O cineasta francês Luc Besson, acusado de violação pela atriz belgo-neerlandesa Sand Van Roy, um dos casos de destaque do #MeToo, saberá esta terça-feira se o tribunal de recurso de Paris decide ou não reabrir a investigação contra ele.

A atriz apresentou uma queixa por violação a 18 de maio de 2018, algumas horas depois de um encontro num palácio parisiense, sobre o qual os protagonistas deram duas versões diferentes.

Segundo Sand Van Roy, o influente cineasta teria imposto uma penetração, que causou desmaio, apesar das suas ordens para que parasse. Uma versão que, segundo ela, foi corroborada por constatações feitas no dia dos acontecimentos, pelos serviços de urgência médico-judiciários.

Dois meses após a sua queixa inicial, a atriz apresentou uma nova queixa contra o cineasta por outras violações e agressões sexuais cometidas, segundo ela, entre 2016 e 2018, episódios que terão alegadamente ocorrido quando existia uma “relação de controlo profissional” e sob ameaças de “retaliação na sua carreira como atriz”.

Luc Besson, por seu lado, referiu que existiu um relacionamento extraconjugal num contexto de “subordinação” profissonal,  dado que a atriz participou em alguns dos seus filmes. Mas, relatou uma relação consensual marcada por “doçura”.

Nas suas requisições escritas feitas em fevereiro, às quais a agência de notícias francesa AFP teve acesso, a procuradora considerou que as análises de ADN, realizadas sobre uma peça de roupa interior da queixosa por um laboratório holandês, constituem um “elemento novo susceptível de caracterizar novas acusações (…) justificando a reabertura da investigação para novas averiguações”.

Na audiência, que decorreu à porta fechada a 2 de junho, a procuradora tinha, no entanto, “interrogado-se sobre a questão da definição de nova acusação”, remetendo ao tribunal para decidir, segundo uma fonte próxima do processo.

Contactado, o advogado de Sand Van Roy, Me Antoine Gitton, não quis comentar. Na sua petição escrita, citada pelo procuradora, o advogado tinha argumentado que “o ADN do arguido foi formalmente encontrado na parte traseira” da roupa interior usada pela sua cliente na noite dos factos que ela denuncia.

E lamentou que esta roupa interior “nunca tenha sido devidamente avaliada durante a investigação”, considerando que este  dado “um facto importante que foi ignorado”.

Na altura do pedido, as provas de Sand Van Roy não tinham sido apresentadas à parte adversária.

Já a defesa de Luc Besson não quis comentar. O seu advogado, Thierry Marembert, indicou, em meados de maio, que não queria “fazer qualquer comentário” até à decisão da câmara de investigação.

No entanto, a defesa do cineasta recordou o percurso processual das acusações feitas por Sand Van Roy: arquivamento em fevereiro de 2019, arquivamento em dezembro de 2021, confirmado pelo Tribunal de Recurso de Paris em maio de 2022, e depois pelo Tribunal de Cassação em junho de 2023.