Os avisos sucederam-se nas últimas semanas: “não subestimem o poder da tecnologia“, “estão a arriscar as nossas vidas“, “a Inteligência Artificial (IA) poderá matar-nos a todos até ao fim da década“. Este sábado, Donald Trump argumentou que os alertas se tratam de um “embuste” e recusou pôr um travão na aposta norte-americana na indústria de IA. “Pelo contrário, vamos valorizá-la, ajudá-la e cuidar dela, à medida que cresce!”, escreveu numa publicação na Truth Social onde anunciou a formação de uma “Força” e de um “Czar” para a Inteligência Artificial.
Entre ataques, vírus e armas químicas, como poderia a IA tornar-se numa ameaça aos humanos?
Numa longa publicação, o Presidente norte-americano acusa “a esquerda radical” e os “dumocratas” — um trocadilho fonético entre “democratas” e “dumb“, idiota em inglês — de serem responsáveis por uma série de “embustes” nos EUA, que incluem “RÚSSIA, UCRÂNIA, aquecimento global, embuste do impeachment #1 e embuste do impeachment #2, homens em desportos de mulheres, transgéneros para todos” e ainda o “ataque aos data centers“. O mais recente destes “embustes”, escreve, é a “destruição da IA”.
O Presidente argumenta que estes grupos procuraram “atacar os data centers“, referindo-se às críticas sobre os impactos climáticos e sociais destas infraestruturas, mas que esse ataque “falhou” e, por esse motivo, os seus opositores procuram agora atacar diretamente a indústria da IA. Trump compara o que diz ser a mudança de estratégia à forma como o termo “aquecimento global” deixou de ser utilizado em detrimento do conceito mais amplo de “alterações climáticas” — “porque cobre mais ‘território’ sem dúvida”, atira.
“Não vamos reprimir ou atrasar o Crescimento desta indústria incrível“, garante, ainda assim. Pelo contrário, o chefe de Estado anuncia que irá criar uma “Força para a IA” — “à semelhança do que fiz com a Força para o Espaço que foi um tremendo SUCESSO”, argumenta — e um “czar da IA” — “candidaturas restritas a indivíduos com QI elevado”, escreve.
O objetivo desta aposta é impulsionar a indústria da IA como motor económico e, insiste Trump, “liderar a China e o resto do Mundo”. “A IA é a próxima Revolução Industrial, ou a Internet, mas vai ser maior e com mais impacto, possivelmente tanto quanto 25% do PIB do nosso país”, remata.
Com esta prioridade em mente, a administração norte-americana convocou para a próxima quarta-feira uma cimeira de alto nível sobre IA com a presença de líderes internacionais e diretores executivos de empresas tecnológicas, que se deverá realizar à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas. A informação é avançada pela CNN, que cita fontes com conhecimento dos planos.
Trump critica “forças negativas” que querem abrandar desenvolvimento da IA