grande pressão atmosférica que empurra o ar quente para baixo, comprimindo-o e tornando-o mais denso.

O efeito é semelhante ao de uma panela tapada ao lume: o calor acumula-se e permanece durante vários dias. Neste caso, a combinação entre forte radiação solar, ausência de nebulosidade e massas de ar muito quentes provenientes do norte de África está a criar temperaturas excecionalmente elevadas para o final de maio.

Segundo os especialistas citados pela imprensa internacional, este “heat dome” é particularmente intenso e anómalo para a época do ano. O anticiclone que domina atualmente a Europa ocidental expandiu-se desde o norte de África até ao centro do continente, criando um bloqueio atmosférico persistente. As imagens de satélite mostram uma vasta área de ar seco e estável sobre a Europa, um sinal da força deste sistema.