Existem poucos dados positivos a retirar da estreia da Seleção Nacional no Mundial 2026. Portugal começou bem, marcou cedo, permitiu que a RD Congo adquirisse confiança e não evitou um empate que já não soube desconstruir. No fim, tem apenas um ponto depois da primeira jornada da fase de grupos — e não pode descontrair assim tanto contra o Uzbequistão e a Colômbia como chegou a ser antecipado.
Durante a semana, a ideia mais simples foi repetida até à exaustão: Portugal até poderia não ser brilhante, mas tinha qualidade coletiva e individual suficiente para vencer uma RD Congo que não estava num Campeonato do Mundo desde os tempos em que ainda se chamava Zaire. O problema foi que a tal qualidade coletiva e individual durou seis minutos, até ao momento em que a Seleção Nacional abriu o marcador, e escondeu-se nas catacumbas do NRG Stadium de Houston até ao apito final.
O dia em que a numerologia se perdeu num futebol de praia (a crónica do Portugal-RD Congo)
Num jogo onde todas as antevisões apontavam para a necessidade de responder à intensidade e à velocidade da RD Congo, os jogadores portugueses pareceram sempre demasiado frágeis, lentos e permissivos, perdendo diversos duelos e sendo inevitavelmente o elo mais fraco na hora do choque. Bernardo Silva foi sempre demasiado débil, Vitinha acumulou passes para o lado e para trás e Francisco Conceição ainda injetou velocidade na segunda parte, mas sempre de forma algo inconsequente — ou seja, no tão elogiado lote dos baixinhos, só mesmo João Neves conseguiu evidenciar-se.
Sem grande margem para dúvidas na avaliação, o médio do PSG foi o melhor jogador português em campo e o único que procurou sempre carregar a equipa para a frente — ou, pelo menos, o único que procurava e ia conseguindo, já que Bruno Fernandes, João Cancelo, Nuno Mendes e Pedro Neto muito correram, mas tantas vezes para lado nenhum. Com uma eficácia de passe de 98% e quatro passes longos concluídos em cinco tentados, João Neves tentou ser a balança do costume no meio-campo, mas até foi através do golo que mais se exprimiu.
Com os seus parcos 1,74 metros, o jovem médio de 21 anos apareceu na grande área à espera do cruzamento de Pedro Neto, saltou mais alto do que um adversário que tem mais um palmo do que ele e cabeceou para marcar, voltando a assinar um golo de cabeça como tantas vezes tem feito pelo PSG. Para além de ter feito o primeiro golo de Portugal no Mundial 2026, estreou-se a marcar em grandes competições e tornou-se o terceiro mais novo de sempre a marcar pela Seleção Nacional em Campeonatos do Mundo, à frente de António Simões (1966) e João Félix (2022) e atrás de Cristiano Ronaldo (2006) e Gonçalo Ramos (2022).
O PEQUENO GIGANTE JOÃO NEVES FAZ O PRIMEIRO GOLO DE PORTUGAL NO MUNDIAL FIFA 2026 ????????
Vamos!
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Mais jovens a marcar por ???????? Portugal em Campeonatos do Mundo:
21 anos, 4 meses: Cristiano Ronaldo (2006)????
21 anos, 5 meses: Gonçalo Ramos (2022)
21 anos, 8 meses: João Neves (2026)????
22 anos: António Simões (1966)
23 anos: João Felix (2022) pic.twitter.com/NKbzqggklI— Playmaker (@playmaker_PT) June 17, 2026
Inserido no que tem sido tão repetidamente interpretado como o “melhor meio-campo do mundo”, com Vitinha e Bruno Fernandes, João Neves conseguiu destacar-se num dia onde mais ninguém parecia inspirado na equipa de Roberto Martínez. Depois do apito final, em declarações à LiveModeTV, o médio do PSG mostrou-se “obviamente muito contente pelo golo”, mas não escondeu a desilusão pelo resultado.
“É o meu primeiro Mundial, o meu primeiro jogo na competição, mas o mais importante é a performance da equipa. Estou um pouco em baixo pelo resultado em si, mas acho que fizemos um bom trabalho. Há coisas a melhorar, mas começámos bem, com intensidade, com ritmo de jogo. No final de contas o que vai fazer a diferença mais à frente é a vitória. Vamos melhorar, vamos ver o jogo, vamos analisar com mais detalhe”, começou por dizer.
“Estou muito feliz pelo golo, mas triste pelo resultado. Agora é levantar a cabeça. É impactante saber que jogaste bem, melhor do que o adversário, mas não conseguiste os três pontos. O grupo está unido, vamos continuar a acreditar nas nossas qualidades”, acrescentou o jogador formado no Benfica, que pareceu em melhores condições físicas do que Vitinha e Nuno Mendes, que também estiveram na recente final da Liga dos Campeões em que o PSG venceu o Arsenal.
João Neves earns the @MichelobUltra Superior Player of the Match trophy. ????
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— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) June 17, 2026
MVP GOALPOINT ⭐️
[ ???????? Portugal 1-1 RD Congo ???????? ]JOÃO NEVES ???????? abriu o Mundial da melhor maneira e foi dos poucos portugueses que não confundiu o estádio com Miami Beach ????️
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???? https://t.co/EdrnOlOEw1#PORDRC #FIFAWorldCup… pic.twitter.com/bepBl0Cy9F— GoalPoint (@_Goalpoint) June 17, 2026