O antigo diretor-geral da Direção-Geral de Recursos de Defesa Nacional (DGRDN) Alberto Coelho, acusado de corrupção no processo Tempestade Perfeita, optou por não prestar declarações no início do julgamento esta terça-feira, em Lisboa.

Alberto Coelho, de 71 anos, é um dos 73 arguidos no processo, entre os quais 30 empresas, e está acusado de três crimes de corrupção passiva, um crime de branqueamento, dois de peculato e um de falsificação ou contrafação de documento.

Segundo a acusação do Ministério Público, datada de agosto de 2023, no centro do processo estão procedimentos de contratação pública de serviços e empreitadas em que a DGRDN surge, entre 2018 e 2021, como adjudicante e que terão sido decididos em benefício de determinadas empresas a troco de contrapartidas financeiras e patrimoniais, nomeadamente carros e obras em casa.

A intervenção em 2020 no antigo Hospital Militar de Belém, em Lisboa, é uma das empreitadas sob suspeita.

Além de Alberto Coelho, são arguidos no processo outros dois ex-dirigentes da DGRDN, vários funcionários desta Direção-Geral e empresários. Mais de uma dezena de arguidos disseram esta terça-fira querer prestar declarações, o que acontecerá nas próximas sessões, agendadas para este mês, julho e setembro.

A defesa de Alberto Coelho deixou em aberto a possibilidade de este falar no final da produção de prova, que inclui a audição de mais de 40 testemunhas.

O julgamento começou mais de três anos e meio depois da operação Tempestade Perfeita, realizada pela Polícia Judiciária em coordenação com o Ministério Público em 6 de dezembro de 2022, e mais de um ano após a decisão instrutória do Tribunal Central de Instrução Criminal que, em 13 de fevereiro de 2025, confirmou a ida a julgamento dos 73 arguidos no caso.