A lógica desapareceu nas últimas três semanas em Paris. Roland Garros, um dos quatro maiores torneios de ténis, tinha um enorme ausente, um enorme favorito e um enorme candidato. No fim, o instinto e a surpresa venceram a matemática e as probabilidades e ofereceram um Grand Slam como poucos, recheado de heróis, triunfos e derrotas improváveis. Alexander Zverev, porém, não permitiu que a arbitrariedade tomasse conta do último dia.
Este domingo, no Court Philippe-Chatrier, Alexander Zverev e Flavio Cobolli defrontavam-se na final de Roland Garros — uma frase que, há três semanas, ninguém seria capaz de escrever. Sem Carlos Alcaraz em Paris, já que o tenista espanhol ainda está a recuperar de uma lesão no pulso e também vai falhar Wimbledon, Jannik Sinner aparecia no segundo Grand Slam do ano enquanto absoluto favorito. Caiu logo na segunda ronda e contra Juan Manuel Cerúndolo, comprovando que afinal é mesmo um ser humano.
One final. Two paths.
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A partir daí, da maior e principal hecatombe, precipitaram-se os choques. Daniil Medvedev caiu com Adam Walton na primeira ronda, Ben Shelton caiu com Raphael Collignon na segunda ronda, Alex de Minaur caiu com Jakub Mensik na terceira ronda, Novak Djokovic caiu com João Fonseca na terceira ronda, Casper Ruud caiu com também com o brasileiro na quarta ronda. E só mesmo Alexander Zverev obedeceu à lógica, caminhando sem grandes solavancos até à final, eliminando Benjamin Bonzi, Tomás Machác, Quentin Halys, Jesper de Jong, Rafael Jodar e Mensik pelo caminho e perdendo apenas dois sets.
Sem Sinner, Alcaraz e Djokovic pelo caminho, sem Nadal e Federer a atrapalhar, o tenista alemão parecia estar finalmente à beira de conquistar o primeiro Grand Slam da carreira — deixando para trás as três finais perdidas, entre Open da Austrália (2025, Jannik Sinner), Roland Garros (2024, Carlos Alcaraz) e US Open (2020, Dominic Thiem). Pela frente, porém, tinha alguém que queria exatamente o mesmo feito.
Aos 24 anos, Flavio Cobolli chegava à final de Roland Garros com a certeza de que iria sair de Paris no top 10 do ranking ATP, superando Lorenzo Musetti como o melhor tenista italiano da atualidade que não se chama Jannik Sinner. Com os quartos de final de Wimbledon no ano passado enquanto melhor resultado da carreira em Grand Slams até agora, Cobolli foi passando entre os pingos da chuva para se tornar o maior exemplo da ausência de lógica das últimas três semanas. Depois de afastar Félix Auger Aliassime nos quartos de final, numa exibição impressionante onde recuperou depois de perder o primeiro set, garantiu o passaporte para a final através da desistência do compatriota Matteo Arnaldi, que nem sequer foi a court devido a um vírus.
A first Grand Slam title on the line ????#RolandGarros pic.twitter.com/FzPFcVJR3q
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First set secured ????#RolandGarros pic.twitter.com/sNuTw37MgN
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24 horas depois de Mirra Andreeva derrotar a qualifier Maja Chwalińska para se tornar a mais jovem a vencer em Roland Garros desde Monica Seles em 1992, Alexander Zverev e Flavio Cobolli apareciam então com o objetivo de repetir o que a russa alcançou: ganhar o primeiro Grand Slam da carreira. Zverev dominou o primeiro set (6-1), quebrando o serviço de Cobolli em três ocasiões e encaminhando-se para o que parecia ser uma final simples e descomplicada, já que o italiano não contrariava o nervosismo e o alemão assentava na eficácia do serviço a vantagem que ia cavando.
No segundo set, porém, a história mudou. Flavio Cobolli mostrou-se mais concentrado e frio, sem permitir que as emoções o levassem até reações extremadas em direção à própria box — algo que aconteceu repetidamente durante o primeiro set. O italiano acabou por conseguir quebrar o serviço de Alexander Zverev, ainda vacilou no penúltimo jogo e permitiu ao alemão alimentar a esperança de encurtar a final, mas aproveitou o jogo de serviço para carimbar mesmo o segundo set e empatar a derradeira decisão de Roland Garros (4-6).
Flavio makes this final all square, one set all ????#RolandGarros pic.twitter.com/wvDyKbgiHW
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Zverev one set away ???? #RolandGarros pic.twitter.com/IJDZRMt9Wq
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O terceiro set voltou a ser muito equilibrado, com Flavio Cobolli a manter-se competente nos jogos de serviço e Alexander Zverev a não conseguir vincar a superioridade que tinha demonstrado no arranque da final. Ainda assim, a individualidade do alemão e a inexperiência do italiano acabaram por vir ao de cima no momento mais importante, com Zverev a aproveitar vários erros não forçados para quebrar o último serviço do adversário e conquistar o terceiro set (6-4), ficando a apenas um de ganhar na terra batida de Roland Garros.
O quarto set começou de forma pouco expectável, com o italiano a quebrar desde logo o primeiro serviço do alemão para garantir que ainda estava dentro das contas. Zverev respondeu com um break no sexto jogo, aproveitando um jogo de serviço desajustado do adversário, mas escorregou novamente logo a seguir e manteve a incerteza. O alemão ainda forçou o tiebreak, mas Cobolli mostrou que não estava mesmo no Court Philippe-Chatrier para ser o bobo da corte e ganhou o quarto set para levar a final até um quinto parcial que não se via em Paris desde os oitavos de final.
FLAVIO SAYS IN 5 WE GO????????#RolandGarros pic.twitter.com/9nZnPJ5iTK
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Zverev is EVERYWHERE ⚡️ #RolandGarros pic.twitter.com/HQgGX9jTUr
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Aí, Zverev quebrou três jogos de serviço de Cobolli e inverteu o que parecia ser a tendência do jogo, já que o italiano dava a ideia de estar muito mais preservado fisicamente. A experiência acabou por falar mais alto do que a frescura das pernas e o alemão, embora já claramente com muitas dificuldades nas acelerações e nas travagens, dominou o último set e mostrou-se mais calmo, menos ansioso e totalmente preparado para o momento.
No fim, Alexander Zverev venceu Flavio Cobolli em cinco sets e conquistou Roland Garros (6-1, 4-6, 6-4, 6-7 e 6-1), alcançando finalmente o primeiro Grand Slam da carreira que há tanto tempo perseguia. Desde os anos 30 que um alemão não vencia o major francês, sendo que é preciso recuar a 1996 e a Boris Becker, no Open da Austrália, para ver um alemão ganhar qualquer um dos quatro Grand Slams.
HE DID IT ????#RolandGarros pic.twitter.com/SFJgCRZon0
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Full joy ????#RolandGarros pic.twitter.com/wfJ6LkxPMB
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