A era pós-Guardiola tinha começado da pior forma e esse início, por pouco, não se estendeu para o arranque do Manchester City na nova edição da Premier League. Dez anos depois de Pep Guardiola ter chegado a Manchester, o City abriu a época 2026/27 com um rosto diferente no banco. Enzo Maresca, antigo auxiliar do catalão, herdou um clube em transição — sem Bernardo Silva, sem Rodri, sem John Stones — e uma expectativa que nenhum treinador conseguiria gerir sem se sentir, pelo menos um pouco, a viver na sombra. A estreia competitiva não podia ter corrido pior: em Cardiff, no Principality Stadium, o Arsenal marcou ao 24.º segundo, por Calafiori, e nunca mais parou. Havertz e Ødegaard completaram o 3-0 que confirmou tudo o que se temia — e que Maresca resumiu com honestidade: “Conceder um golo tão cedo teve um impacto enorme no jogo”.
A primeira jornada da Premier League trazia o Bournemouth ao Etihad — a mesma equipa que, em maio, ao empatar com o City no Vitality Stadium, confirmou o Arsenal como campeão inglês. A ironia não passou despercebida. E havia um ângulo português particular neste encontro: Rúben Dias, capitão do City na era pós-Guardiola, líder de uma defesa que perdeu referências e está a ser reconstruída, do lado dos anfitriões. Do outro, António Silva, que deixou o Benfica depois de oito anos e chegou ao Bournemouth por 25 milhões de euros, a estrear-se na Premier League nesta mesma tarde, num dos jogos mais difíceis que poderia ter escolhido para o fazer.
Dois portugueses, dois eixos defensivos, dois momentos distintos de carreira — e um jogo que, para um lado e para o outro, tinha já muito peso antes do apito inicial. Para o City, era a oportunidade de responder ao Community Shield e de afastar os primeiros fantasmas da época de Maresca. Para o Bournemouth, que perdeu Marcos Senesi e viu Kroupi lesionar-se antes do arranque, era a primeira prova de fogo para um grupo que tem mostrado, em anos recentes, que sabe adaptar-se às perdas.
O jogo começou com um minuto de silêncio — em memória de Kevin Keegan, uma lenda do futebol inglês que morreu em julho —, mas foi o Bournemouth a fazer mais barulho logo a seguir ao apito inicial. A equipa visitante entrou melhor, com Rayan a rematar para grande defesa de Donnarumma aos 14 minutos, e Tavernier a desperdiçar uma boa oportunidade aos 40′. O City respondia esporadicamente, com Phil Foden a criar perigo e Haaland a falhar o alvo por duas vezes em situações promissoras — a mais flagrante aos 44′, quando encontrou espaço dentro da área mas rematou muito ao lado do poste esquerdo. Djordje Petrovic foi decisivo ao negar o golo a Haaland aos 39′, num cabeceamento que foi parar ao poste direito antes de ser defendido pelo guardião sérvio.
Mas antes das oportunidades perdidas, o golo. Foi o Bournemouth a chegar ao intervalo em vantagem. Aos 26 minutos, Evanilson fez um passe cirúrgico para a área, onde Tavernier apareceu a rematar para o golo. António Silva, que se estreava na Premier League nesta tarde — e logo no Etihad, frente a Rúben Dias, o capitão do City —, viu a sua equipa chegar ao descanso a vencer por 1-0.
Não era o arranque que Enzo Maresca esperava ???? Tavernier a gelar o Etihad ????
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A segunda parte não trouxe melhorias imediatas para o City. Elliot Anderson, um dos reforços mais esperados, lesionou-se aos 61 minutos e saiu de campo ainda antes de ter conseguido marcar a sua presença — um golpe duro para Maresca, que ficou sem o médio inglês no momento em que mais precisava de soluções.
Antes de tudo isso, havia um detalhe que não passou despercebido na chegada dos jogadores ao Etihad: Haaland apareceu de cabeça rapada. A magnífica cabeleira loira que o tornou num dos rostos mais reconhecíveis do Mundial, onde marcou sete golos e ganhou mais de 32 milhões de seguidores no Instagram, estava cortada. “Zlatan disse-me para nunca cortar o cabelo porque a força está no cabelo“, admitiu o norueguês, em julho, numa entrevista. Desta vez, não o ouviu. “Short hair don’t care”, escreveu nas redes sociais antes do jogo. Os adeptos do City que acompanhavam o marcador da primeira parte devem ter desejado que o tivesse mantido.
Porque Haaland não teve o seu melhor dia. Petrovic fez uma defesa extraordinária num cabeceamento ao poste direito aos 39 minutos, e o norueguês falhou o mais difícil aos 44′, com a baliza à sua frente e o remate a sair muito ao lado do poste esquerdo — um erro que arrancou um gemido ao Etihad. Na segunda parte, foi ainda mais frustrado: rematou para fora a curta distância aos 72′, e aos 75′ viu Petrovic voltar a negar-lhe o golo com uma defesa instintiva. Para um avançado que terminou a época passada como melhor marcador da Premier League com 27 golos, a tarde não podia ter corrido pior em termos de eficácia.
O Bournemouth, entretanto, ia resistindo com organização e não faltaram oportunidades em contra-ataque. Aos 79 minutos, Jebbison cabeceou junto ao poste após um livre, obrigando Donnarumma a uma defesa por instinto antes de o Bournemouth ganhar um canto. O guarda-redes italiano foi dos mais sólidos do City, tal como já tinha sido no Community Shield frente ao Arsenal. Marco Rose — que substituiu Iraola, entretanto contratado pelo Liverpool — trouxe uma equipa bem organizada ao Etihad, com António Silva a fazer uma estreia sólida na Premier League apesar da derrota final.
As substituições — Matheus Nunes, Rayan Cherki, Jack Grealish — tentaram agitar o jogo, mas foi Marc Guehi quem apareceu nas alturas para resolver: aos 84 minutos, na sequência de um canto de Rayan Cherki, o defesa subiu mais alto que toda a defesa do Bournemouth e cabeceou com precisão para o meio da baliza, apanhando Petrovic imóvel. Empate a um golo.
Guéhi volta a aparecer sozinho, mas desta vez não falha ????
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O City pressionou à procura do segundo, e o Etihad voltou a vibrar nos descontos quando Gvardiol fez o 2-1, já depois dos 90′. Depois de os festejos serem suspensos por um suposto fora de jogo, o árbitro Jarred Gillett confirmou a validade do lance no VAR. Depois de alguns momentos de suspense o esloveno festejou efusivamente. E Maresca respirou de alívio.
Gvardiol ao cair do pano ????
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A revisão confirmou o golo — e o City arrancou a época com três pontos conquistados da pior maneira possível: a sofrer, a reagir tarde e a depender de um golo nos descontos para não somar o segundo desaire consecutivo, frente a uma equipa com menos responsabilidades que o Arsenal. Para António Silva, a estreia na Premier League acabou com uma derrota. Para Rúben Dias, com o alívio de quem sabe que o City precisará de muito mais para recuperar o título.
???????????????????????????? PREMIER LEAGUE : City sofre para bater António Silva, Evanilson e Cia
???? O Man City viu-se aflito para evitar a derrota caseira na estreia na Premier, com golos obtidos apenas nos 10 minutos finais e marcados por dois centrais adaptados a outras posições
???? Evanilson… pic.twitter.com/Nt6X9xlFLi
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