Luís Montenegro garante encarar com “muita tranquilidade e com sentido de responsabilidade” o debate sobre a moção de censura. O primeiro-ministro, que se encontra numa visita oficial a São Tomé e Príncipe, diz estar investido em “mostrar que [a moção de censura] não faz sentido e que se enquadra na mera lógica do jogo político”.
“O nosso foco é completamente diferente. O Governo foi escolhido pelo povo. O quadro desta legislatura trabalha no final do verão de 2029. Não há nenhuma razão para interromper este caminho, que é um caminho de respeito pela vontade popular. As pessoas podem não gostar de tudo aquilo que o Governo faz. Mas as pessoas querem que o Governo trabalhe. Não aconteceu nada de extraordinário que justifique a interrupção do trabalho do Governo.”
Montenegro respondeu ainda à pressão mediática de que tem sido alvo para ser mais consequente com o caso de Luís Neves e afastar o ministro da Administração Interna. “Deus me livre de governar atendendo àquilo que dizem os comentadores. Eu governo com base nas minhas convicções. As pessoas são livres de dizer o que entendem. Mas às vezes parece que querem impor ao Governo que faça assim ou assado. As pessoas que querem desempenhar a função da governação, candidatam-se.”
“O povo não está interessado na dinâmica do jogo político, dos bastidores, dos recados. Eu não mando recados a ninguém. Eu falo com o povo”, disse ainda o primeiro-ministro, antes de atirar diretamente a Ventura: “Ninguém quer a governar um país alguém que não tem sentido de Estado”.
No final, Montenegro reiterou a confiança em Luís Neves. “Infelizmente, a vida democrática ensina-nos que as oposições nunca ficam satisfeitas com as explicações dos membros do Governo. Cabe depois ao primeiro-ministro fazer a avaliação. Estou muito tranquilo com todos os membros do Governo.”