Ao segundo jogo no Estádio da Luz, a segunda goleada da temporada. À semelhança do que aconteceu há uma semana, o Benfica voltou a embalar nas pré-eliminatórias da Liga Europa em casa, bem junto dos seus adeptos, que desta vez superaram a fasquia dos 60 mil. Apesar de ainda faltar a visita a Edimburgo, a equipa de Marco Silva voltou a entrar forte e chegou à goleada ainda na primeira parte, pelo que está praticamente apurada para o playoff da segunda competição europeia, onde vai defrontar o derrotado da eliminatória entre o Aarhus e o Sabah — os dinamarqueses ganharam em casa (2-1). Nesta primeira mão marcaram Rafa Silva, Tomás Araújo, Vangelis Pavlidis (g.p.), Gianluca Prestianni, Jhon Durán e Andreas Schjelderup (6-1).

Não há Hearts que resista ao engenho dos pupilos que seguem a Luz do novo capitão em dia sagrado (a crónica do Benfica-Hearts)

Frente ao Hearts, Samu Soares foi a grande novidade de Silva e estreou-se nas competições europeias, ainda que na fase de acesso à fase principal. Já o ex-internacional português, que abriu as contas, faturou pela 27.ª vez nas provas UEFA e tornou-se no oitavo melhor marcador português, atrás de Cristiano Ronaldo (145), Eusébio da Silva Ferreira (52), Bruno Fernandes (34), José Torres (29), Nené (29), Luís Figo (28) e Ricardo Horta (28). Já Araújo, que envergou a braçadeira de capitão, estreou-se a marcar na nova época e nas provas europeias, e igualou o seu registo das últimas quatro temporadas. Já Pavlidis fez o 65.º golo em 113 jogos na Luz, levando agora cinco tentos em três partidas em 2026/27.

Esta quinta-feira ficou ainda marcada pela presença de Pedro Proença no Estádio da Luz, numa altura em que a contestação em torno do presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) continua a adensar-se. O dirigente já tinha estado no Municipal de Braga na última semana mas, ao contrário dessa ocasião, não se sentou ao lado do presidente do clube da casa. Nesta ocasião, o selecionador Jorge Jesus, o diretor João Vieira Pinto, o secretário-geral Rui Pereira Caeiro e o diretor executivo Lourenço Coelho acompanharam Proença, segundo a nota da FPF. Na transmissão televisiva foi possível ver-se Jesus ao lado de João Pinto.

“A nossa forma de jogar vai ter de passar pela paciência com bola na construção. Sabemos e compreendemos a cultura do clube. Este clube vence de forma clara, a sua história passa por jogar muitas vezes com um segundo avançado muito perto do avançado. Temos vindo a jogar com o Sudakov em zonas adiantadas, mas os adeptos querem e precisam que a equipa jogue rápido. Por vezes queremos que as coisas sejam mais pausadas para acelerarmos no momento certo. Temos que dar esse equilíbrio à equipa. O primeiro golo é um excelente momento da equipa, é algo que temos vindo a trabalhar. Dá confiança aos jogadores porque percebem que o que trabalhamos acontece no jogo. Tivemos muitos bons momentos na primeira parte, mas em alguns momentos faltou-nos rodar a bola de um corredor ao outro para mexer com a estrutura do adversário”, começou por analisar Marco Silva à LiveModeTV.

“A segunda parte foi um pouco diferente. Não entrámos tão bem, o adversário mudou a estrutura e demorámos a ajustar os nossos momentos de pressão. Os jogadores que entraram demoraram a entrar naquilo que é o ritmo do jogo e, quando o fizeram, acalmámos e marcámos. Deixámos andar o jogo de uma forma mais controlada. É uma vitória importante para nós, em mais um jogo oficial que também é de preparação. Esta é a realidade. Há jogadores que ainda estão em processo de chegada do Mundial e de reconhecimento das ideias que queremos para a equipa. É sempre bom gerir a condição física de alguns jogadores que estão em início de época”, acrescentou.

Questionado sobre a titularidade de Samu na baliza, o lisboeta disse que se tratou apenas de uma “decisão técnica”. “É uma decisão pensada. Há uma excelente concorrência entre o Trubin e o Samuel, com o Diogo [Ferreira] sempre à espreita, que é um guarda-redes em que acreditamos muito. Há uma competição muito grande entre os três e estou cá para tomar decisões a pensar no que é melhor para a equipa”, completou Marco Silva, que falou à BTV sobre o posicionamento de Rafa: “Queria um jogador completamente aberto no corredor esquerdo, mesmo que isso alterasse a posição do Rafa. Todos sabemos que o Rafa, hoje em dia, é muito mais jogador de posição central. Optámos pelo Prestianni na esquerda e por deixar o Rafa a vir buscar espaço à direita. Foram as dinâmicas que queríamos. Mesmo com o Prestianni na direita nunca seria o Rafa a jogar na esquerda. Sabemos o que temos de lhe dar para ele render, que é sempre muito mais no corredor central ou perto”.