A reunião da Assembleia de Freguesia de Vila do Conde desta sexta-feira terminou com cenas de tensão entre os membros eleitos pelo PS, pelo Chega, PSD e CDS. Nas imagens da reunião podem ver-se os momentos finais e os gritos entre os vários presentes no local. Em comunicado, o secretariado local do PS fala em “assalto” à Junta de Freguesia e num “ato antidemocrático”.
Na base dos desentendimentos estarão, segundo o Correio da Manhã, as suspeitas de uso indevido de fundos da autarquia para fins pessoais por parte do antigo autarca socialista, Isaac Braga, que renunciou ao cargo no final de maio.
A reunião desta sexta-feira, extraordinária, teria sido agendada a pedido dos partidos da oposição. Num comunicado divulgado ainda na noite de sexta-feira, o PS local enquadrava o início dos desacatos com a tentativa dos eleitos pelo partido de interromper aquela reunião.
“Os membros do PS no início da reunião, pela via legal e regimental, com serenidade e tranquilidade, apresentaram um requerimento que foi aprovado, para que a reunião fosse terminada porque não foi respeitado o artigo 53º da Lei 75/2013 de 12 de setembro”, refere esse comunicado.
“Até ao final do presente mês de junho”, continua a mesma nota, deverá realizar-se “uma assembleia ordinária e a Junta de Freguesia já manifestou o interesse de expor as diligências desenvolvidas relativamente à não aprovação da conta de gerência de 2025, com vista ao cabal esclarecimento junto da Assembleia de Freguesia e à transparência exigível na gestão pública”.
Isaac Braga é suspeito de ter gasto, em benefício próprio, cerca de 30 mil euros em tabaco, restaurantes, perfumarias, num hotel e até numa massagem. Terá ainda havido levantamentos de dinheiro superiores a 115 mil euros da conta da Junta de Freguesia de Vila do Conde e ainda transferências através da aplicação MB Way da conta da junta para a mulher de Isaac Braga.
Os eleitos da oposição em Vila do Conde ter-se-ão manifestado contra a decisão de interromper a reunião e os ânimos exaltaram-se nesse momento. Na resposta, o PS local acusa a oposição de “não aceitar que a reunião fosse encerrada” e de se terem mantido no local, “numa espécie de assalto à Junta de Freguesia, ameaçando os eleitos do PS e a Mesa da Assembleia”.
Acusa ainda os partidos da oposição de pretender “marcar eleições à força, quando houve eleições há menos de um ano e os Órgãos funcionam normalmente, tendo sido o anterior Presidente da Junta, substituído nos termos da Lei”. “Este comportamento de força insere-se numa campanha de ódio e de fakes news que nos últimos tempos têm sido lançadas nas redes digitais, contra as Instituições Democráticas do Concelho e dos seus responsáveis”, conclui o comunicado do PS de Vila do Conde.