A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) decidiu arquivar o inquérito ao caso do homem de 68 anos que morreu, em janeiro, no Algarve, depois de ter esperado mais de uma hora por socorro. Segundo a IGAS, verificou-se um atraso na chegada dos meios de socorro, mas não foi estabelecido um nexo de causalidade entre esse atraso e a morte, não só devido à gravidade da patologia identificada como também devido ao facto de as informações transmitidas na chamada feita inicialmente para o 112 não terem apontado para um cenário de paragem cardiorrespiratória, que já se verificava.

“A IGAS apurou a inexistência de nexo de causalidade entre o atraso no atendimento (que é efetivo) e o desfecho fatal verificado”, escreve a IGAS numa nota com as conclusões do inquérito, enviada ao Observador. A IGAS entende que houve um atraso na chegada dos meios de socorro ao local, explicando que as ambulâncias dos Bombeiros Voluntários de Tavira não estavam operacionais aquando da ocorrência, pelo que foi acionada uma ambulância dos Bombeiros de Faro, que se encontrava a 30 quilómetros de distância, o que contribuiu para a demora na chegada dos meios ao local.

O caso remonta ao início de janeiro de 2026, quando um homem de 68 anos morreu em Tavira, depois de ter estado mais de uma hora a aguardar por meios de socorro. Segundo a fita do tempo desta ocorrência, fornecida pelo INEM, houve uma primeira chamada às 18h07, seguida de uma segunda chamada de socorro a questionar a demora dos meios. A primeira ambulância foi acionada apenas às 18h42, 35 minutos após a primeira chamada.

Homem de 68 anos morre em Tavira depois de mais de uma hora a aguardar socorro

No entanto, e apesar da demora na chegada dos meios, a IGAS concluiu que não se verificou um nexo de causalidade com a morte, por duas razões. Por um lado, porque as queixas transmitidas ao INEM “não apontaram para um caso de paragem cardiorrespiratória (daí o acionamento de um meio menos diferenciado)”, e, por outro lado, devido ao “facto de a patologia revelada na autópsia médico-legal ser de extrema gravidade, com um índice de mortalidade muito elevado”. A IGAS sublinha que “todos estes fatores contribuíram decisivamente para o desfecho fatal”.

A vítima foi inicialmente classificada como prioridade 2 (a segunda mais grave, e que exige uma resposta em 18 minutos, segundo a escala de prioridades do INEM), tendo passado depois a P1 (resposta imediata) aquando da terceira chamada dos familiares, que aconteceu pelas 18h47, informando que o homem já estava em paragem cardiorrespiratória. Para o local foram igualmente enviados a viatura de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Tavira, acionada pelas 18h49, uma unidade de apoio psicológico do INEM e a polícia. Segundo fonte familiar, os primeiros meios de socorro só chegaram ao local mais de uma hora depois do pedido inicial de socorro.

A IGAS também não identificou “indícios da prática de infrações disciplinares imputáveis aos profissionais que tiveram participação” naquele caso, designadamente aos trabalhadores do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM, uma vez que, explica, “ficou evidenciado que todos os intervenientes realizaram as diligências que lhes competiam de imediato, com celeridade e assertividade, acionando primeiramente os meios de socorro disponíveis (Bombeiros de Faro — Cruz Lusa e a ambulância de Suporte Imediato de Vida de Tavira); depois, com a alteração do grau de prioridade (paragem cardiorrespiratória), o meio de socorro mais diferenciado (Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Faro)”.

À data, e confrontado com o caso, o presidente do INEM, Luís Cabral, descartou responsabilidades do instituto, atribuindo o atraso à falta de meios e retenção de macas das ambulâncias nos hospitais.