Dia da Bastilha começa a rimar com Tadej Pogacar. Pela terceira vez em seis anos, o esloveno da UAE Team Emirates-XRG venceu no histórico dia para o povo francês, derrotando toda a concorrência com mais um ataque longe da meta. Esta foi a terceira vitória do campeão do mundo nesta Volta a França, numa altura em que o recorde de Mark Cavendish se continua a aproximar e em que pode bater o seu recorde de 2024, quando triunfou em seis tiradas — e tinha “apenas” uma vitória à 10.ª etapa. Com o triunfo em Le Lioran, subida em que se redimiu da derrota para Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) em 2024, Pogacar reforçou a liderança com 3.36 minutos de vantagem para o dinamarquês e 4.06 face a Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe).
O quatro vezes vencedor do Tour de France continua a colecionar recordes e, esta quarta-feira, subiu ao terceiro lugar na lista de ciclistas que mais vestiram a camisola amarela da Grande Boucle. A etapa 11 foi a 60.ª em que Tadej Pogacar alinhou com o maillot jaune, registo que lhe permitiu superar Chris Froome, que venceu a Volta a França em quatro ocasiões e que vestiu a amarela pela última vez aos 32 anos — Pogacar tem 27. A par do esloveno está Miguel Indurain, que em circunstâncias normais vai perder o terceiro lugar esta quinta-feira. Por outro lado, Bernard Hinault continua distanciado de Tamau, já que liderou a prova que correu em casa em 79 dias. Este é mais um registo que é liderado, de forma inquestionável, por Eddy Merckx, que vestiu a amarela 111 vezes.
“Hoje [terça-feira] foi um dia incrível. A equipa fez um trabalho sensacional. Estávamos de olho nesta etapa há muito tempo. Há dois anos o Jonas venceu-me ao sprint, de forma justa, e hoje tive pernas parecidas no final. Fiquei completamente destruído. No final não sabia que ia ganhar, até ao último quilómetro. Lembrei-me que é o Dia da Bastilha e tentei honrar a camisola amarela. Obrigado a todos os adeptos que estiveram hoje na estrada. Foi um ambiente incrível, apesar de alguns apupos. Para todos os que estavam a apupar, isso deu-nos mais força. Hoje testámos os rádios novos e quando havia muito público, não ouvia nada no rádio. Nos últimos 10 quilómetros não sabia qual era a vantagem ou quem estava a fazer o quê. Tudo o que tinha em mente era tentar continuar a acelerar até ao topo”, contou Pogacar na flash-interview.
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— Tour de France™ (@LeTour) July 14, 2026
“Apupos? Também ouvi. Acho que isso não deveria ser aceitável no desporto. Podem não nos apoiar, mas não deveriam apupá-lo. Queres ir a um evento desportivo apupar alguém? Apoia as pessoas e sê feliz, senão fica em casa. Eu também estou aqui para correr e vou em busca das etapas que acho que mais combinam comigo. Entendo que não é bom para ele e, estando com a camisola amarela, ele é a pessoa mais observada nesta prova. Também passei por isso em 2023 e não é algo muito bom. Quando ele foi embora, percebi que tinha que manter o meu próprio ritmo. A partir daí pensei que seria uma etapa de contrarrelógio até ao fim, mas felizmente pude contar com ajuda na última subida. Acho que foi um bom dia para nós. Podia ter sido muito pior. Acho que as minhas pernas estão a ficar cada vez melhores. Estou ansioso pelas subidas mais longas”, confidenciou Vingegaard.
Esta quarta-feira voltou a ser dia para os homens mais rápidos do pelotão, dado que a 11.ª etapa era a terceira etapa em linha mais fácil deste Tour. Com partida em Vichy — cidade que, na última ocasião que organizou uma partida, viu João Almeida bater Jonas Vingegaard no Paris-Nice do ano passado — e chegada em Nevers, a tirada contava com 161 quilómetros e apenas 1.400 metros de desnível positivo acumulado, contando apenas duas contagens de quarta categoria. Sem Chris Harper (Pinarello Q36.5), que caiu na etapa anterior, com 35°C e muita chuva à partida, Matteo Jorgenson (Visma) optou por continuar em corrida apesar de estar doente, tendo chegado à assinatura de presença afastado dos companheiros e de máscara.
???? Stage 11 / Étape 11 ????
???? Vichy
???? Nevers
???? 161,3 km
⏰ 13:50 CEST > 17:40 CEST
⛰ 2×4️⃣
???? km 27,8#TDF2026???? More details and stage description on our official website pic.twitter.com/9SgQW1KoP5
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Nelson Oliveira (Movistar) voltou a tentar marcar presença na fuga do dia e foi o segundo a passar no sprint intermédio de Saint-Pourçain-sur-Sioule, onde Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech) bateu Max Kanter (XDS Astana) e o camisola verde Mads Pedersen (Lidl-Trek) no que concerne ao pelotão. O português acabou por se estabelecer na frente na companhia de Julian Alaphilippe (Tudor), Anthon Charmig (Uno-X Mobility) e Mathis Le Berre (TotalEnergies), com a primeira hora a terminar com uma alucinante média de 53,1 km/h. O primeiro a ficar para trás foi o francês da Tudor, que se despediu da fuga a 36 quilómetros da meta, ao passo que os restantes resistiram até aos últimos dez quilómetros, que foram inaugurados por um furo de Fernando Gaviria (Caja Rural-Seguros RGA). A fuga terminou oficialmente a sete quilómetros de Nevers, com Oliveira a despedir-se com um brilhante trabalho na dianteira ao longo de 144 quilómetros.
Gaviria recuperou a posição no pelotão pouco depois, já dentro dos derradeiros cinco quilómetros. Com o pelotão a voar até à meta, um ciclista da Decathlon CMA CGM tentou surpreender nos últimos 400 metros, os sprinters não responderam e coube a Soren Waerenskjold fechar o espaço. O norueguês passou diretamente pelo rival e ganhou espaço suficiente para vencer pela primeira vez na Volta a França. Olav Kooij (Decathlon) ficou em segundo e Jasper Philipsen fechou em terceiro (Alpecin-Premier Tech). Esta foi a segunda vitória de sempre da Uno-X na história da competição, sendo que a primeira foi conquistada no ano passado… à etapa 11, por Jonas Abrahamsen. Já a Noruega venceu pela sétima vez no Tour.
UN VIKINGO EN EL TOUR ????????????
Søren Waerenskjold se anticipa en el esprint final y logra su primera victoria en la 'Grande Boucle'.#TDF2026 #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/SyxCgWkG6K
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Destaque ainda para a etapa mais rápida de sempre da competição francesa, que foi corrida à velocidade de 50,9 km/h e superou a etapa 4 de 1999 por larga margem (50,356 km/h). Na geral, Tadej Pogacar manteve os 3.36 minutos de avanço para Jonas Vingegaard e os 4.06 face a Remco Evenepoel. Nos pontos, Mads Pedersen tem agora 317 pontos, contra os 272 de Biniam Girmay (NSN). Tim Merlier (Soudal Quick-Step) foi ultrapassado por Philipsen, que chegou aos 255 pontos, contra os 223 do compatriota.
Artigo atualizado às 19h47 após a reintegração de Jasper Philipsen no terceiro lugar.