A presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros (PS), decretou, esta quarta-feira, a situação de alerta no município devido aos cortes no abastecimento de água na cidade. Num comunicado, a autarquia e os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS de Almada) anunciam o reforço das medidas já em curso para garantir o abastecimento à população e aos serviços essenciais.

A autarquia anuncia que vai ser “realizado o corte total do abastecimento em determinadas zonas do concelho, das 22h00 às 6h00”. “Neste contexto, os munícipes serão informados com a devida antecedência, de modo a organizarem o seu quotidiano da melhor maneira, sendo igualmente avisados sobre possíveis alterações na duração dos cortes”, garante ainda o município. Uma das queixas da maioria dos habitantes que têm sofrido com os cortes no abastecimento é precisamente não serem avisados com antecedência das falhas de água.

No final desta tarde, os SMAS Almada anunciaram que vão “proceder à interrupção total do abastecimento de água”, entre as 22h00 e as 06h00, esta quarta-feira. O corte abrange as localidades de Charneca de Caparica, Aroeira, Marisol, Fonte da Telha, Palhais, Lazarim, Botequim, Vila Nova de Caparica, Capuchos, Pilotos, Funchalinho, Vale Rosal, Vale Cavala, Quintinhas e Quinta de Santa Teresa.

“Tendo em conta a área abrangida, o restabelecimento do abastecimento será efetuado de forma gradual, pelo que a reposição da água poderá chegar à torneira em momentos diferentes dentro das zonas afetadas”, alerta a autarquia.

Além disso, enquanto vigorar a situação de alerta, serão implementadas restrições ao consumo de água “que permitam preservar este recurso essencial para o abastecimento doméstico e para os serviços indispensáveis à população”. Ficam então “proibidas todas as utilizações de água da rede pública que não correspondam a usos domésticos ou essenciais“.

Ficam proibidas a “rega de jardins públicos e privados, e de campos de golfe”, a “lavagem de viaturas”, o “enchimento de piscinas”, a “utilização de chuveiros e lava-pés nas zonas balneares”, ainda o “funcionamento de fontes ornamentais, lagos artificiais e outros elementos de uso estético de água”, a “lavagem de pavimentos exteriores, logradouros, paredes e telhados, com exceção de intervenções de conservação do edificado” e quaisquer outras “utilizações recreativas ou não indispensáveis”.

“Estamos plenamente conscientes dos transtornos que esta situação está a causar às famílias, às empresas e às instituições. Lamentamos profundamente todos os constrangimentos e agradecemos o sentido de responsabilidade e a colaboração que os almadenses têm vindo a demonstrar”, lê-se ainda na nota à comunicação social.

Numa reunião da autarquia com a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), ficou decidido “reforçar imediatamente” a “monitorização do sistema de abastecimento e dos níveis dos reservatórios”, e das “equipas técnicas para a deteção e reparação urgente de fugas e roturas”, bem como das “equipas de fiscalização para prevenir consumos abusivos, utilizações ilegais de água e desperdícios“.

A autarquia pretende ainda garantir o “abastecimento aos equipamentos e serviços essenciais, nomeadamente hospitais, centros de saúde, lares, bombeiros e restantes infraestruturas críticas”, bem como disponibilizar “meios alternativos de abastecimento, incluindo camiões-cisterna, nas zonas onde tal venha a revelar-se necessário”.

Câmara de Almada diz que o consumo médio diário no concelho ultrapassa os 300 litros por habitante e que a média nacional é de 180 litros

“A situação que o concelho enfrenta é excecional e resulta de um aumento muito significativo do consumo de água, que exerceu uma pressão sem precedentes sobre o sistema de abastecimento”, garantem a autarquia e os SMAS de Almada. “Neste momento, é fundamental reduzir rapidamente os consumos para permitir a recuperação dos níveis de segurança dos reservatórios e garantir a continuidade do abastecimento”, alerta-se ainda.

A Câmara divulga ainda os dados mais recentes que “demonstram esta realidade”. “O consumo médio em Almada ultrapassa os 300 litros por habitante/dia, enquanto a média nacional é de cerca de 180 litros por habitante/dia”, informa-se no comunicado.

A Câmara assinala que, até junho de 2026, o consumo aumentou, em média, 4,3% no concelho, tal como já tinha informado, dando conta que os maiores aumentos se registam nas freguesias de Charneca de Caparica (+15,2%), Sobreda/Lazarim (+15,0%) e Costa da Caparica (+14,2%).

Está igualmente a ser avaliada a necessidade de adotar medidas adicionais de redução de consumos, incluindo a suspensão temporária de atividades ou equipamentos municipais particularmente consumidores de água, caso tal se revele necessário para acelerar a recuperação do sistema.

Os SMAS de Almada e a Câmara Municipal continuarão a acompanhar permanentemente a evolução da situação, divulgando informação regular sobre o estado do sistema, as medidas em vigor e eventuais alterações ao funcionamento do abastecimento.

Este é um esforço coletivo. Cada litro de água poupado contribui para proteger o abastecimento de todos. É com o contributo de cada cidadão, de cada empresa e de cada instituição que conseguiremos ultrapassar este momento e regressar à normalidade o mais rapidamente possível.