A música tocou como previsto, mas esta quarta-feira, durante 30 minutos, muitos olhos com óculos de papel viraram-se para o céu e para o sol, para ver, no festival Paredes de Coura, um eclipse “muito incrível” e “histórico”.
Pelas 19:30, alguém diz “é agora”, outros ensaiam uma contagem decrescente, ouvem-se vários “uau” e a lua quase tapa o sol, transformando-o numa espécie de minúscula lua minguante; ficou uma noite de luz estranha, ouve-se “já se está a ir embora” e num instante passou e voltou a ser fim de dia.
Carolina, estudante de 22 anos, achou o fenómeno “giro e muito incrível” e “histórico” por ser raro, mas, ao mesmo tempo “muito estranho”, meio místico.
João Nascimento, engenheiro de 25 anos, era “para ter ido a Espanha” ver o eclipse, mas ficou-se pelo recinto do festival da vila minhota de Paredes de Coura, no distrito de Viana do Castelo e antes das 19:00 já tinha localizado um local aparentemente privilegiado para ver o fenómeno, porque tem “um fascínio pela astronomia” e só se volta a ver igual “daqui a 120 anos”.
Pelas 18:40 começa o tira e põe dos óculos do eclipse que o investigador Lucas Falcão, de 26 anos, considera “importante, por estar muito investido na Ciência”.
Marta Mota, de 24 anos, também investigadora, destaca a importância do fenómeno: “É uma coisa rara, que tão cedo não vamos conseguir ver desta forma quase total”, descreve.
Maria Correia, de 19 anos, preocupava-se pelas 17:00 com os óculos para ver o eclipse, que a organização distribuiria, mas que ela não sabia onde, sendo que na entrada “o staff não sabia de nada”.
“Anda imensa gente à procura dos óculos”, exclama, para quase uma hora depois se cruzar com a Lusa bem mais satisfeita, já com uns de óculos de papel para não perder o eclipse.
Aos 70 anos, Elvira Carvalho não faltou ao festival onde marca presença “desde que começou”, há 32 anos, nem ao eclipse.
“Não é que ligue muito, mas já que acontece, quero ver”, explica, do lado direito do palco principal onde tocava Salvador Sobral, na companhia do neto de 10 anos.