“Verdadeiramente preocupante”. É assim que o ministro da Economia vê o impacto que terá no PIB per capita a revisão do INE (Instituto Nacional de Estatística) aos números da população portuguesa. No arranque de uma “significativa maratona” de audições no Parlamento, que teve lugar na manhã desta quarta-feira, o ministro da Economia reconheceu que os novos números “vieram alterar várias séries estatísticas, nomeadamente o PIB per capita”, devido ao acréscimo “significativo” de população que não estava previsto, o que resulta numa redução “substancial” do PIB per capita.
Sublinhando que “não vale a pena determo-nos muito nestes novos valores enquanto não estiver afinado o valor global da alteração da população e do produto”, que o INE só deverá divulgar no próximo ano, o ministro revela que já é possível calcular o PIB per capita medido em paridade de poder de compra, que está “na ordem dos 80% face à média europeia, mais coisa menos coisa”. Para Castro Almeida, o valor é “verdadeiramente preocupante” porque significa que Portugal “não avançou nos últimos 30 anos neste indicador face à União Europeia, foram 30 anos a marcar passo”.
Ainda assim, Castro Almeida enalteceu o crescimento homólogo da economia no primeiro trimestre de 2026, que terá sido de 2,3%, e que compara com os 0,3% registados na zona euro. “Isto daria um bom ritmo para superar este gap que existe entre o nosso PIB per capita e o PIB per capita europeu, mas pouco interessa ter um número circunstancial, precisamos de convergência duradoura e continuada para superar esta diferença de 20 pontos que nos separa da média da UE”, sublinhou.
Os “pilares” da estratégia de crescimento do Governo são o investimento privado e público, a inovação, a produtividade, a internacionalização e a guerra à burocracia, sublinhou o ministro.
Entre as medidas em curso para cumprir estas “orientações” está, anunciou Castro Almeida, a reprogramação do Portugal 2030 “para reforçar a componente tecnológica e de descarbonização”. “Estas são duas linhas de força essenciais do apoio público à transformação das nossas empresas”, considerou o ministro.
Outro pilar será a criação, no outono, do chamado “fundo de fundos” que será operacionalizado pelo Banco Português de Fomento “para criar melhores condições para ajudar ao investimento das empresas, basicamente startups tecnológicas que têm menor capacidade de financiamento bancário na fase inicial”.
Quase 20 mil quilómetros de caminhos florestais foram limpos
Uma das questões colocadas ao ministro na audição regimental desta quarta-feira teve que ver com as árvores derrubadas após as tempestades que assolaram o país, em especial a zona centro, no inverno. Questionado sobre a recolha da madeira e das árvores tombadas antes da época de incêndios, Castro Almeida reconheceu que o problema é “gigantesco, como foi gigantesca a dimensão das tempestades, nunca se viu coisa igual”.
Há um número “incalculável de árvores no chão” e o Governo ajustou com os municípios para que liderem a operação de limpeza e retirada das árvores. Foi dada prioridade à limpeza de caminhos florestais e há dois dias tinham sido limpos 20 mil quilómetros de caminhos, revelou o ministro.
A principal preocupação esteve centrada na limpeza de árvores derrubadas junto às populações e às estradas, por serem zonas mais perigosas, “para levantar tudo o que seja materialmente possível”.
Castro Almeida garantiu que não há restrição financeira nesta operação, mas o país “não tem condições para levantar tanta árvore caída”, pelo que os municípios estão a levantar “as mais perigosas, que são 10% das tombadas”.
Novas medidas para fazer face à subida dos combustíveis não estão no horizonte
Na mesma audição, o ministro foi questionado sobre se o Governo vai adotar novas medidas para contrariar uma eventual nova subida do preço dos combustíveis, face à escalada do conflito entre EUA e Irão e deu a entender que não. Castro Almeida afirmou que o Governo adotou desde o princípio do conflito a regra de reduzir o ISP quando a subida dos combustíveis ultrapassa os 10 cêntimos por litro face ao preço que tinha antes da guerra. “Essa é a regra que tem vindo a ser adotada e está em vigor, não há alteração à regra definida e que está em vigor”.