Dez anos após o acidente que matou quatro profissionais da comunicação social na província moçambicana de Nampula, jornalistas sobreviventes vão promover uma campanha de reflexão sobre os riscos da profissão, através de um documentário, foi anunciado esta quarta-feira.
A iniciativa assinala uma década do acidente ocorrido a 1 de setembro de 2016, na localidade de Carapira, distrito de Monapo, a cerca de 100 quilómetros da cidade de Nampula, quando uma equipa de oito profissionais da comunicação social seguia em serviço. Dos nove ocupantes da viatura, três jornalistas e o condutor morreram no local, enquanto um quarto profissional faleceu cerca de 40 dias depois.
“Para nós, jornalistas da província de Nampula, este não é um dia qualquer. É um dia de tristeza e de memória”, afirmou esta quarta, em conferência de imprensa, Luís Rodrigues, um dos sobreviventes e promotor da iniciativa.
Segundo Luís, o tempo não deve significar o esquecimento dos profissionais que morreram em missão de serviço: “Foi um acidente de trabalho. Não foi uma viagem de lazer nem um acidente casual. Estávamos no exercício da profissão.”
O responsável explicou ainda que, no âmbito da homenagem promovida por um grupo de editores que integra três sobreviventes do acidente, em parceria com a Associação dos Jornalistas de Nampula, os participantes pretendem regressar ao local da tragédia para recolher testemunhos e produzir um documentário que recorde os acontecimentos e evidencie os riscos enfrentados pelos jornalistas no desempenho das suas funções, especialmente em deslocações para zonas remotas do país.
O tributo inclui ainda um evento que vai decorrer no dia 18 de dezembro para recordar as vítimas mortais, distinguindo os sobreviventes e reconhecidos profissionais que se destacaram pelo seu contributo para o setor da comunicação social.
“Queremos homenagear as famílias que estão de luto, os colegas que sobreviveram e também os profissionais que continuam a servir a sociedade através da informação”, acrescentou Luís.
Além do carácter evocativo, a organização pretende aproveitar a ocasião para reforçar o debate sobre as condições de trabalho dos jornalistas e a valorização da profissão.
“Conhecemos os nossos deveres e os nossos direitos, mas muitas vezes os direitos dos jornalistas acabam relegados para segundo plano”, lamentou.
O responsável apelou à adesão dos órgãos de comunicação social, instituições e público à iniciativa, defendendo que a sociedade deve reconhecer os desafios e sacrifícios associados ao trabalho jornalístico.
Concluiu afirmando que a informação que é dada “não é produzida de qualquer maneira. É importante mostrar à sociedade o valor do nosso trabalho e os riscos que muitos profissionais enfrentam para garantir o acesso à informação”.