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Mundial 2026. Jogador da RD Congo que marcou contra Portugal foi atacado com ácido ao tentar salvar filha

Wissa ficou perto de perder a visão e permanece com mazelas físicas e psicológicas. Contudo, as queimaduras severas e as cirurgias de emergência não impediram o jogador de marcar o golo histórico.

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▲Wissa tem de colocar gotas nos olhos para o resto da vida

Getty Images

▲Wissa tem de colocar gotas nos olhos para o resto da vida

Getty Images

Ao cabecear para a baliza aos 50 minutos, Yoane Wissa marcou o primeiro golo da RD Congo numa fase final de um Mundial, passados mais de cinquenta anos desde a última participação do país no torneio. Há cinco anos, depois de sofrer um ataque químico, este era um feito impensável para o avançado.

No dia 1 de julho de 2021, o jogador abriu a porta de casa a uma mulher que, ao tentar raptar a sua filha, lhe atirou ácido à cara. “No hospital, disseram-me que tinha os olhos queimados. Tinha de vir alguém lavar-me os olhos de hora a hora. Foi um pesadelo”, relatou Wissa, citado pela Al Jazeera. “Fui operado a ambos os olhos e o médico disse-me que vou precisar de usar gotas para o resto da vida. Demorei seis meses até recuperar totalmente a visão”, explicou.

Este ataque originou uma ansiedade permanente no jogador: “Entro em pânico sempre que ouço um barulho. (…) Agora já não demonstro tanto afeto como costumava fazer e, quando estou a caminhar, olho instintivamente para trás. À noite, já não consigo adormecer se estiver sozinho”, contou.

A única coisa que lhe deu forças para continuar foi “saber que os filhos estavam seguros”. Apesar de eles já lhe terem perguntado várias vezes o que fez à cara, o jogador acha que ainda são muito novos para saber. Wissa teve a possibilidade de fazer uma cirurgia estética, mas recusou, assumindo que isto faz parte da sua história. Em 2025, a mulher que atacou o jogador foi condenada a 18 anos de prisão.

Tanto Wissa como a sua companheira tiveram de ir a um psicólogo, mas Yoane nunca desistiu de jogar. Isso ficou bem claro quando o treinador do FC Lorient — onde ele jogava na altura, como se vê na publicação do Instagram — visitou o avançado no dia seguinte à agressão.

“Mesmo estando afetado fisicamente e mentalmente, o Yoane mostrou rapidamente a sua determinação em triunfar”, recordou Christophe Pélissier à BBC. “O que mais me impressionou nele foi a sua força de vontade e o facto de nunca se ter conformado”.

Wissa acabou por assinar um contrato de quatro anos com o Brentford, enquanto ainda estava no período de recuperação. Neste clube, esteve em 149 partidas ao longo de quatro temporadas, com 49 golos, segundo a NDTV Sports. Mais tarde, foi transferido para o Newcastle United, onde se encontra atualmente a jogar.

Depois de uma história de superação, já a representar o país no Mundial, Yoane Wissa assegurou o empate (1-1) frente a Portugal, um dos grandes favoritos para vencer. Tal como o próprio jogador diz, “nunca se sabe o que o destino reserva”.

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