O presidente da Câmara da Batalha garantiu esta sexta-feira que o projeto que tem para o concelho “não caiu quando caíram as árvores” e destacou a resiliência de todos após a tempestade Kristin.
“Este 14 de agosto deve também marcar um virar de página. Não para esquecer o que aconteceu, mas para seguir em frente. A tempestade obrigou-nos a mudar prioridades e a usar recursos que estavam alocados a outros planos. Mas não mudou aquilo que queremos para a Batalha. O nosso projeto não caiu quando caíram as árvores. Continuamos a recuperar e a construir“, disse André Sousa, no discurso do Dia do Município.
Sublinhando que a tempestade Kristin “atingiu profundamente” a Batalha com “danos muito significativos”, o autarca disse que “houve perdas que nenhuma obra ou apoio conseguirá reparar”.
André Sousa destacou o “espírito de entreajuda entre vizinhos”, que “foi notório” e aplaudiu as “muitas pessoas, empresas e organizações de fora do concelho e de fora do país” que escolheram estar ao lado da Batalha.
“Diz-se que, quando as raízes são profundas, não há razão para temer o vento. E as nossas raízes são profundas. Estão na nossa História, na nossa identidade e, acima de tudo, nas pessoas que fazem da Batalha aquilo que ela é. Foi isso que a tempestade pôs à prova. E foi isso que nos manteve de pé”, apontou.
Pegando na data histórica de 14 de agosto de 1385, quando Portugal “perante um exército muito superior, venceu com estratégia, coragem e capacidade para unir”, André Sousa considerou que “Aljubarrota deixou uma lição que continua atual: os grandes desafios não se vencem apenas com recursos”.
O presidente desta Câmara do distrito de Leiria adiantou que “ser da Batalha é pertencer a uma comunidade que conhece o peso da História, mas que nunca viveu apenas dela” e está “habituada a trabalhar, a construir e a seguir em frente”.
A presença do Presidente da República, António José Seguro, nas comemorações “representa o reconhecimento de Portugal a esta comunidade”, afirmou André Sousa, ao “reconhecer também o papel do Estado”, do “Governo Central e dos serviços do Estado”, que sempre mostraram “disponibilidade para responder e ajudar”.
O autarca não se coibiu, contudo, de pedir “mais meios para os municípios”, o que significa “mais segurança para as pessoas”.
“O poder local não pede ao Estado que o substitua. Pede confiança e capacidade para agir”, referiu, sublinhando que é preciso “saber aproveitar novas oportunidades”, como a “futura ligação à rede ferroviária de alta velocidade, com acesso próximo da Batalha”, que poderá aproximar o concelho “ainda mais aos grandes centros urbanos de Lisboa e do Porto”.
A proximidade aos grandes centros não significa perder “a qualidade de vida” e “criar condições para os jovens viverem aqui, construírem as suas casas e encontrarem boas infraestruturas de água, saneamento, acessos e comunicações, cultura e educação”.
“Em 1385, Portugal não venceu pelos números, mas soube vencer com estratégia, coragem e capacidade. As batalhas de hoje são outras. Mas a responsabilidade continua a ser a mesma: estar à altura do nosso tempo e deixar mais a quem vier depois de nós. As nossas raízes são profundas, por isso não tememos o vento. Mas raízes profundas não servem apenas para resistir, devem servir para continuar a crescer”, rematou.
O Dia do Município fica marcado também pela inauguração da Unidade de Saúde da Batalha, com a presença do Presidente da República e da secretária de Estado da Saúde, Ana Povo.
Foram também entregues certificados de agradecimento a todas as empresas, entidades civis e militares, associações e voluntários que “disponibilizaram o seu tempo, trabalho e apoio para reabilitar o concelho da Batalha depois da passagem da tempestade Kristin”.