Portugal apresentou uma candidatura para receber um escritório da Organização Mundial da Saúde (OMS) Europa dedicado à Inteligência Artificial (IA), apurou o Observador junto de fonte do Ministério da Saúde. Caso seja bem-sucedida, a candidatura portuguesa vai receber um escritório descentralizado da OMS durante um período de dez anos. O interesse português é conhecido na véspera do arranque de uma conferência internacional de alto nível sobre os desafios da IA na área da saúde, designada “Shaping IA in Health”, que vai decorrer em Lisboa, a partir desta quarta-feira, no mesmo dia em que será inaugurado em Portugal um escritório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a maior instituição de investigação científica da América Latina.
Relativamente à IA, Portugal demonstrou interesse em sediar um escritório geograficamente disperso (GDO, na sigla em inglês) da OMS Europa que se vai focar nos desafios da aplicação da IA na área da Saúde e que vai funcionar como um centro de referência para os 53 países membros da OMS Europa, emitindo orientações e produzindo dados sobre IA.
A concorrer com Portugal estão também outros dois países: Polónia e Luxemburgo, sendo que a decisão da OMS Europa acerca do país que vai receber o escritório será tomada apenas em outubro, durante a 75.ª Sessão do Comité Regional da OMS Europa, que vai decorrer na sede daquela organização, em Copenhaga. O Governo português apresentou a candidatura referindo o elevado desenvolvimento da IA em Portugal e a integração de modelos de IA no Serviço Nacional de Saúde. Segundo os últimos dados conhecidos, divulgados no início de 2025, o SNS tinha 111 projetos relacionados com IA, sendo a área com mais iniciativas em curso na administração pública com aquela tecnologia.
Conferência “Shaping IA in Health” junta especialistas e decisores políticos de mais de 30 países
O Governo e a OMS Europa estão a organizar, em Portugal, desde esta segunda-feira, um conjunto de encontros internacionais dedicados à IA aplicada à saúde, reunindo ministros e vice-ministros da Saúde, altos representantes governamentais, especialistas, organizações internacionais, académicos e decisores políticos de 37 países, explicou esta terça-feira o Ministério da Saúde em comunicado.
Os trabalhos tiveram início esta segunda-feira com um workshop técnico internacional dedicado às oportunidades e aos desafios da IA na Saúde, e que reuniu especialistas de referência mundial, investigadores, profissionais de saúde, representantes de instituições públicas, universidades e organizações internacionais.
O ponto alto do encontro ocorrerá esta quarta-feira, com a realização de uma Conferência Internacional dedicada ao tema “Shaping IA in Health”, que termina no dia seguinte e que “contará com a participação de ministros da Saúde, vice-ministros, secretários de Estado e outros representantes governamentais dos 37 países, além de dirigentes de organizações e especialistas”, adianta o Ministério da Saúde.
De acordo com o programa da conferência, a que o Observador teve acesso, entre os temas abordados estará a liderança estratégica para uma IA responsável na saúde; a regulação da IA na saúde; a medição do impacto do uso da IA na saúde; a preparação dos sistemas de saúde para a próxima vaga de IA ou as perspetivas de investimento em IA na saúde. Serão também ouvidos na conferência testemunhos de doentes sobre a experiência que tiveram com o uso de IA.
Estarão em Lisboa vários altos responsáveis da OMS Europa, entre eles o diretor regional da organização, Hans Kluge. Também participarão na conferência o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha; o ministro da Saúde da Guiné-Conacri, Khaité Sall, bem como representantes dos ministérios da Saúde do Irão, Moçambique, Arménia, Índia, Quirguistão, Cazaquistão, Indonésia, Marrocos, Costa Rica, Ucrânia ou Sri Lanka.
Do lado do Governo português, e para além da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, participarão na conferência “Shaping IA in Health” o secretário de Estado da Gestão da Saúde, Francisco Catalão, o ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, e o secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira. Também vai intervir o presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, Luís Goes Pinheiro.
No dia 15 de julho, pelas 11h20, realiza-se uma conferência de imprensa com a ministra da Saúde, o diretor regional da OMS Europa, Hans Kluge, e o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha.
Os encontros que decorrem esta semana em Portugal pretendem “reforçar a cooperação internacional na utilização ética, segura, responsável e eficaz da Inteligência Artificial para melhorar os sistemas de saúde, promover a inovação, aumentar a qualidade dos cuidados prestados e responder aos desafios atuais e futuros da saúde pública”, refere o Ministério da Saúde.
Fundação Oswaldo Cruz abre escritório em Lisboa
Também esta quarta-feira a Fundação Oswaldo Cruz, a maior instituição de investigação científica da América Latina, vai abrir em Lisboa o seu primeiro escritório na Europa. A fundação, ligada ao Ministério da Saúde do Brasil, tem já várias parcerias com universidades portuguesas (entre as quais a Universidade Nova e a Universidade de Coimbra). Segundo o Diário de Notícias, o escritório vai ficar instalado na zona da Avenida da Liberdade.
A Fundação Oswaldo Cruz tem escritórios em vários estados brasileiros e atua nas áreas da investigação científica, produção de medicamentos e vacinas, combate a epidemias, ensino e definição de políticas públicas.