O secretário-geral da ONU advertiu esta sexta-feira que as promessas feitas pelos governos de adotarem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) não estão a ser cumpridas e instou-os a reverterem essa tendência, frisando ser “uma obrigação”.
“Os ODS são ambiciosos porque os desafios que enfrentamos são imensos. Mas os compromissos devem ser acompanhados de ações transformadoras. Foi essa a promessa que os Governos fizeram. Cumprir essa promessa é uma obrigação. É também a nossa maior oportunidade de construir um mundo mais justo, mais seguro e mais sustentável”, disse António Guterres.
Os apelos de Guterres foram lançados na abertura do “Momento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, o evento inaugural da Semana de Alto Nível da 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas.
No evento, serão discutidas iniciativas transformadoras globais e nacionais, assim como formas de acelerar o progresso dos ODS, mesmo diante dos crescentes desafios globais.
Os ODS são um conjunto de 17 metas globais de desenvolvimento estabelecidas pela Assembleia-Geral das Nações Unidas que devem ser atingidas até 2030.
Guterres lembrou nesta sexta-feira que os ODS são uma promessa forjada pelos Estados-membros e adotada por todos os Governos em 2015, tendo como aspirações construir sociedades mais saudáveis, seguras e prósperas, erradicar a pobreza e a fome, combater a desigualdade e a exclusão, erradicar as doenças, proteger o planeta, e não deixar ninguém para trás.
Desde 2015, a mortalidade infantil e materna foi reduzida, o acesso à educação, à proteção social, à água potável, ao saneamento, à eletricidade, às energias renováveis e à internet foi alargado, mas, ao longo dos últimos anos, grandes retrocessos também foram registados, lamentou o líder da ONU.
“Principalmente, uma pandemia global que apagou anos de progresso e expôs profundas vulnerabilidades”, apontou o secretário-geral, referindo-se à pandemia de covid-19.
“Em todas as crises, adaptámo-nos. Aprendemos. E continuamos a avançar. O progresso nunca foi automático, foi conquistado pela determinação das pessoas, das comunidades e dos países”, salientou.
António Guterres, que deixará a liderança da ONU no final do ano, sublinhou que o desenvolvimento enfrenta fortes obstáculos atualmente, como os conflitos, as divisões e a desconfiança que enfraquecem a cooperação internacional.
“As crises no Médio Oriente e noutras regiões continuam a gerar insegurança económica e a interromper os fluxos de alimentos, energia e comércio. A crise climática está a acelerar, aproximando perigosamente o limite de 1,5 graus. Os direitos das mulheres e das raparigas estão sob ataque”, enumerou.
Além disso, assinalou que os países em desenvolvimento continuam presos à dívida, ao espaço fiscal limitado e ao investimento inadequado, e o mundo continua a gastar somas recorde em guerras, enquanto o desenvolvimento sofre com a falta de recursos.
“As promessas feitas pelos governos ao adotarem os Objetivos não estão a ser cumpridas. É tempo de cumpri-las”, insistiu.
Nesse sentido, Guterres indicou quatro áreas para uma atuação rápida: combater a desigualdade; cuidar do planeta; financiar o desenvolvimento sustentável; e acelerar o progresso com as ferramentas disponíveis.
“E, acima de tudo, esforços renovados para forjar a paz, que é tanto o alicerce como um facilitador de um desenvolvimento duradouro, sustentável e resiliente”, sublinhou, perante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque.
A mensagem do Momento ODS deste ano é clara: nenhum país, instituição, empresa ou comunidade pode alcançar os Objetivos sozinho, especialmente num mundo marcado por crises sucessivas e complexas.
Segundo a ONU, o progresso depende da responsabilidade compartilhada e da ação coletiva.