Quarta-feira voltou a ser dia de sprint na Volta a Espanha. Depois de a Visma-Lease a Bike ter desiludido na véspera, no arranque da segunda semana de competição, redimiu-se na chegada a Lorca, com Wout van Aert a anular, uma vez mais, os ataques na fase final da etapa e a lançar Matty Brennan para mais um sprint perfeito rumo à vitória. O jovem britânico bateu Bryan Coquard (Cofidis) e Jordi Meeus (Red Bull-Bora-hansgrohe) e igualou Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) em número de triunfos nesta 81.ª edição da corrida roja: três. Como se perspetivava, não houve alterações na classificação geral, com Enric Mas (Movistar) a partir para mais uma etapa de alta montanha na liderança, à frente de Primoz Roglic (Red Bull) e Felix Gall (Decathlon CMA CGM).
“Tomámos a iniciativa, mais uma vez. Os rapazes deram tudo, mesmo depois do dia difícil de ontem [terça-feira]. Demos tudo de novo. Ao aproximarmo-nos da meta, mantivemos bem a nossa posição e sabíamos que éramos suficientemente fortes para estar onde queríamos. Os rapazes fizeram um trabalho fantástico nos últimos dez quilómetros para nos mantermos no sítio certo e cruzámos a linha de meta em primeiro lugar. Estou realmente contente. É fantástico. Faço parte de uma equipa repleta de grandes campeões. Temos ciclistas que já estiveram no pódio de Grandes Voltas, que até já as venceram, e ciclistas que venceram clássicas e grandes corridas. O facto de darem tudo por mim é uma oportunidade incrível. Estou realmente grato por darem tudo por mim”, assumiu Brennan no final da 11.ª etapa.
“Acho que a organização planeou esta etapa a pensar nos ventos laterais. O tempo é o que é, e o vento não estava suficientemente forte. Chegámos na mesma situação em que começámos, por isso estou contente. Tenho memórias realmente más [de Calar Alto, em 2017] porque estava doente nesse dia. Estamos sempre a brincar com o meu massagista, Juanjo Lobato. Ele era velocista e, em condições normais, eu teria de subir melhor do que ele, mas naquele dia chegámos juntos e ele está sempre a brincar sobre isso. Amanhã [quinta-feira] espero poder desfrutar daquela última subida e continuar a vestir a camisola de líder no alto”, perspetivou o espanhol de 31 anos, que apelou ao público para se deslocar à última subida desta quinta-feira.
La Vuelta Ciclista a Espana 2026 – Stage 12
???? Vera
???? Calar Alto
????????♂️ 166.5 Km
☀️ Weather: Clear sky
????️ 22°C (app 21°C, min 16°C – max 26°C)
☁️ Clou.: 0%, vis.: 100%
???? Hum.: 29%
????️ Wind: 11.2 km/h SSE (max: 11.3 km/h SE)
Route: https://t.co/5OI860o1TQ pic.twitter.com/JAAqsLQKOs— La Flamme Rouge (@laflammerouge16) September 3, 2026
As contas desta 12.ª etapa resumiam-se a 166,6 quilómetros, com 4.530 metros de desnível positivo acumulado distribuídos por cinco subidas: duas de primeira categoria, uma de segunda e duas de terceira. Como tem sido habitual nesta Vuelta, a partida deu-se em mais uma localidade que nunca tinha recebido a competição, em Vera, cidade de Almería conhecida por ser um dos principais pontos de nudismo do país vizinho. Quanto à chegada, Calar Alto voltou à última Grande Volta do ano nove anos depois, com a meta a ficar colocada junto ao maior observatório astronómico da Europa, a mais de 2.100 metros de altitude — a chegada mais alta desta edição. Até lá, os ciclistas tinham de passar por rampas sinuosas e com piso irregular, com a subida a ter 17 quilómetros a 5,6% de inclinação.
Sem David González (Pinarello Q36.5), Ben Tulett (Visma) e Lindsay de Vylder (Alpecin-Premier Tech), que não alinharam à partida, a terceira etapa mais dura desta Volta a Espanha arrancou a todo o gás, com João Almeida e Ivo Oliveira (Emirates) a tentarem integrar a fuga do dia, que só se formou antes do Alto de Cóbdar, já depois de Hamish McKenzie (Jayco AlUla) ter desistido e de Oscar Onley (Netcompany Ineos) ter caído. Nesse sentido, a dupla portuguesa juntou-se a mais 24 ciclistas na dianteira, entre eles Santiago Buitrago e Jakob Omrzel (Bahrain-Victorious), Van Aert e Tobias Halland Johannessen (Uno-X Mobility). Com os ataques, a primeira hora foi bastante caótica, tendo sido percorridos 46,7 quilómetros. Mais à frente, José Manuel Diaz (Burgos Burpellet BH) e Chris Hamilton (Picnic PostNL) fizeram a ponte para a frente, ao contrário de Pavel Sivakov (Emirates), que se afundou na segunda subida e esperou pelo pelotão.
⚠️ Oscar Onley, maillot blanco y uno de los mayores rivales de Enric Mas, se va al suelo en una rotonda.#LaVuelta26 #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/gPwGMCo44h
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Em Collado García, Van Aert bateu Buitrago pela terceira vez na etapa e somou mais cinco pontos, aproximando-se do colombiano na liderança da classificação da montanha. Os dois aproveitaram o sprint a subir para fugirem ao grupo, mas voltaram a ser apanhados na parte mais plana. No início da penúltima subida do dia, Oliveira despediu-se da fuga e Almeida começou a meter ritmo e a selecionar o grupo, mostrando-se no comando durante quatro quilómetros. O português viria a quebrar pouco depois, numa altura em que o grupo principal deixou de ser pelotão. A seis quilómetros do alto, Richard Carapaz (EF Education-EasyPost) atacou e ultrapassou um a um os ciclistas que seguiam em fuga. Na frente, Omrzel, que chegou a estar em segundo lugar na geral virtual, atacou com Léo Bisiaux (Decathlon). Os dois ataques acabaram por ser neutralizados na parte final de Velefique, onde Buitrago passou em primeiro.
???? ¡Toque de corneta de Richard Carapaz!
Ha salido como un cohete el ecuatoriano en plena subida a Velefique #vueltartve3s
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No grupo do camisola vermelha, Mattias Skjelmose (Lidl-Trek) e Sepp Kuss (Visma) foram os primeiros a quebrar, já com a Decathlon na frente. A equipa francesa deixou o grupo reduzido a apenas nove ciclistas, no momento em que, na frente, Bisiaux, Buitrago, Omrzel e Urko Berrade (Kern Pharma) escaparam. A 13 quilómetros do alto, Gall correspondeu ao trabalho da sua equipa com um ataque que deixou o resto do grupo para trás, à exceção de Mas e Roglic, que responderam de pronto. Quem também atacou foi Omrzel, que só foi acompanhado pelo espanhol. O terceiro ataque acabou por ser fulminante para o esloveno de apenas 20 anos que, por fim, descartou Berrade. A 11 quilómetros da meta foi a vez de Mas atacar em solitário, encontrando depois a ajuda do colega Raúl García Pierna, que tinha integrado a fuga.
????Mueve el árbol Felix Gall, que se lleva consigo a Enric Mas y Primoz Roglic
Onley, Carapaz y Mühlberger no pueden mantener el ritmo #VueltaRTVE3s
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¡¡ARRANCA LA 'ENRIQUETA'!!
????Hachazo de Enric Mas a sus rivales a 11 km. de la meta. Ni Roglic ni Gall pueden con el líder de la Vuelta, que está intratable #VueltaRTVE3s
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Na parte final do Calar Alto, Carapaz e Gregor Mühlberger (Decathlon) reentraram no grupo de Gall e Roglic, que também já tinham o apoio de Bisiaux e Luke Tuckwell. Ainda houve tempo para o austríaco atacar Roglic e Carapaz na rampa final, de modo a tentar evitar uma maior perda de tempo, mas o esloveno recolou a tempo. Na dianteira, Jakob Omrzel venceu pela segunda vez na carreira, depois de se ter sagrado campeão nacional de fundo no ano passado. Aos 20 anos, o ciclista da Bahrain, que se estreia numa Grande Volta, bateu o recorde de Tadej Pogacar (20 anos e 11 meses) e tornou-se no esloveno mais jovem de sempre a vencer numa corrida de três semanas. Em termos globais, desde Celestino Prieto (20 anos e dois meses), na Vuelta-1981, que não se via um ciclista tão jovem a triunfar numa Grande Volta. Berrade chegou a 1.56 minutos e Buitrago a 2.13. Mas chegou a 2.56 e ganhou 27 segundos a Gall, Roglic e Carapaz.
Esloveno.
20 añitos.
Corriendo su primera Vuelta.???????? ¿Os suena la historia? Jakob Omrzel gana en Calar Alto desde la fuga y da un salto en la general. #LaVuelta26 #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/HQFzheAzYG
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Na nova geral, Enric Mas tem 1.45 minutos de vantagem para Primoz Roglic e 2.06 face a Felix Gall. No quarto lugar está agora Richard Carapaz (+3.53), que ultrapassou Oscar Onley (+4.29). Com a vitória na etapa, Jakob Omrzel subiu ao sexto lugar e está a apenas 30 segundos do líder da juventude (+4.59). Mattias Skjelmose (+7.42), Sepp Kuss (+7.58), Gregor Mühlberger (+8.27) e Harold Tejada (+8.33) completam o top 10. João Almeida anotou a sua melhor etapa nesta Vuelta desde o contrarrelógio inaugural (48.º) e subiu ao 105.º lugar, a 2.11,57 horas. Já Ivo Oliveira ganhou cinco posições, para 154.º a 3.00,17.