Chegou há cerca de um mês e meio à Seleção Nacional e a primeira mudança já é conhecida. Não porque Jorge Jesus tenha anunciado a convocatória para a próxima paragem de seleções – os seus primeiros jogos como selecionador –, mas porque já elegeu um nome para a sua comitiva técnica. Esse nome é Bruno Alves, antigo internacional português e ex-FC Porto, que integrará os quadros da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para trabalhar com Jorge Jesus neste novo ciclo da Seleção no que à equipa técnica diz respeito.

A notícia foi avançada pelo Rio Ave – onde Bruno Alves ocupava o cargo de diretor técnico –, que divulgou um comunicado esta segunda-feira a dar conta da saída do antigo jogador da estrutura vila-condense, “na sequência do convite para integrar a estrutura da Seleção Nacional de Portugal”, onde “passará a desempenhar funções junto da Seleção Nacional, trabalhando de perto com o selecionador Jorge Jesus”.

“Bruno Alves, antigo internacional português, é o novo membro na estrutura das Seleções Nacionais. O antigo defesa central, que ocupava a posição de diretor técnico da estrutura do futebol profissional do Rio Ave FC, passará a trabalhar de perto com a Seleção A. Com 129 internacionalizações no total, 96 delas ao serviço da Seleção A, pela qual marcou 11 golos, Bruno Alves foi campeão europeu em 2016, tendo participado igualmente nas fases finais dos Europeus de 2008 e 2012, bem como nos Campeonatos do Mundo de 2010, 2014 e 2018, e ainda na Taça das Confederações em 2017. Regressa agora, aos 44 anos, para integrar a estrutura da Seleção Nacional A, reforçando a presença de antigos internacionais portugueses junto da equipa, um desejo que já tinha sido expresso pelo selecionador nacional, Jorge Jesus”, escreveu depois a Federação Portuguesa de Futebol numa nota oficial.

Bruno Alves chega agora a uma casa que conhece bem. Foram 96 jogos pela Seleção, com 11 golos e cinco assistências ao longo de uma década a representar as cores de Portugal, com passagens pelo Euro-2008, na Suíça e na Áustria, pelo Mundial-2010, na África do Sul, pelo Euro-2012, na Ucrânia e na Polónia, e pelo Mundial-2014, no Brasil, antes do Europeu que ajudou a conquistar em 2016, em França, e da convocatória para o Mundial de 2018, na Rússia.

A nível de clubes, antes do FC Porto – que representou entre 2005 e 2010 –, o antigo defesa-central esteve no Farense por duas temporadas, no V. Guimarães e no AEK de Atenas – todos por empréstimo dos dragões. Depois da Invicta, vestiu a camisola do Zenit por quatro temporadas, até 2012/2013, e no verão de 2013 mudou-se para a Turquia, para representar o Fenerbahçe. No verão de 2016, depois da conquista do Euro-2016, mudou-se para a sua primeira experiência no futebol italiano, trocando Istambul por Cagliari, onde esteve uma época. Mais tarde voltaria a Itália, mas antes de uma passagem em Glasgow, para jogar pelo Rangers, em 2017/2018. Na época seguinte, assinou pelo Parma, onde esteve durante três temporadas. Na sua temporada de despedida dos relvados representou os gregos do Apollon Smyrnis.

As contas demoraram (21 temporadas) a fazer, mas são simples: entre clubes e Seleção, foram 740 jogos e 48 golos marcados ao longo das mais de duas dezenas de temporadas ao serviço das equipas principais que representou – experiência que certamente agradou a Jorge Jesus, na procura do perfil certo para estar ao seu lado nos comandos da Seleção. Isso e o “conhecimento e visão sobre o futebol de alto rendimento” que o Rio Ave destaca na sua nota. Antes de chegar ao Arcos, Bruno Alves voltou ao AEK, não como jogador, mas como diretor desportivo do clube grego, logo após a sua saída do Apollon Smyrnis como atleta. Antes, Pepe também foi abordado para integrar a equipa técnica mas acabou por declinar o convite.

Ex-futebolista Bruno Alves assume cargo de diretor-desportivo do AEK Atenas

Agora, depois de Vila do Conde, Bruno Alves chega à Cidade do Futebol e estreia-se em simultâneo com Jorge Jesus na equipa técnica da equipa A: o próximo jogo de Portugal realiza-se no próximo dia 24 de setembro no Estádio José Alvalade, diante do País de Gales, a contar para a Liga das Nações.