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Mais de uma década e meia depois, Espanha está de volta às meias-finais de um Campeonato do Mundo. Apesar de ser uma das potências da modalidade, a roja desiludiu depois de ter levantado o troféu em 2010, na África do Sul. Depois de cair na fase de grupos no Brasil, em 2014, a seleção espanhola foi eliminada nos oitavos de final nos dois torneios seguintes — Rússia-2018 e Qatar-2022. Agora, 16 anos depois, voltou a vencer a sua partida dos quartos de final, frente à Bélgica, e vai voltar a marcar presença no lote das quatro melhores equipas do planeta, tendo pela frente um escaldante duelo frente à França. Curiosamente, Espanha ainda só enfrentou seleções europeias nesta fase a eliminar: Áustria (3-0), Portugal (1-0) e Bélgica (2-1).
Luis de la Fuente é uma das caras da nova Espanha, que se sagrou campeã da Europa há dois anos. Desde a chegada do novo selecionador, a roja só perdeu três dos 47 jogos disputados e leva agora 36 jogos de invencibilidade. Curiosamente, a seleção espanhola está a apenas um jogo de igualar o recorde mundial de invencibilidade, que pertence a Itália (37 jogos entre 2018 e 2021). Diante dos diabos vermelhos, a seleção espanhola igualou o seu melhor registo de golos numa edição do Mundial, tendo chegado aos 11 remates certeiros em seis jogos. Em 1986 marcou os mesmos 11 golos, mas em cinco jogos. Nas meias-finais vai acontecer apenas o segundo embate entre espanhóis e franceses em Mundiais, depois do triunfo gaulês nos oitavos de final em 2006 (3-1).
“Herói? Nem nos meus melhores sonhos, outra vez aos 90 minutos. Diria que confio sempre que a bola vai chegar até mim. É uma loucura poder ajudar mais uma vez. É confiar, acreditar e estar atento. De la Fuente? Não me disse grande coisa. Disse-me para jogar como 10 e, no final, disse-me que sou incrível [risos]. Entro em campo e tento dar o meu melhor. Estavam bem organizados, mas quando há muitos jogadores na área, acabam por acontecer coisas. [Só Villa e Merino marcaram dois golos em fases a eliminar] No recreio escolhia sempre o [David] Villa ou o [Fernando] Torres para jogar. Sempre prestei atenção a eles. Estou sem palavras. Nem acredito nisto. Sou um sortudo. Ter aqui a minha família… Ter um filho tão maravilhoso como o meu, a minha mulher… Acredito em coincidências, mas isto não é coincidência. Se me acontece, é porque me preparo para quando chegar a altura. É difícil que volte a acontecer, mas estarei sempre preparado”, explicou Mikel Merino, o herói do jogo, aos jornalistas espanhóis.
A ???????? Espanha igualou o seu melhor registo ofensivo numa única edição de um Campeonato do Mundo.
⚽ 11 golos em 6 jogos (2026)*
⚽ 11 golos em 5 jogos (1986)*série em andamento pic.twitter.com/5nZivUV4cZ
— Playmaker (@playmaker_PT) July 10, 2026
“É o caráter da equipa em qualquer circunstância e situação. Reitero o meu orgulho em treinar esta equipa, que tem vontade de crescer e melhorar. Fizemos mais do que o suficiente para ganhar com mais tranquilidade. É difícil ganhar, por isso devemos valorizar isso. Merino? Tem muitas qualidades. Poderia jogar em qualquer seleção e equipa e, para nós, é a escolha ideal para esta equipa, para este modelo. Sabemos que, sempre que precisamos dele, ele está sempre presente. É injusto que o Mikel não jogue, mas também o seria se ficasse de fora outro jogador. Só podem jogar 11 e eles compreendem esse papel e a função que têm de desempenhar em cada momento. Quando entram em campo, sabem o que têm de fazer, por isso é um prazer ser o treinador deles. Vamos trabalhar para tentar superar a França… eles estarão igualmente preocupados porque fomos a única seleção do mundo capaz de os vencer em dois jogos consecutivos”, assumiu Luis de la Fuente em conferência de imprensa.
“O Fabián [Ruiz] está a treinar muito bem, o Pedri também e qualquer um deles poderia jogar. Queríamos dar um toque diferente ao jogo. O Fabián tem mais controlo do jogo, é diferente do Pedri, e percebemos que era disso que precisávamos: mais presença na área. Deixámos o Pedri para a fase final [do jogo], com a sua frescura e a sua visão de jogo”, concluiu o treinador espanhol, que tem agora sete vitórias em sete jogos a eliminar de Mundiais ou Europeus, feito que também foi alcançado por Vicente del Bosque. À frente dos dois está apenas Vittorio Pozzo, que somou oito vitórias ao serviço da Itália campeã do mundo entre 1934 e 1938.