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Fonte: Observador

"Enquanto vocês dividem, nós unimos": depois de um Mundial em silêncio, Infantino deixou mensagem aos que "semearam ódio"

O presidente da FIFA defendeu que o Mundial foi "100% seguro, com apenas diversão e felicidade", com "zero incidentes, zero hostilidade, zero violência, pura alegria" e ainda lembrou o caso Balogun.

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▲Gianni Infantino esteve no centro de várias polémicas ao longo do Campeonato do Mundo

FIFA via Getty Images

▲Gianni Infantino esteve no centro de várias polémicas ao longo do Campeonato do Mundo

FIFA via Getty Images

Gianni Infantino foi muito criticado durante o Mundial. O seu mandato na presidência da FIFA tem sido, aliás, muito criticado mesmo antes do início da prova que ocorreu no México, EUA e Canadá. Mas, durante a competição, as críticas adensaram-se com a recusa de um visto ao árbitro somali Omar Artan, ainda antes do início do Mundial-2026 e após ter sido perdoado um castigo a Folarin Balogun. O atleta norte-americano foi expulso nos oitavos de final e, sem esse perdão — alegadamente pedido por Donald Trump — o jogador não marcaria presença nos quartos de final da prova, fase em que os EUA caíram com a Bélgica.

No meio de um debate público sobre se o futebol se havia deixado misturar com a política, estava Infantino, que nunca respondeu diretamente a qualquer crítica, incluindo as de Joseph Blatter, antigo presidente da FIFA, que disse que era exatamente isso que estava a acontecer. O atual presidente da maior organização do futebol do planeta mantinha o silêncio durante as suas aparições quase omnipresentes a cada estádio em que o Campeonato do Mundo se disputava. Esse silêncio acabou no último domingo, com Infantino a lançar uma resposta a todos aqueles que estão “atrás de canetas e papéis, atrás de ecrãs, a espalhar ódio e boatos falsos”, escreveu no seu perfil no Instagram.

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“A todos aqueles que sentiram falta do nosso belo desporto, das emoções, das celebrações, das risadas, das lágrimas, da desilusão e da alegria. A todos vós que sentiram falta de ver crianças, bebés, avós e pais a reunirem-se em torno do belo desporto, peço desculpa por os jogos terem agora terminado e por terem perdido toda essa alegria e união. Lamento por terem estado tão consumidos pelo ódio e pelas críticas que perderam tudo isso”, começou por escrever Gianni Infantino, que prosseguiu, afirmando que, enquanto alguns criticavam, a FIFA continuava a trabalhar. “Aos que, por trás das suas canetas e papéis, por trás dos seus ecrãs, espalham ódio e boatos falsos, quero dizer que, enquanto vocês ficam sentados atrás, nós, na FIFA, estamos na linha da frente a organizar, a trabalhar arduamente e a proporcionar o melhor espetáculo do mundo”, escreveu. “Enquanto vocês se escondem, nós percorremos as ruas do Canadá, do México e dos EUA, conversámos com os adeptos, interagimos com as pessoas e garantimos a segurança de todos”, acrescentou.

E prosseguiu com duras palavras a quem o critica: “Enquanto vocês dividem, nós unimos”, defendeu, garantindo que o Mundial foi “100% seguro, com apenas diversão e felicidade”, com “zero incidentes, zero hostilidade, zero violência, pura alegria, emoções, felicidade”, além da “união” que a FIFA, segundo Infantino, promoveu entre “dois países em guerra” — Irão e EUA, que não permitiram a estadia dos iranianos no seu território por mais de 48 horas, o que obrigou os asiáticos a estagiar no México, quando o quartel-general inicialmente delineado era em Tucson, no Arizona.

Este esforço da FIFA acontecia enquanto muitos “semearam ódio”, frisou o líder da FIFA. “O Irão entrou nos Estados Unidos sem incidentes nem conflitos. Quando a seleção iraniana começou a jogar, todos os cânticos contra ela transformaram-se numa única canção. A seleção iraniana recebeu vistos de entrada porque o futebol tem a ver com a paz”, sublinhou, apesar das circunstâncias em que a seleção iraniana marcava presença nos seus jogos nos EUA, com as longas viagens do México até território norte-americano a ocorrerem poucas horas antes do apito inicial.

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A comitiva iraniana não foi a única a receber vistos de entrada nos EUA, destacou Infantino, que aponta o dedo a quem destacou “as poucas pessoas” que não o receberam: “Foram concedidos vistos a países que enfrentam graves problemas de saúde ou outros desafios. Vocês mencionaram as poucas pessoas a quem foram recusados vistos e ignoraram os milhões a quem foram concedidos, provenientes de todas as partes do mundo”, escreveu, sem nunca esquecer os remetentes da mensagem, dando o exemplo do Haiti — um país que “o futebol deu a conhecer ao mundo” e que muitos “não podem ou optam por não visitar”. “Talvez seja altura de pousar as canetas e os teclados e demonstrar algum respeito pelas equipas que jogaram com o coração”, atirou.

Ainda assim, Gianni Infantino considerou “compreensível” a insatisfação dos seus críticos, sem nunca especificar quem, “com algumas decisões tomadas pelas autoridades competentes”. No entanto, o líder da FIFA pediu que “consultem os registos públicos: tais decisões são comuns em algumas das ligas mais importantes”. E foi nessa altura, na sua mensagem, que Infantino abordou a questão disciplinar mais falada deste Mundial — o caso Balogun —, sem nunca referir nomes nem mencionar o telefonema que Trump lhe havia feito a propósito da mesma, escudando-se em “algumas das maiores ligas do mundo”: “De facto, decisões ‘discutíveis’ dos árbitros ou medidas disciplinares ‘estranhas’ — como, por exemplo, cartões vermelhos ou amarelos potencialmente errados ou decisões subsequentes de não suspender jogadores em determinadas situações — são rotineiras e amplamente aceites em algumas das maiores ligas do mundo. É curioso que os mesmos países que adotam estas práticas sejam os que mais criticam”, afirmou, depois de, parágrafos antes, ter escrito que o futebol “não é sobre política”.

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Antes de se revelar “orgulhoso” por ter feito parte do “espetáculo” que a FIFA organizou, Infantino fechou a sua mensagem com mais palavras dirigidas aos principais visados no seu comunicado: “Aos que gastam o seu tempo e energia a odiar-nos, por favor, reservem um momento para refletir, meditar, rezar ou assistir a um jogo de futebol e observar verdadeiramente os rostos, os olhos, as emoções. Porque só o nosso belo desporto consegue proporcionar um espetáculo tão extraordinário, um espetáculo em que todos se tornam um só e se reconectam como seres humanos”, defendeu.

“Às canetas e aos papéis, a todos os ecrãs, que possam encontrar amor e paz onde as pessoas por trás de vós não conseguiram. Que encontrem a paz; nós, na FIFA, encontrámos a nossa e transmitimo-la, organizando o mais extraordinário Campeonato do Mundo da FIFA. Que o futebol se eleve acima de todo o ódio”, concluiu Gianni Infantino.

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