Para Nani, a pressão externa sobre Cristiano Ronaldo continua a ser o principal combustível para o capitão da Seleção Nacional. “A personalidade está lá, não se deixa intimidar por nenhumas palavras do exterior, porque sabemos que foi muito criticado na primeira semana e que é normal”, explicou o antigo internacional em Miami, antes de discursar na Portugal Football Summit. O extremo foi até mais longe: “Como ele sempre nos habituou a dar boas respostas, se não houvesse uma crítica, acredito que ele nem fazia os golos. Então eu acho que os portugueses devem continuar a criticá-lo, porque ele vai responder sempre”.
Sobre o estado físico e mental de Ronaldo aos 41 anos, Nani confessa algum espanto com a longevidade em crescendo por parte de Ronaldo. “Eu vejo-o como sempre vi, parece um menino e um jovem atleta, se calhar com mais fome do que antes”. O antigo colega de equipa na Seleção Nacional e no Manchester United explica que “é impressionante a fome de querer vencer e o exemplo que ele transmite para todos aqueles que o seguem dentro de campo”, reforçando que, independentemente de ser ou não “o seu dia”, Ronaldo será sempre uma “mais-valia” para a Seleção.
▲ Nani e Cristiano Ronaldo no Euro 2016
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Quanto ao percurso de Portugal no Mundial, Nani entende que as críticas iniciais fazem parte do ADN do país. “O nível de exigência dos adeptos e dos portugueses é sempre muito elevado e tem a sua razão, porque nós habituámo-los sempre mal, com grandes jogadores, grandes talentos, sempre favoritos em todo o mundo”. O jogador referiu também que o nervosismo inicial foi ultrapassado no segundo jogo, e refere que viu uma equipa mais “aliviada” no segundo jogo.
Para o duelo decisivo contra a Colômbia, Nani antevê dificuldades, mas mantém a confiança. “Sabemos que vai ser um jogo mais difícil na teoria, porque vamos jogar com uma excelente seleção. Mas normalmente esses jogos são os jogos em que nós jogamos melhor e por isso acredito que amanhã será um grande jogo da nossa parte”.
De acordo com Nani, o segredo para o sucesso é a união do grupo e aponta exemplos de outras equipas: “Se reparares, a seleção da França, por exemplo, tinha um grande problema com Dembélé, Mbappé e todos os outros craques. Mas vi o último jogo e havia entreajuda: quando perdem a bola, o outro compensa e eles procuram-se uns aos outros”. O ex-jogador da Seleção Nacional refere que “quando os jogadores tentam ajudar-se uns aos outros, tudo acontece e é isso que a nossa seleção também está a tentar fazer”.
Nani faz também um balanço muito positivo do torneio em termos globais. “Acho que o Mundial, em geral, está a ser uma grande surpresa. Acho que todas as equipas que estão a representar os seus países estão a representar da melhor maneira”. O antigo avançado da equipa portuguesa destacou o nível de rendimento dos atletas, e mostrou-se surpreendido com a qualidade que tem visto: “Hoje em dia, é cada vez mais difícil estar presente como atleta numa competição como esta e vê-se que a performance de todos os jogadores tem sido ao mais alto nível”.
▲ Portugal na final do Euro 2016
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Apesar de manter algumas ligações à equipa portuguesa, Nani revelou que mantém o distanciamento necessário nesta fase. “Para ser sincero, eu acho que é muito difícil falar com os jogadores nessas competições. O foco é todo dentro do seio da equipa”. Nani apontou para a experiência que tem nestes palcos: “Quando nós estamos na seleção, não queremos dar atenção a ninguém, independentemente de serem amigos ou familiares, falamos muito pouco e acho que é isso que devem fazer”.
Sobre as comparações entre a sua geração e a atual, Nani rejeita a ideia de que quem ganhou é obrigatoriamente a melhor. “Não, eu acho que a melhor é sempre aquela que veio de trás, aquela que nos deu o exemplo, aquela que nos ensinou o caminho”, defendeu. Para o antigo craque, o sucesso atual só é possível graças ao legado deixado pelos jogadores que o inspiraram no passado.
Nani recordou até os nomes que o motivaram a querer representar as cores nacionais. “Aos meus olhos, a melhor era aquela que me incentivou e motivou a ser quem eu fui no mundo do futebol e dou graças a Deus por ter visto Figo, Rui Costa, Deco, Maniche”, admitiu. O jogador frisou que, sem a oportunidade de aprender com esses nomes grandes, “se calhar não seria possível existir o Nani”.
▲ Nani, Ronaldo, Maniche e Deco na seleção portuguesa em 2008, no aniversário de Cristiano Ronaldo
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Num tom mais descontraído, o ex-jogador da seleção portuguesa abordou as questões de balneário e a disciplina das gerações anteriores. Quando questionado sobre as diferenças de humildade ou trabalho, Nani preferiu focar-se no exemplo e na ambição de representar a seleção nacional como os seus antecessores fizeram.
As declarações à imprensa em Miami terminaram com um momento descontraído sobre a estética dos jogadores portugueses. Questionado sobre quem seria o mais bonito da sua geração, Nani não hesitou e brincou com a situação: “O mais bonito era eu, mas ninguém sabia reconhecer isso. É verdade”, concluiu entre risos.
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