Seis finais, um registo completamente empatado. Até 2026, a Argentina já tinha estado em seis finais de Campeonato do Mundo ao longo da história: perdeu três, em 1930 com o Uruguai, em 1990 com a RFA e em 2014 com a Alemanha, e ganhou outras três, em 1978 com a Holanda, em 1986 contra a RFA e em 2022 contra França. A final do próximo domingo, uma final inédita contra Espanha, será a sétima e também o desempatar do registo.

Com a vitória contra Inglaterra nas meias-finais, a Argentina ultrapassou desde já as seis finais que Itália tem, igualou as sete do Brasil e colocou-se a uma das oito da Alemanha, que continua a ser o país com mais presenças em finais do Campeonato do Mundo. Os argentinos estão na final do Mundial pela segunda edição consecutiva, podendo também sagrar-se bicampeões mundiais — um feito que só Itália (1934 e 1938) e Brasil (1958 e 1962) conseguiram alcançar.

Foi mesmo pelas Malvinas, por Diego, pela última de Leo — e pela equipa que tem uma Mão de Deus a ajudar (a crónica do Inglaterra-Argentina)

Contra Inglaterra, os argentinos chegaram às sete vitórias no Mundial 2026, sendo que nunca tinham vencido tantos jogos numa única edição da competição e igualaram o registo do Brasil em 2002, e já levam 19 golos marcados, sendo que também nunca tinham marcado tanto num Campeonato do Mundo e ultrapassaram o próprio registo máximo, em 1930, com 18 golos.

Em termos individuais, Lionel Messi assinou mais duas assistências e chegou às 12 no Mundial 2026, um registo sem qualquer tipo de paralelo, completou nove dribles na meia-final desta quarta-feira, algo que nunca ninguém tinha feito contra Inglaterra numa eliminatória de um Campeonato do Mundo, e leva agora 13 jogos consecutivos a marcar ou assistir por clube e seleção, naquela que é já a segunda maior série do género na carreira. Adicionalmente, no próximo domingo, vai igualar Cafu enquanto os únicos jogadores que participaram em três finais de Campeonato do Mundo: o brasileiro esteve em 1994, 1998 e 2002, conquistando duas, e o argentino esteve em 2014 e 2022 e agora em 2026. Pelé, Ronaldo, Pierre Littbarsk e Lothar Matthäus foram convocados para três finais, mas não jogaram nas três.

Depois do apito final, um dos porta-vozes argentinos na zona de entrevistas rápidas foi Lautaro Martínez, que começou no banco e entrou para marcar o golo da reviravolta que carimbou o apuramento. “Eles cansaram-se. Pressionaram durante 60 minutos e já não conseguiam mais. Com o golo meteram-se mais atrás e isso deu-nos mais tranquilidade, colámo-nos à grande área. Três anos e meio depois voltámos a jogar uma final de um Campeonato do Mundo”, começou por dizer.

Mais à frente, o avançado do Inter Milão garantiu que sabia que ia marcar um golo. “Sou um homem, aproveito a vida. Sonhei, juro que sonhei. Disse ao Alexis [Mac Allister] que ia marcar um golo e também disse ao Facu [Medina] no banco que ia entrar e ia ganhar o jogo para nós. O Enzo também fez um golaço e esta equipa continua a demonstrar aquilo de que é feita”, completou.

Já Lionel Scaloni mostrou-se “sem palavras”. “É uma alegria para o nosso país e para a nossa gente. No outro dia disse que este grupo nunca deixa de me surpreender, vamos tentar ganhar tudo, dar tudo. Depois de tudo isto é difícil que as pessoas entendam o que estes jogadores demonstraram. Não é arrogância, somos únicos. De coração. Esta gente, os adeptos, levou-nos hoje a ganhar o jogo. A camisola, dar tudo até ao final, não guardar nada… Demonstraram que sentem isto como mais um de nós. Estou contentíssimo”, terminou. O selecionador argentino tinha pedido antes do apito inicial que a política fosse separada do jogo, afastando toda a polémica sobre a Guerra das Malvinas, mas nem os jogadores deixaram — e nos festejos, em pleno relvado, saltaram com uma tarja onde se lia “as Malvinas são argentinas”.

[Um poderoso empresário concorre à Câmara de Lisboa e vai fazer tudo para ganhar as eleições, ao mesmo tempo que vive um drama familiar: o filho foi raptado e está desaparecido há quase um mês. Onde está afinal José Valbom? “O Candidato Perfeito” é o novo podcast de ficção do Observador, em parceria com a Coyote Vadio, e é a continuação da história de “O Zé faz 25”. Conta com as vozes de José Raposo, Tiago Teotónio Pereira, Madalena Almeida, Vera Moura, Paulo Calatré, Susana Brandão, Sara Matos, Fábio Baptista, Pedro Laginha e Carla Andrino. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]