É incomum, mas o contexto acabou por ajudar. Pela primeira vez desde 2022/23, época marcada pelo Campeonato do Mundo do Qatar durante o inverno, o Benfica voltou a realizar um jogo particular com a época em andamento. A justificação para a decisão inusitada prendia-se com a equipa técnica nova, que leva pouco tempo de trabalho, com o facto de o plantel ainda não estar fechado e os jogadores que chegaram longe no Mundial-2026 precisarem de ganhar ritmo e pelo teste ao novo relvado do Estádio da Luz, que foi mudado depois de mais uma época de concertos, precisando de rodagem antes da receção ao St. Gallen. Foi precisamente frente aos suíços que as águias arrancaram oficialmente a nova época, num jogo que não perdurará na memória dos benfiquistas (fora, 1-2).

A boa notícia é também a má notícia: há um segundo jogo na eliminatória (a crónica do St. Gallen-Benfica)

Esse jogo voltou a trazer à tona os problemas dos encarnados na transição defensiva, numa altura em que António Silva tem sido apontado à saída, mas Tomás Araújo precisa de ritmo competitivo. Na baliza perspetiva-se que Samu Soares venha a ter mais oportunidade à frente de Anatoliy Trubin, que, apesar de não ter tido influência direta nos dois golos helvéticos, voltou a ficar aquém do esperado. Por outro lado, o reforço Jakub Kaminski foi o pior elemento em campo, acrescentando pouco a um ataque que teve deficiências na fase de criação. Pela positiva, Rafa Silva e Vangelis Pavlidis foram os maiores destaques, a par do “menino” Miguel Figueiredo que não acusou a pressão da estreia.

“Em termos de melhorar a equipa, claro que tem de haver impacto. Se voltarmos a jogar ao nível a que jogámos hoje [quinta-feira], sabemos que nos esperam surpresas desagradáveis. É simples: temos de melhorar como equipa, na forma como abordamos o jogo, na capacidade para resolver duelos individuais, para tirar adversários da frente e, sobretudo, quando a bola chega ao último terço, resolver os problemas individuais que o jogo nos coloca. O jogo levantou-nos questões, tanto do ponto de vista tático como individual, às quais não respondemos como devíamos. Naturalmente, temos de melhorar. Se digo que a exibição esteve muito abaixo daquilo que podemos e devemos fazer, então temos mesmo de melhorar muito. Se queremos passar a eliminatória, esse nível tem de aparecer. Depois do resultado e da exibição de hoje, não esperem que eu seja negativo e diga que uma semana não chega. Depois daquilo que fizemos hoje, temos obrigação de chegar muito melhores ao jogo da próxima quinta-feira”, assumiu Marco Silva na Suíça.

Ficha de jogo

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Benfica-Belenenses, 5-1

Jogo de preparação para a época 2026/27

Estádio do Sport Lisboa e Benfica, em Lisboa

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

Benfica: Samu Soares (Diogo Ferreira, 63’); Amar Dedic (Daniel Banjaqui, 46’), Tomás Araújo (Gabriel Índio, 46’), Rui Silva (João Fonseca, 63’), José Neto; Enzo Barrenechea (Rafael Quintas, 78’), João Rego (Olívio Tomé, 46’), Gonçalo Moreira (João Capucho, 78’); Franjo Ivanovic (Francisco Bernardes, 86’), Gianluca Prestianni e Anísio Cabral (Jhon Durán, 46’)

Treinador: Marco Silva

Golos: Anísio (2’), Bruninho (33’), Ivanovic (g.p., 38’), Prestianni (45’ e 55’) e Durán (54’)

Ação disciplinar: —

Como era de esperar, o treinador português não contou com os titulares e um dos suplentes — Tiago Gouveia — utilizados na visita ao St. Gallen frente ao Belenenses, utilizando de início Enzo Barrenechea, João Rego e Franjo Ivanovic, que saíram do banco na Suíça. Já Amar Dedic, Tomás Araújo, Gonçalo Moreira e Anísio Cabral fizeram a estreia nesta pré-temporada, no que concerne aos jogos com público, ao passo que a grande novidade no banco foi a presença do reforço Jhon Durán. Cumprido o minuto de silêncio em homenagem a Luís Represas, que era adepto do Belenenses, o Benfica entrou com tudo e colocou-se a vencer antes do minuto e meio, com Rego a picar para José Neto, que tocou à direita para o remate certeiro de Anísio, que só teve de encostar (2′).

Ao contrário do que se esperava, a frente de ataque ficou para Anísio, com Ivanovic a deslocar-se para o corredor direito e Prestianni a fechar à esquerda, ao passo que Moreira e Rego se juntaram a Enzo no meio. Ainda assim, com bola, o camisola 77 tendeu a apresentar-se muito móvel por todos os corredores, com João Rego a fazer movimentações de dentro para fora na direita e Ivanovic a deambular para o meio. Pouco depois do golo, Prestianni rompeu pelo meio e, à entrada da área, atirou ao lado (12′). Os azuis do Restelo não se contiveram e, depois de um erro de Barrenechea na saída, Diogo Leitão recebeu na área e atirou forte para defesa apertada de Samu (28′). Com o Belenenses cada vez mais confortável com bola e a chegar com perigo à área adversária, Diego Riechelmann bateu para o ataque, Silva falhou o domínio e deixou Bruninho isolado, que, depois de contornar Soares, fez o empate (33′). Logo a seguir, Dedic foi tocado em falta por Evandro Barros dentro da área e, na cobrança, Ivanovic fez o 2-1 (38′).

Na primeira parte ainda houve tempo para Anísio receber de Prestianni e cruzar atrasado para Gonçalo Moreira, que, completamente sozinho, atirou por cima (40′). Logo a seguir foi a vez de Afonso Afonso errar no passe de deixar a bola para Prestianni, que atirou colocado para o terceiro em cima do intervalo (45′). Para a segunda parte entraram Gabriel Índio, Daniel Banjaqui, Olívio Tomé e Jhon Durán e não foi preciso muito para fazerem a diferença, com Índio a descobrir Olívio na esquerda com um grande passe, o extremo contemporizou e colocou ao meio em Durán, que só teve de encostar (54′). Logo a seguir, Rui Silva antecipou-se a meio-campo e cabeceou para o colombiano, Riechelmann saiu mal da baliza e o ponta de lança tocou para Prestianni, que atirou para a baliza deserta (55′). Já com João Fonseca e Diogo Ferreira em campo, Enzo (65′) e Ivanovic (71′) falharam o golo e, na outra baliza, Diogo Leitão cabeceou para fora num lance de bola parada (74′).

Na parte final entraram João Capucho e Rafael Quintas, com José Neto e Gianluca Prestianni a perfilarem-se como os únicos totalistas. O lateral foi inclusivamente testado numa nova posição, surgindo no meio, ao lado de Quintas. Ainda houve tempo para Diogo Ferreira se mostrar com uma grande defesa a remate de Bruninho, que teve origem num mau atraso de Índio (88′).

O destaque

  • Este jogo serviu apenas para Gianluca Prestianni ganhar ritmo competitivo e entrosamento com os colegas, dado que, em termos de qualidade, esteve muito acima dos demais, mostrando uma melhoria considerável na tomada de decisão. Numa altura em que parece faltar intensidade ao novo Benfica, o argentino destaca-se em campo pela raça com que aborda cada disputa de bola e não deverá tardar muito a conquistar um lugar no onze de Marco Silva.

A surpresa

  • Não é propriamente uma surpresa por conta do estatuto que tem e do valor que o Benfica pagou (ou pode vir a pagar) pelo seu passe, mas a estreia não podia ter corrido melhor a Jhon Durán, que marcou e assistiu nas primeiras ocasiões em que tocou na bola. No primeiro lance leu na perfeição a desmarcação de Olívio Tomé, antecipou-se aos centrais e completou à ponta de lança, ao passo que, no segundo, apareceu bem em apoio, servindo Prestianni.

As ausências

  • De fora deste jogo ficaram, naturalmente, os 11 jogadores titulares na Suíça, mais Tiago Gouveia: Trubin, Bah, António Silva, Lenglet, Dahl, Manu, Miguel Figueiredo, Rafa, Sudakov, Kaminski e Pavlidis. Quanto aos mundialistas, Richard Ríos e Dodi Lukebakio já estão a treinar no Seixal, ao passo que Andreas Schjelderup e Fredrik Aursnes juntam-se ao grupo no fim de semana. Já Jaden Umeh e Bruma continuam lesionados, sendo que o português deve estar de saída da Luz.

O que se segue

  • Dentro de seis dias, o Benfica tem pela frente a primeira “final” da temporada, já que está obrigado a vencer o St. Gallen para seguir para a terceira pré-eliminatória da Liga Europa. A segunda mão disputa-se no Estádio da Luz, às 20 horas de quinta-feira. Depois, é certo que as águias têm uma semana de descanso, voltando a atuar nas competições europeias na quinta-feira seguinte, dia 6 de agosto, na terceira pré-eliminatória. Resta saber se será da Liga Europa, com a provável receção ao Hearts (perdeu 4-0 em casa do Sturm Graz), ou na Liga Conferência, onde deverá encontrar o Sheriff (perdeu 5-0 em casa com o Maccabi Telavive).