Pauline Hanson, a líder do partido One Nation australiano, perdeu, esta segunda-feira, o recurso da decisão que a condenou a apagar a publicação de cariz racista e islamofóbico contra uma outra senadora, Mehreen Faruqi, líder do partido verde da Austrália. A política populista de direita teve ainda de pagar os custos legais do processo.

O tribunal considerou que a recorrente, conhecida pelas suas posições duras sobre imigração, discriminou racialmente Mehreen Faruqi, ao responder a um post da senadora do partido verde, dizendo que devia regressar ao Paquistão. Na mensagem na rede social Twitter (atualmente X), que foi posteriormente apagada por ordem do tribunal, podia ler-se: “Quando imigrou para a Austrália, aproveitou todas as vantagens deste país. É óbvio que não é feliz aqui, portanto faça as malas e ponha-se a andar para o Paquistão” (tradução livre do tweet publicado em inglês).

A publicação surgiu numa reação de Faruqi à morte da rainha Elizabeth II, em setembro de 2022: “As minhas condolências a quem conheceu a Rainha. Não posso lamentar a líder de um império racista construído sobre vidas, terras e riquezas roubadas de povos colonizados”.

Pauline Hanson sugeriu, então, que a senadora regressasse ao Paquistão, utilizando uma frase — “It’s clear you’re not happy, so pack your bags and piss off back to Pakistan” — que o juiz Angus Stewart considerou, em 2024, evocar o slogan “voltem para o vosso país”. O magistrado descreveu-o como um estereótipo racista de longa data e que ataca, “implicitamente”, muçulmanos, recorda o The Guardian.

Faruqi, que se mudou do Paquistão para a Austrália em 1992 e é a primeira mulher muçulmana a integrar qualquer parlamento australiano, não ficou quieta. Processou Hanson e ganhou.

A líder nacionalista recorreu então da sentença para o Full Federal Court of Australia, argumentando que a liberdade de discurso político devia ser protegida pela justiça. Mas não teve o desfecho que desejava. Esta segunda-feira, o coletivo de três juízes manteve, por unanimidade, a decisão de 2024, informa a agência de notícias Reuters.

“Desapontada” com a posição do tribunal, a senadora disse que juntamente com a sua equipa ia analisar a decisão com vista a recorrer, desta vez para o Supremo Tribunal Australiano, a última instância judicial no país.

Já Mehreen Faruqi ficou claramente satisfeita. À porta do tribunal, considerou a vitória em tribunal “para todos os que já sentiram que o seu lugar no país era condicional”. Reiterou ainda que o caso sempre esteve relacionado com “racismo”, afirmando que “discurso de ódio não é liberdade de discurso.”

Frequentemente comparada a figuras como Marine Le Pen, em França, Geert Wilders nos Países Baixos ou Nigel Farage, no Reino Unido, a líder do partido One Nation quer proibir a imigração de muçulmanos. Este ano já esteve no centro de uma outra polémica, quando referiu numa entrevista que não existem “muçulmanos bons”, relembra a BBC.

Fundado em 1997, o partido de direita começou a destacar-se com a política dura e austera sobre migração de Hanson.

Texto editado por Dulce Neto

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