A Federação Nacional dos Baldios (Baladi) defendeu esta quarta-feira um programa nacional e protocolos diretos com as comunidades baldias para uma “prevenção efetiva” dos incêndios, que incluam pastoreio, silvopastorícia, manutenção de caminhos e pontos de água.
A proposta da Baladi, com sede em Vila Real, surge na sequência das conclusões do relatório da Comissão Técnica Independente sobre os incêndios de agosto de 2025.
A federação disse que o relatório “aponta fragilidades na atual estratégia de gestão de combustíveis, marcada por intervenções pontuais e sobretudo lineares que não têm sido suficientes para produzir mudanças significativas à escala da paisagem”.
Entre as recomendações do relatório, a Baladi destacou a proposta de celebração de protocolos de gestão de combustível diretamente com os órgãos gestores dos baldios, uma medida que “reconhece o papel das comunidades locais na gestão permanente dos territórios rurais”.
Nesse contexto, a federação defendeu a criação de um programa nacional plurianual, com financiamento estável, que inclua o pastoreio e a silvopastorícia, a gestão da vegetação e dos mosaicos agroflorestais, o fogo controlado, a manutenção de caminhos e pontos de água e a valorização do conhecimento local.
“É necessário envolver mais diretamente compartes, pastores, sapadores e dirigentes comunitários na definição das medidas de prevenção e a Baladi lamenta que o relatório não apresente dados específicos sobre a área de baldios afetada pelos incêndios”, sublinhou.
Para a organização, a prevenção dos grandes incêndios exige uma presença contínua no território e uma maior valorização das comunidades que diariamente asseguram a gestão dos espaços rurais.
A Baladi é uma associação de âmbito nacional criada em 2002 e tem como objetivos coordenar e dirigir o movimento associativo dos baldios, representar os órgãos de administração dos baldios e o seu movimento associativo junto dos órgãos de soberania, departamentos oficiais, autarquias locais e outros organismos nacionais e internacionais e apoiar o movimento associativo dos baldios.
O relatório da Comissão Técnica Independente (CTI), que avaliou os incêndios rurais de agosto de 2025 e a evolução do sistema desde 2017, destaca que “Portugal tem desde há décadas um problema de incêndios rurais muito superior a qualquer outro país europeu, sem que tenha havido até hoje um investimento político proporcional à importância e à gravidade do problema”.
No documento, entregue no parlamento, os 12 especialistas que analisaram a resposta aos fogos de 2025 apresentam 20 recomendações “assumidas como prioritárias e exequíveis”, considerando que “de pouco serve aumentar mais o investimento em gestão de combustíveis, se o dispositivo de supressão não souber aproveitar devidamente as oportunidades criadas por esse investimento”.
O relatório concluiu que a reforma introduzida depois dos incêndios de 2017 falhou, demonstrando que o país não teve capacidade para responder aos grandes fogos do ano passado.
No ano passado registaram-se 8.256 incêndios rurais e 271.587 hectares de área ardida, correspondendo à quarta maior área queimada desde que existem registos oficiais e o incêndio de Piódão, no concelho de Arganil, com mais de 65 mil hectares, foi o maior registado em Portugal.