O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) ainda tinha 654 trabalhadores em falta no final de 2025, o que corresponde a cerca de 30% do total de lugares previstos no mapa de pessoal da instituição, embora se tenha registado uma diminuição na carência de profissionais ao longo do último ano, revela o Relatório Anual de Gestão e Atividades de 2025, publicado no site do INEM.

O Mapa de Pessoal do INEM para 2025 previa 2.139 postos de trabalho, sendo que, a 31 de dezembro de 2025, o INEM contava “com apenas 1.485 trabalhadores(as) efetivos, o que representa um défice de 30% (654 postos de trabalho vagos)”, pode ler-se no relatório. De entre os lugares que continuavam por ocupar, a maioria (cerca de 340) dizia respeito a vagas para técnicos de emergência pré-hospitalar, a classe profissional mais representativa. No ano passado, o mapa de pessoal previa que o INEM tivesse 1.341 TEPH, mas apenas tinha 1.003.

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O INEM registava ainda um défice de médicos (tinha apenas 22 nos quadros, quando deveria contar com 70) e de enfermeiros (tinha 211 enfermeiros e enfermeiros especialistas, sendo que o mapa de pessoal prevê 270 profissionais).

Para além dos trabalhadores com contrato de trabalho com o instituto, o INEM contava com 164 médicos, 39 enfermeiros e um Fiscal Único, em regime de prestação de serviços, de forma “a suprir as carências”, admite-se no relatório, assinado pelo presidente do INEM, Luís Cabral, e homologado em maio pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

Presidente do INEM admite dificuldades na contratação de TEPH na região de Lisboa

Ao Observador, Luís Cabral reconhece que o quadro de recursos humanos ainda é deficitário mas lembra que o INEM tem vindo a abrir concursos para “técnicos de emergência pré-hospitalar enfermeiros, médicos e técnicos superiores” que têm produzido resultados. “Foi aberto um concurso para 200 TEPH na zona Norte, em que tivemos todas as vagas preenchidas, sendo que no outro concurso, na região Lisboa, Vale do Tejo e Alentejo, a sul, dos 200 candidatos, só restam cerca de 60“, adiantou o presidente do INEM, que reconhece a existência de dificuldades na formação dos técnicos nestas regiões, devido às desistências e aos chumbos nas provas.

“Estamos a falar de pessoas sem formação. Umas vão sendo eliminadas, outras desistem, muitas delas já tinham concorrido muitas vezes e foram recusadas nos concursos anteriores. Por via das desistências e chumbos, se chegarmos ao final com 60 técnicos vai ser positivo”, antecipa o responsável máximo do INEM, acrescentando que o INEM terá também de de abrir, a curto prazo, um concurso para a região do Algarve, onde também existe uma significativa falta de profissionais.

Embora a carência de trabalhadores nas várias categorias ainda seja significativa, registaram-se melhorias ao longo do ano passado. O INEM terminou 2025 com mais 181 profissionais em comparação com 2024.

Os concursos para contratação de TEPH permitiram fazer aumentar o contingente destes profissionais de 840 para 1.003 (mais 163 trabalhadores no período de um ano). Registou-se ainda um reforço de 20 enfermeiros. Já o número de médicos diminuiu ligeiramente, de 23 para 22 profissionais.