O secretário de Estado da Proteção Civil disse esta sexta-feira que a fita do tempo do incêndio que deflagrou em Torre de Moncorvo e passou para Carrazeda de Ansiães, consumindo mais de 3.600 hectares, está a ser analisada.

“É legítimo que um grupo de cidadãos se manifeste e que nos faça chegar as suas preocupações referentes a este incêndio. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil [ANEPC] está a analisar o que foi o desenrolar do incêndio neste teatro de operações e nos fará chegar as suas conclusões após a análise à fita do tempo do teatro de operações”, afirmou Rui Rocha.

O governante falava a propósito do abaixo-assinado promovido por um grupo de moradores das aldeias de Vilarinho da Castanheira e de Pinhal do Douro, em Carrazeda de Ansiães, que se dizem indignados perante aquilo que foi a atuação do comando sub-regional do Douro da Proteção Civil no combate ao incêndio, entre 16 e 19 de agosto.

Na quinta-feira, em Boticas, distrito de Vila Real, Rui Rocha disse estar a aguardar pela entrega da petição, mas que independentemente disso irá ser feita avaliação “daquilo que também foi essa ocorrência para perceber se há alguma coisa que, de facto, não correu bem”.

“Esse é o nosso objetivo é de estar no terreno e perceber o que é que aconteceu, e se houve alguma coisa que não correu bem, ou correu mesmo mal, como é que vamos melhorar”, sublinhou.

Rui Rocha explicou ainda que a fita do tempo de um incêndio que demorou três ou quatro dias a ser dominado tem muita informação e que está a ser trabalhada naquilo que é o registo do comando nacional, e que tem de ser verificada com os comandantes sub-regionais e com os comandantes que estiveram no local do incêndio.

Este fogo deflagrou em 16 de agosto na freguesia de Cabeça e Boa, no concelho de Torre de Moncorvo, e alastrou-se a localidades vizinhas do concelho de Carrazeda de Ansiães, deixando para trás áreas de sobreiro, oliveira, apiários, vinha e outras culturas queimadas e que resultaram em prejuízos avultados, segundo o relato de proprietários à Lusa.

O governante apontou para uma estimativa de área ardida nos concelhos de Torre de Moncorvo e de Carrazeda de Ansiães de mais de 3.600 hectares, mas este número ainda tem de ser aferido.

“Vamos fazer o nosso trabalho porque o incêndio terminou há 10 ou 11 dias e, se nos forem suscitadas questões, as respostas serão dadas formalmente e a quem as solicitar”, vincou Rui Rocha.

“Isto Não Fica Assim” é nome do movimento composto por aqueles moradores das aldeias de Vilarinho da Castanheira e de Pinhal do Douro.

O porta-voz do movimento, Pedro Correia, a quem arderam 100 oliveiras e perdeu reservas no turismo, causando um prejuízo de “quatro mil euros”, criticou a Proteção Civil, por “desconhecer” o território e utilizar a política do “deixa arder”.

À Lusa, Pedro Correia avançou que “havia meios” no terreno, no entanto, estavam “parados” e o “aparato”, na prática, “não servia de nada”.

Face aos prejuízos causados, o movimento decidiu avançar com um abaixo-assinado que tenciona entregar ao ministro da Administração Interna.